Os dilemas da transformação digital

Em painel no Conarec 2020, Lisiane Lemos falou sobre como a tecnologia está transformando as relações de consumo

Lisiane Lemos tem apenas 31 anos. Formada em Direito pela Universidade Federal de Pelotas, ela nunca se imaginou trabalhando com tecnologia, mas hoje é especialista em transformação digital e embaixadora da ONU. Suas passagens pelo meio acadêmico e pelo terceiro setor antes de chegar ao mundo corporativo representam bem a nova realidade do mundo quando o assunto é “carreira”: não necessariamente trabalharemos para o resto da vida em nossa área de formação. As mudanças no mercado de trabalho impactam diretamente as relações das empresas com seus consumidores, e foi justamente sobre isso que Lisiane falou no painel “Dilemas da Transformação Digital”, no CONAREC 2020.

Em sua apresentação, ela abordou a sua trajetória profissional e como as experiências de grandes corporações podem ajudar os pequenos empreendedores em um cenário cada vez mais competitivo e dinâmico. Lisiane listou cinco tendências que podem ajudar as empresas a atingir o novo consumidor que surge nessa realidade que se transforma a todo momento.

Inovação não é somente tecnologia

Essa foi a primeira dica dada pela especialista em sua apresentação: inovar não se resume criar tecnologia. Para que exista inovação, é preciso entender o cliente com profundidade. “Se você vai criar um aplicativo, primeiro você tem que motivar o cliente a baixá-lo. O primeiro passo é entender quem é o seu público-alvo e quais são suas dores”, diz. Para isso, ela sugere que o empreendedor se utilize de uma ferramenta chamada Canvas de Proposta de Valor, que explora as dores do cliente, os ganhos ele espera de determinada solução e como ela pode sanar esses problemas. Lisiane também sugere o método dos 4Ps: Pesquisar; Perguntar; Planejar e Praticar.

O maior contato com as telas mudou o comportamento. Foto: Pexels.

Trabalho remoto e work from home

Trabalhar de casa está fazendo com que as pessoas passem mais tempo em frente ao computador do que em qualquer outro lugar, e isso, é claro, transforma as relações de consumo. Estamos o tempo todo conectados a múltiplas telas: notebook, celular, televisão, entre outras, e cada um dos sinais emitidos por esses aparelhos pode ajudar os varejistas a entregar melhores propagandas e a melhorar seu relacionamento com o cliente.

A intensificação das relações virtuais também muda a maneira como enxergamos o mundo e interagimos com as pessoas. Por isso, dentro das empresas, exige-se uma nova forma de liderança. “Em uma reunião de time – não vou dizer se foi do meu ou de outra pessoa que comentou comigo – um dos funcionários estava com um problema de pele causado por estresse. Se fosse em uma realidade normal, eu passaria na mesa da pessoa, veria e perguntaria o que estava acontecendo. Mas e agora, como a gente vai descobrir isso? E como isso influencia na realidade das pessoas?”, questiona Lisiane, que destaca que a maneira de liderar, ainda que remotamente, impacta diretamente o desempenho dos colaboradores.

Multicanalidade

A pandemia impulsionou o comércio online e forçou os varejistas a se adaptarem a uma nova realidade para sobreviver à crise. Segundo Lisiane, o segredo da multicanalidade é entender como os diversos canais se interligam e como isso se reflete no seu estoque e na sua logística. “Você não precisa estar presente em todas as plataformas, mas precisa atuar em várias delas, entregando com qualidade e conhecendo seu consumidor”, diz. Segundo ela, escrever o passo a passo do processo de venda em cada canal pode ajudar o varejista a ganhar agilidade, automatizando determinadas funções para que o esforço humano possa se concentrar no que é mais relevante. “O importante é fazer um ótimo atendimento, independentemente do canal”, destaca.

Propósito

Para Lisiane, mais importante do que ter um propósito, é utilizar as ferramentas disponíveis para atingi-lo. “O meu propósito é deixar o mundo melhor do que quando eu entrei nele. A gente vive em uma era em que tudo tem que ser megalomaníaco, mas não necessariamente precisa ser assim. Em alguns casos, conectar pessoa por pessoa é melhor do que atingir um milhão de indivíduos de uma vez só”, diz.

De acordo com a especialista, os consumidores têm buscado cada vez mais por algo além do produto em si, e por isso é fundamental entender o que é importante para o seu público. “Resiliência, antifragilidade e adaptabilidade são as palavras da vez. O músculo da resiliência pode ser trabalhado. O que que posso fazer com as ferramentas que eu tenho pra atingir os números que eu quero atingir? O que eu posso automatizar da minha vida para me aperfeiçoar como pessoa e não deixar os robôs tomarem o meu lugar?”, provoca.

Saúde e segurança

Como última tendência à qual as empresas devem ficar atentas, Lisiane destaca a adesão a melhores práticas de saúde e segurança. “Nós, enquanto fornecedores, temos obrigação de dar exemplo, respeitando nosso funcionários e consumidores”. Ela diz, no entanto, que mais do que fazer, é preciso divulgar o que está sendo feito. “Mostre que você está respeitando as melhores práticas e cuide da governança como um todo. Quanto mais cedo você pensar em governança corporativa, gestão de crise e continuidade de negócios, mais bem sucedido vai ser o seu tema”, conclui.


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