Pandemia dispara procura por profissionais de saúde mental

Medo da contaminação e isolamento social repentino abalaram a saúde mental da população. A solução pode estar na telemedicina e na telepsicologia

Foto de Karolina Grabowska no Pexels

Em momentos de crise financeira há um movimento natural da população de cortar gastos e medir prioridades. Muitas vezes a saúde mental é negligenciada nessas ocasiões, e despesas supostamente não-essenciais, como psicoterapia, acabam sendo um dos primeiros pontos de corte da população.

Sincronicamente, as crises per se são catalisadoras da piora da saúde mental dos cidadãos, e toda uma nova gama de patologias psiquiátricas podem ser desencadeadas durante esses períodos.

A Covid-19 não foi exceção, e disparou crises de stress em todo o planeta, intensificadas pelo medo da contaminação, pela possível perda de entes queridos e pelo isolamento social repentino.

Piora na saúde mental é realidade global, aponta psiquiatra

Mas quais foram as possíveis que a pandemia provocou na população, e quais foram as consequências dessas novas demandas para o setor de saúde?

Dr. Alfredo Maluf, psiquiatra da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, respondeu à Consumidor Moderno que, apesar da crise, a pandemia intensificou, sim, a busca por atendimentos nas áreas de psicologia e psiquiatria ― aumento que ocorreu tanto na rede pública quanto na privada.

Segundo o Dr., os estudos da saúde mental em todas as regiões do planeta têm apontado para um acréscimo da incidência de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, fobias, transtornos alimentares e transtorno obsessivo-compulsivo, sendo o último prevalente entre profissionais da saúde. “Alguns trabalhos mostram que houve aumento de 50% a 90% no diagnóstico de pessoas com ansiedade, depressão e outras patologias psiquiátricas”, diz.

Também há, segundo Maluf, uma grande preocupação com o aumento do consumo de álcool e outras substâncias que causam dependência ― o que inclui medicações psicoativas.

Os distúrbios de sono também estão muito relacionados à pandemia, com aumento nos relatos de insônia e pesadelos, além de maior dificuldade de concentração e organização da casa e afazeres do dia a dia. “Muitas pessoas que migraram para o home office não se adaptaram imediatamente, e isso pode ter acarretado nesses sintomas”, comenta.

saúde mental

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Adaptações às novas circunstâncias

O fechamento de consultórios e a limitação dos atendimentos para emergências em alguns hospitais fizeram com que novos recursos de cuidados para a saúde fossem viabilizados e legalizados no primeiro semestre do ano: os atendimentos via telemedicina e a prescrição de medicações por vias digitais.

De acordo com Maluf, esse novo movimento aumentou número de pessoas que puderam ter acesso a tratamentos com psiquiatras e psicólogos. “O atendimento a distância possibilita que pessoas de todas as regiões possam buscar profissionais de referência, e muitas vezes estavam impedidos disso por questões geográficas”, menciona. 

Além dos atendimentos via telemedicina, outro movimento observado na área de saúde foi a maior procura por aplicativos wellness, como exercícios físicos, práticas de meditação e mindfulness e gestão do tempo. “Esse grande avanço recursos tecnológicos ajudam as pessoas a lidarem com os sintomas dos transtornos. Esses aplicativos vieram somar na rotina da população. Hoje podemos falar por vídeo, por WhatsApp e vários outros meios digitais que possibilitam a comunicação”. Graças a esses recursos, segundo o psiquiatra, em vez de haver uma desconexão com os profissionais de saúde, houve uma ampliação das possibilidades de se buscar melhorias na saúde mental.

“Com exceção das questões que exigem atendimento presencial, o avanço das tecnologias (como a telemedicina e telepsicologia) têm propiciado uma assistência que não deixa a desejar em comparação aos atendimentos presenciais” ― Dr. Alfredo Maluf, psiquiatra da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein

Vantagens da telemedicina e da telepsicologia

  • Rapidez e, muitas vezes, atendimento imediato 
  • Fim dos limites geográficos
  • Flexibilidade e melhor gestão do tempo para paciente e atendente
  • Redução da exposição à doenças e infecções
  • Redução de filas em clínicas e hospitais
  • Redução dos custos de saúde
  • Maior conveniência e acessibilidade
  • Facilitação de cuidados preventivos

Você conhece o Centro de Valorização da Vida (CVV)? Nele, há pessoas sempre dispostas a ajudar. Caso você queira conversar, ou conheça alguém que esteja precisando de ajuda, acesse o site (clique neste texto) ou ligue para o número 141.


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