Você sabe quais são os erros mais comuns dos empreendedores?

Especialista em planejamento financeiro lista 6 ações que podem comprometer seus negócios – em tempos de Covid-19, mas também fora do cenário da pandemia

Reorganizar os negócios foi a expressão de ordem para boa parte das micro e médias empresas brasileiras com o impacto gigante da pandemia do novo coronavírus na economia. Plano de negócios e perspectiva de futuro foram alterados do dia para a noite por causa das mudanças trazidas pela questão sanitária, mas em se tratando de gestão, existem alguns erros que com ou sem Covid-19 na área nenhum empreendedor pode cometer. Ações como não manter uma reserva financeira ou confundir o fluxo de caixa da empresa com o das despesas pessoais de seu fundador estão entre elas.

Estas podem parecer questões básicas e bastante conhecidas, mas seguem sendo ainda muito comuns, como explica Marina Guedes, planejadora financeira especializada em empreendedorismo e com mais de 10 anos de experiência em análise financeira de empresas. “Tem gente que acha que planejamento estratégico é coisa de empresa grande. E esse é um grande erro”, diz a especialista. Marina, que já trabalhou em diversos bancos privados e também foi assessora técnica da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), atua também como planejadora financeira pessoal desde 2018. Por isso mesmo, listou para a Consumidor Moderno os 6 principais erros que os empreendedores cometem. Confira abaixo:

Receita da empresa X salário pessoal

De acordo com Marina Guedes, esse é um dos erros principais de quem empreende porque o fluxo de caixa acaba misturado. Em momentos de crise econômica, por exemplo, a tentação de acabar com essa divisão é grande, mas resista a ela: “Diferente do salário, que é o que um funcionário recebe pelo trabalho realizado, ou até mesmo o sócio da empresa, que recebe esse valor com o nome de pró-labore, a receita da empresa precisa ser avaliada. É dela que vêm os recursos de onde deverão ser deduzidos os custos do produto ou serviço vendido; as despesas administrativas e de pessoal da empresa como um todo; alguns impostos e o pagamento de juros de dívidas, se houver”, explica a planejadora. “A divisão entre as finanças da empresa e do empreendedor é extremamente importante, pois ambas têm diferentes prioridades e fatores envolvidos, devendo ser administradas em separado, mesmo que essa separação seja só gerencial”, alerta Marina. “Se for possível, é preferível manter, inclusive, contas bancárias separadas (empreendedor e da empresa) para o trâmite desses valores”, ensina.

Processos desestruturados

O segundo grande erro que os empreendedores podem cometer é não implementar processos administrativos e financeiros ou então simplesmente passar por cima dos que já estiverem implementados, sem respeitá-los. De novo, essa pode ser uma tentação fácil de rondar a empresa em momentos de crise econômica para “acelerar” movimentações, por exemplo. “Esses processos são importantes para que não se perca de vista a data de pagamento de impostos, de contas de consumo, entre outras obrigações financeiras”, explica a especialista. “Além disso, quanto mais esse tipo de processo estiver estruturado, mais a empreendedora terá tempo hábil para focar na atividade principal da empresa”, diz Marina, o que é essencial para fazer o seu negócio prosperar.

empreendedor erros

Um dos grandes erros dos empreendedores é não ter um planejamento estratégico. Foto: Pexels.

Não fazer planejamento estratégico 

“Tem gente que acha que planejamento estratégico é coisa de empresa grande”, diz Marina Guedes. Esse é um grande erro, segundo a planejadora financeira. “Planejar seu negócio, ter metas de curto e médio prazo, criar indicadores para acompanhar constantemente o atingimento das mesmas e ações para alcançá-las são rotinas muito importantes para que o negócio atinja o seu potencial”, explica. Manter objetivos e rumar a eles é essencial para não se perder nos desafios do dia a dia: “O planejamento é a maneira como você atingirá sua meta seja financeira, de participação mercado, de operação, entre outros. Para atingir qualquer objetivo, o planejamento e ações decorrentes dele são essenciais, assim como para administrar a situação financeira da empresa”, fala Marina.

Não ter uma reserva de emergência

Essa ação é essencial e das mais necessárias na parte de gestão financeira, mas ainda assim, muita gente não separa valores para alimentar a reserva da empresa. “É um colchão de liquidez que serve para diferentes cenários imprevistos – seja para dar conta de uma despesa inesperada, de queda na receita, ou até mesmo para se aproveitar de algum tipo de oportunidade de investir para crescer”, explica Marina. Segundo ela, a manutenção de uma reserva de emergência idealmente de 4 a 10 meses para os principais gastos é uma forma do empreendedor ter segurança para passar por imprevistos sem ter que recorrer a empréstimos com elevados juros, o que pode piorar ainda mais a sua situação. “Toda vez que for consumida a reserva de emergência, ela deve ser recomposta ao seu nível ideal, sempre em termos de meses de gastos da empresa. Havendo crescimento das despesas, a reserva de emergência também deve acompanhar esse crescimento”, explica a planejadora.

Se endividar para consumir

“No Brasil, as taxas de juros para Pessoa Física e Pequenas e Médias Empresas é muito alta. Quando um empreendedor se endivida para cobrir gastos de consumo, ou seja, despesas que não estão trazendo aumento de receita, ele acaba entrando em um caminho perigoso”, define a entrevistada. Até porque, se as receitas já não estão suficientes para cobrir as despesas, no mês seguinte estarão ainda mais insuficientes já que ele terá que arcar com a despesa de juros além daquelas que já possuía. Por esse mesmo motivo, a reserva de emergência é tão importante.  “Essa ação pode fazer o empreendedor entrar ciclo de superendividamento, ou seja, de ter mais dívida do que a receita gerada por seu próprio negócio.”

Empreender x ser o seu próprio chefe

Segundo a especialista, muita gente comete o erro de pensar que se você é um empreendedor, isso significa que você é também seu próprio chefe. Na visão dela, o raciocínio precisa ser outro: “o chefe do empreendedor é o consumidor final do seu produto ou serviço. É muito importante constantemente estar em contato com seu usuário final e entender qual caminho o que você produz ou oferece deve seguir para melhor atender a esse público”, diz Marina Guedes.


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