Como usar o método Marie Kondo no seu home office

Quer ajuda para organizar o lugar de trabalho? Especialista treinada pela própria guru da arrumação dá dicas para melhorar o ambiente em tempos de trabalho remoto

Quando a casa de um considerável número de profissionais se transformou na nova versão do escritório, por causa da pandemia de Covid-19, ninguém parou muito para pensar no impacto imediato disso. Mais tempo dentro de casa significa, necessariamente, mais bagunça? Para algumas pessoas sim. E em muitos lares brasileiros são as mulheres as responsáveis por organizar tudo – somando essa tarefa à todas as outras que já estão em sua lista de afazeres diários.

Pois se a convivência dentro de casa aumentou e, por consequência, a bagunça também, que tal buscar sugestões de uma expert treinada pela guru da organização? Estamos falando de ninguém menos do que Marie Kondo, a empresária japonesa que bombou mundo afora com sua série na Netflix de como colocar ordem dentro em tudo.

Para essa missão, a Consumidor Moderno conversou com Carolina Ferraz, uma organizadora profissional, única consultora brasileira treinada pela própria Kondo. Pós-graduada em semiótica e psicanálise, ela também tem uma empresa especializada no assunto (ondeeudeixe). Carolina conta que uma bancada de trabalho arrumada pode ajudar, até mesmo, a se concentrar melhor: “A criação de um espaço acolhedor e confortável impacta na fluidez dos processos e contribui para a concentração e manutenção da saúde mental, principalmente durante a pandemia”, diz ela. Acompanhe abaixo o bate-papo e as dicas concretas de como não sobrecarregar ninguém na arrumação do home office:

Organize-se já!

Consumidor Moderno: Por que é importante pensar em organizar o ambiente de trabalho dentro de casa?

Carolina Ferraz: Principalmente para entendermos onde começa o escritório e onde ele acaba. Isso evita que trabalhemos num regime 24 por 7, diminuindo nossa ansiedade ao mesmo tempo em que aumenta nossa produtividade, pois evita a procrastinação do “mais tarde eu posso fazer”. Além disso, a criação de um espaço acolhedor e confortável impacta na fluidez dos processos e contribui para a concentração e manutenção da saúde mental, principalmente durante a pandemia.

CM: Quais são as principais dicas para começar a organizar o ambiente de home office?

AC: Antes de começar a comprar coisas pense que precisa ser um lugar fácil para guardar o que for usado e pense também no que funciona para você. Por exemplo, se você é uma pessoa que usa bastante papel, convém investir em um caderno e até um planner de parede. Agora, se é completamente digital, não precisa se preocupar em ter nada disso, porque não faz parte da rotina. Talvez um quadro branco para construção de mapa mental e um carregador com fio mais longo seja bem mais útil.

Outro ponto importantíssimo é iluminação e elétrica. Antes de comprar uma mesa com a medida exata de tal parede, veja se o computador pode dar reflexo naquela área. Ou se a luz é fraca ou forte demais. Cheque também se as tomadas estão todas funcionando e se precisará de cortinas. Por último, eu sempre gosto de colocar no home office objetos que me acolham em dias difíceis. Uso uma caneca que gosto muito, tenho um quadrinho que me lembra dos meus objetivos profissionais. A ideia aqui não é comprar nada e sim pensar naquele objeto que te arranca um sorriso a cada olhar.

“A criação de um espaço acolhedor e confortável impacta na fluidez dos processos e contribui para a concentração e manutenção da saúde mental, principalmente durante a pandemia”

CM: O que é necessário para montar um home office funcional? Você pode citar objetos e arrumações que não podem faltar?

CF: Durante o trabalho, a palavra-chave é ergonomia. Se puder investir em uma cadeira apropriada não hesite. Outra opção é entrar em contato com o RH e avaliar a possibilidade de trazer a que está no escritório. Também recomendo um suporte para o computador para ajudar no ângulo do pescoço e outro para os pés, para mantê-los em 180 graus. O segundo ponto de atenção é a privacidade e o silêncio. Fones e abafadores de ruídos ajudam no foco. Falando de organização, priorize gaveteiros ou carrinhos multifuncionais. Eles são versáteis e caso você volte definitivamente ao escritório físico, pode reaproveitá-lo para guardar outros objetos em casa. Para evitar a bagunça, coloque dentro deles caixinhas (pode ser aquelas de celular ou até potes sem tampa) para o material de escritório e três pastas: uma para papéis relacionados à tarefas em andamento, outra para atividades pendentes e, por último, uma para atividades ainda sem prazo estabelecido.

