Reabertura das atividades econômicas dá fôlego ao varejo no mês de julho

De acordo com levantamentos dos grupos Santanter e Cielo, os impactos da pandemia no comércio foram amenizados após a flexibilização das medidas de isolamento social, mas recuperação ainda não é completa

A partir de maio, diversas regiões do país iniciaram um processo de reabertura gradual das atividades econômicas – restritas para minimizar a disseminação da Covid-19. Desta forma, os impactos da pandemia no comércio varejista registraram melhora, mesmo que ainda em níveis reduzidos, segundo dados de dois levantamentos; o IGet – índice que reflete o desempenho do comércio de varejo brasileiro a partir do volume de transações de estabelecimentos que utilizam suas máquinas de cartões, de responsabilidade do Departamento Econômico do Santander – e o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), que monitora 1,5 milhão de varejistas credenciados à empresa de meios de pagamentos.

IGet – Grupo Santander

Gráfico IGet

Divulgação: IGet

De acordo com o IGet, houve alta mensal de de 8,1% m/m em julho, após ajuste sazonal. Já o índice obtido por meio da ponderação dos segmentos analisados pelos respectivos pesos na pesquisa feita pelo IBGE para o varejo restrito (o IGetp) sinalizou alta mensal de 8,0% m/m, também descontados fatores sazonais.

Em relação ao mesmo mês do ano passado, a queda foi de 6,6% a/a; no entanto, vale reforçar que apesar da crescente observada neste mês, os indicadores ainda não se recuperaram completamente da acentuada queda registrada em abril, ainda permanecendo em patamares abaixo do período pré-crise. O IGet e o IGetp já recuperaram 75% e 68% das perdas registradas entre março e abril, se situando cerca de 8% e 9% abaixo da leitura verificada em fevereiro.

Segundo o IGetpa, indicador mais amplo do comércio, foi observado alta mensal de 5,2% em relação a junho, descontados os fatores sazonais. Na comparação interanual, a queda foi de 21,8 % a/a. O índice já recuperou 41% dos pontos perdidos durante a crie, mas ainda está 23% abaixo da leitura de fevereiro – mês de registro do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil.

Recuperação em quase todos os setores no varejo restrito

Mapa de aquecimento da atividade por segmentos

Divulgação: IGet

Na composição dos resultados, é possível observar que, no conceito de varejo restrito, apenas o setor “Vestuário” registrou queda na margem em julho, de -2,6%.

Já no conceito de varejo ampliado, nota-se que as vendas de materiais de construção seguiram registrando uma melhora no período, enquanto que as vendas de partes e peças automotivas registraram um segundo declínio consecutivo na margem.

Projeções para a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE de julho de 2020

Os modelos que utilizam como input os dados do IGet indicam que as vendas do varejo restrito, medidas pelo IBGE em julho, devem apresentar alta de 4,3% em relação a junho, após ajuste sazonal. Na comparação interanual, contra julho de 2019, espera-se queda de 0,2%. Os detalhes ainda mostram que a maior parte dos setores deve seguir apresentando recuperação na margem, sendo as únicas exceções a parte de ‘Materiais para escritório’.

Para as vendas do varejo no conceito ampliado, incluindo os segmentos de materiais de construção e automóveis, o IGet aponta para uma alta de 4,5% em julho frente ao mês anterior, na série dessazonalizada. Em relação ao mesmo mês de 2019, a contração estimada é de -3,8%. Esta projeção para o varejo ampliado também utiliza outros indicadores coincidentes, como as vendas de veículos da Fenabrave.

Índice Cielo de Varejo Ampliado ICVA

Crescimento da receita de vendas sem ajuste de calendário
Divulgação: Cielo

Outro índice que aponta para a recuperação é o do Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), que monitora 1,5 milhão de varejistas credenciados àempresa de meios de pagamentos. Segundo o levantamento, o mês de julho mostrou recuo de 19,9% em relação ao mesmo período de 2019. No entanto, o comércio nessa medição mostra recuperação pelo terceiro mês consecutivo, uma vez que junho mostrou declínio de 24,1%, em maio apurou retração de 30,5% e em abril registrou um tombo de 36,5%, em números que descontam a inflação.

Conforme a aponta a pesquisa da Cielo, o destaque positivo foi a aceleração de setores como transporte e vestuário. Por outro lado, o setor de móveis e eletrodomésticos apresentou leve desaceleração, depois de dois meses em recuperação.

“Mesmo sendo difícil prever a evolução da pandemia, os números sugerem que, em termos de impacto no comércio, o pior da crise já passou”, afirmou o superintendente-executivo de Inteligência da Cielo, Gabriel Mariotto, em nota.

Setores

Descontada a inflação e feitos os ajustes de calendário, o bloco que apresentou a maior aceleração do índice foi o de Serviços, seguido pelo de Bens Duráveis e Semiduráveis. Em serviços, o destaque foi o segmento de Turismo e Transporte. Já em Bens Duráveis e Semiduráveis, vale ressaltar a aceleração dos setores de Vestuário e Materiais para Construção.

Já o setor de Bens Não Duráveis, depois de recuar em junho, voltou a ter uma leve aceleração em julho, principalmente nos setores de Drogarias e Farmácias, e Supermercados e Hipermercados.

Regiões

As regiões regiões Norte, Nordeste e Sudeste foram as que demonstram maior recuperação em relação ao mês anterior, enquanto as regiões Centro-Oeste e Sul diminuíram seu ritmo de recuperação.

“De fato, do ponto de vista da crise de saúde, estas duas regiões tinham relativamente menos casos e mortes por Covid-19. Mas no último mês apresentaram uma piora neste cenário, o que refletiu no comércio”, destaca Mariotto.

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