Coca-Cola, Boeing e outras multinacionais: o movimento do corte de empregos

Cenário de incertezas faz 38% dos presidentes executivos de multinacionais pensarem em redução no quadro de funcionários

Recentemente a Coca-Cola anunciou reestruturação e demissão voluntária a 4 mil funcionários nos EUA, Canadá e Porto Rico, deixando claro que o mesmo pode acontecer em outros países. A Boeing seguiu na mesma linha e disse pretender demitir 13 mil funcionários de suas fábricas. A Uber passou de 6 mil demissões durante a pandemia.

Este movimento de corte de empregos é um caminho que deve ser seguido pelas multinacionais nos próximos 12 meses. É o que mostra um estudo realizado pelo The Conference Board em parceria com o fórum empresarial The Business Council, onde 38% dos CEOs participantes disseram que devem diminuir sua equipe no período. Além disso, para os funcionários que mantiverem o emprego, a tendência é ter um aumento salarial menor que 3%, caso isso aconteça.

Isso se deve ao cenário de incertezas. Enquanto as pessoas estão buscando diminuir os gastos para se adequar à nova realidade financeira ou evitar dívidas futuras, a falta de confiança das empresas as leva a frear investimentos. Nas multinacionais, por exemplo, 40% dos CEOs devem cortar em até 10% os investimentos previstos anteriormente.

Para Bart Van Ark, economista-chefe do The Conference Board, “sem uma contenção considerável da Covid-19, a incerteza continuará sendo dominante entre os presidentes executivos”. “Com mais de um terço dos CEOs planejando reduzir as forças de trabalho e os gastos de capital, os efeitos na economia podem se estender além dos próximos 12 meses”, alerta.

Expectativas para o futuro

Especialistas vêem os efeitos da pandemia como algo duradouro: as projeções econômicas de crescimento são inferiores às contrações que devem acontecer neste ano. Por isso, mesmo que os CEOs percebem uma melhora modesta no cenário atual, as expectativas de curto prazo diminuíram. Em pequisa realizada ao fim do segundo trimestre do ano, 71% dos presidentes executivos acreditavam que as condições econômicas iriam melhorar nos próximos 6 meses, agora apenas 62% continuam com a mesma visão.

Apesar disso, alguns setores vão na contra mão. O comércio eletrônico brasileiro, por exemplo, cresceu 47%  e obteve seu melhor resultado dos últimos 20 anos. Impulsionado pelas pessoas dentro de casa, o setor da construção civil também viu aumento nas vendas. Serviços digitais, como streaming de vídeo e aplicativos de entrega, ganharam novos clientes em grande quantidade – Netflix registrou 26 milhões de novos assinantes no primeiro semestre, enquanto iFood viu o tícket médio crescer 22,3% no início da pandemia. Esses segmentos podem ser os responsáveis por gerar novos postos de trabalho nos próximos meses.

De acordo com o The Conference Board, a tendência é que, neste período de recuperação, as empresas não enfrentem dificuldades para contratar profissionais qualificados, pelo menos na maioria dos setores.


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