CM: Quais são as principais técnicas de Marie Kondo que você aprendeu e que podem ser aplicadas na arrumação doméstica?

CF: A primeira coisa é entender que não adianta perder tempo, energia e dinheiro cuidando de objetos que a gente não gosta, que nos estressam e, em alguns casos, até angustiam. Ou seja, precisamos encarar nossas coisas, pensar no que elas nos trazem e desapegar de tudo que tira de um jeito ou de outro nossa paz ou ficaremos reféns delas. Outro ponto importante é ter um lugar só para cada coisa. Guardar canetas em 5 lugares diferentes só fará nosso cérebro entender que “qualquer lugar é lugar pra guardar” e aí não temos ideia de onde deixamos aquele objeto quando mais precisamos dele. Cada objeto precisa ter uma “casa”. Por último, nossos objetos devem ser guardados sempre pensando na lei do mínimo esforço. Deve ser fácil de ver, de pegar e mais fácil ainda de guardar. O objetivo é investir o tempo que perdemos lutando para fechar a gaveta fazendo algo que realmente gostamos, como viajar ou ficar com a nossa família.

“Guarde o notebook em um lugar que não consiga vê-lo. Objetos são símbolos que nos remetem a situações. Ninguém precisa ficar lembrando do que não deu conta dia e noite. Guardá-lo evita o esgotamento emocional.”

CM: Um lugar mais organizado pode ajudar no desempenho do profissional no home office? Isso pode favorecer a criatividade da pessoa?

CF: A organização nos ajuda a entender melhor quais são nossas prioridades e onde precisamos colocar nosso esforço. É como se as coisas ficassem mais em foco e isso ajuda tanto na motivação (afinal, trabalhamos porque buscamos algo) quanto na economia de tempo. Podemos ter entregas de qualidade altíssima mesmo com uma mesa bagunçada, mas se ela tiver menos estímulos, nossa chance de terminar a tarefa mais rápido é maior, assim como economizamos estresse ao saber exatamente por onde anda aquele papel importante.

Falando sobre a criatividade especificamente, ambientes bagunçados nos ajudam a pensar e repensar sempre lugares para guardar aquele objeto novo que chegou a nossa mesa, isso estimula nossa criatividade e é um argumento muito usado por pessoas bagunceiras de nascença, como eu, quando precisam justificar a bagunça. Mas existem outras formas bem mais prazerosas de exercitarmos nossa criatividade, como conhecendo novos lugares, brincando com uma criança e conversando com amigos. A organização serve para reduzirmos o tempo cuidando das nossas coisas e investi-lo nesses momentos de alegria que também estimulam nosso cognitivo e poder de criação.

“Podemos ter entregas de qualidade altíssima mesmo com uma mesa bagunçada, mas se ela tiver menos estímulos, nossa chance de terminar a tarefa mais rápido é maior, assim como economizamos estresse ao saber por onde anda aquele papel importante”

CM: É possível ter um espaço de trabalho organizado independentemente do tamanho da sua casa? Tem alguma dica mais exclusiva para esse método de organização em espaços pequenos?

CF: É sim e temos aliados específicos do ponto de vista prático e emocional. Recomendo que você desenvolva rituais de início e fim de expediente – como vestir-se para o trabalho ou tomar banho após. Da mesma forma, ao fim do expediente guarde o notebook em um lugar que não consiga vê-lo. Objetos são símbolos que nos remetem a situações (como trabalho) e ninguém precisa ficar lembrando do que não deu conta dia e noite. Guardá-lo evita o esgotamento emocional. Como ambientes compartilhados são mais movimentados, recomendo que tenha uma lista de tarefas que não exigem tanta concentração para quando a criança interromper ou o parceiro estiver em call ou batendo panela do seu lado. Assim você aproveita melhor seu tempo.

As pausas também são diferentes. Procure a janela para tomar aquele cafezinho no meio da tarde. Vai ajudar a espairecer e facilitar a concentração em seguida. Substitua a garrafa de água por copo. Dessa forma você precisará levantar-se mais vezes e isso ajudará na mobilidade e circulação sanguínea. Do ponto de vista prático, evite ao máximo objetos expostos. Quanto mais coisa tiver em cima da mesa de jantar, mais chance temos de largá-las lá depois de um dia cansativo. Outra dica infalível é criar a “caixinha do escritório”. Nela você colocará o carregador, mouse, caderno, fone, um estojo com material de escritório e o que mais usa na sua rotina diária. No começo do dia, coloque essas coisas sobre a mesa. No fim, coloque tudo lá dentro e guarde com seu notebook. É o fim do expediente.


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