Insights transformadores provocados pela pandemia

Painel do Conarec discutiu como a quarentena tem estimulado novas formas de pensar e de consumir, e o que as marcas podem fazer diante disso

“Vocês estão me vendo? Meu áudio está bom?”. Essas frases nunca foram tão faladas como em 2020. A pandemia da Covid-19 e as orientações de isolamento social transformaram não apenas nossos relacionamentos interpessoais, mas também a forma como trabalhamos e consumimos. A digitalização foi acelerada, e todos precisaram se movimentar  de alguma maneira para lidar com a nova realidade.

Esse foi o tema do painel “3 grandes insights por 3 mentes provocadoras”, do CONAREC 2020. Confira um panorama do que foi abordado.

A importância das emoções

“O Mundo VUCA deixou de ser um conceito e passou a ser praticado.” É o que diz Natanael Sena, Chief Storyteller Officer da (in)Senna. Segundo ele, a compressão do tempo entre uma revolução industrial e outra fez com que reaprendêssemos  a caminhar de forma muito mais digital. “O passado do trabalho era usar as mãos para construir algo. O presente é usar a nossa inteligência para estabelecer processos e métodos para que cada vez menos a gente use as nossas mãos. E o futuro é a gente conseguir criar conexões emocionais com os nossos públicos para que eles nos comprem a partir do momento em que todo mundo fala tudo”, diz.

Em 2023, 5,3 bilhões de pessoas (66% da população mundial) terão acesso à internet. Até o fim deste ano, 82% do consumo do tráfego online será por vídeo. Mas como gerar emoção e conquistar seu público em um mundo com tanta gente acessando – e gerando – conteúdo?

Sena explica que a comunicação é cíclica: seu formato muda, mas a necessidade permanece, e que as narrativas têm o poder de liberar substâncias químicas que nos fazem sentir prazer, alegria ou rejeição. Por isso, o segredo para gerar conteúdo relevante está no storytelling, que é a arte de contar histórias.

“Quanto mais emocionalmente estamos ligados com algo, menos críticos e observadores nós estamos. Conseguir gerar conexão com o seu público, envolvendo-o emocionalmente, fará com que a sua venda não seja uma venda, mas de fato uma compra, porque você gerou valor antes de gerar a própria necessidade”.

Para ele, as palavras de ordem daqui pra frente serão “emoção” e “adaptação”. “Qual o nosso futuro? Como criamos uma sociedade de realização? Desenvolvendo habilidades emocionais que vão fortalecer nossas relações no trabalho, fazendo com que a gente se torne relevante, independente da geração com que a gente tenha que lidar.”

Criando futuros desejáveis

O partner e Head of Business Development do Echos Innovation Lab em Portugal, Mario Rosa, foi o segundo a se apresentar no painel, e trouxe um questionamento sobre os futuros que estamos criando. Segundo ele, vivemos hoje uma disputa entre grandes impérios: as empresas de tecnologia e os governos. Mas, será que o futuro que eles estão criando para nós é o melhor, o desejável, o que abrange o maior número de pessoas? O que temos feito para deixarmos de ser meros espectadores e assumirmos o protagonismo dessa construção?

Em sua apresentação, Rosa explicou as diferenças entre as três áreas de pensamento de futuro. São elas:

  • Futuro Preditivo: segue uma linha de pensamento linear, pautada no próprio indivíduo, sem olhar para fora, fazendo  com que as tecnologias sejam criadas com vieses humanos. “O ser humano não costuma ser muito bom em previsões, e isso é algo bom. O futuro é sempre uma possibilidade, não uma previsão, e por isso temos possibilidade de criar novos caminhos”, diz.
  • Futuro Especulativo: essa linha nos ajuda a imaginar diferentes possibilidades de futuro. “Tendemos a pensar nas especulações do futuro com base na tecnologia, desconsiderando questões éticas, da sociedade, do ser humano. A ficção científica é uma grande aliada das especulações para construção de futuros altamente distópicos”, explica Rosa. Para ele, o primeiro passo para construir especulações de futuros desejáveis é nos desprender de narrativas que já estão impregnadas na nossa cabeça, já que o papel do design especulativo é criar novas possibilidades de construção de futuro.
  • Futuro Intencional: Rosa diz que a intenção é um componente fundamental do design, e é capaz de estimular a criação de novas tecnologias para que se chegue aos lugares desejados. Como exemplo, ele cita a cidade de Estocolmo, na Suécia, que se propôs a ser a cidade mais inteligente do mundo em 2040. Para isso, envolveu Prefeitura, crianças e empresas para gerar novas ideias de soluções digitais e discussões sobre como é uma cidade inteligente, com o objetivo de criar o futuro desejável. “Isso é fundamental para que não se crie um futuro para poucas pessoas, como acontece atualmente”, ressalta.

Rosa aponta alguns passos para a criação dos futuros desejáveis. O primeiro deles é pensar a partir das pessoas, não da tecnologia. Os futuros desejáveis também precisam ser criados de forma intencional e não-linear, abrangendo possibilidades à medida que elas surgem. Por fim, é fundamental levar em conta a evolução da ética e da diversidade, para que não perpetuemos as mesmas narrativas e fiquemos presos ao que já conhecemos, com poucas possibilidades de melhoria. “Inovação é o futuro desejável acontecendo agora. Temos tempo de consertar o futuro, mas é preciso fazer isso já”, alerta.

O vácuo na comunicação com o público sênior

23% da população brasileira – nada menos que 54 milhões de pessoas – têm mais 49 anos. Em 10 anos, o número de pessoas nessa faixa etária será similar ao da população com até 30 anos. Foi com esses números que Luiz Fernando Garcia, sócio da Nextt 49+ Inovação em Negócios, começou sua apresentação.

As estatística são reflexo de um fenômeno que acontece no mundo inteiro: a longevidade. Mas apesar de o planeta ter cada vez mais pessoas mais velhas, produtivas e com poder econômico, esse mercado ainda é praticamente invisível.

Em sua apresentação, Garcia destacou que o ambiente de trabalho é o primeiro lugar onde se evidencia o distanciamento geracional, já que o envelhecimento é frequentemente associado à perda de vitalidade e produtividade. “Nove em cada 10 empresas brasileiras acreditam que pessoas mais velhas têm equilíbrio emocional maior e fazem falta em seus times, mas apenas 11% têm programas de contratação de profissionais maduros”, diz.

A construção de times mais diversos, segundo ele, é fundamental para que as empresas enxerguem novas formas de comunicação e novas possibilidades de produtos e serviços. “A comunicação e o marketing sempre olharam muito para a juventude, e depois se voltaram para extrema juventude. As pessoas com mais de 50 anos são responsáveis por 42% da renda nacional e injetam R$ 1,8 trilhões por ano na economia. E as marcas não falam com elas”, destaca.

Segundo ele, esse público é composto por grupos bastante heterogêneos, mas tem algumas características em comum: são pessoas influentes, práticas, que buscam conforto e exigem uma curadoria de melhor qualidade, com linguagem específica. Os números não mentem: 77% não se identificam com as campanhas publicitárias, e 87% gostariam de ser mais ouvidos pelas empresas, o que indica uma grande oportunidade de mercado.

“Em tempos de isolamento social, o público sênior passou a ser mais presente no ambiente digital, que se tornou uma opção para a necessidade de socialização. O universo sênior se transformou e o mercado não viu. Quem souber olhar primeiro para isso vai fazer diferença no mundo. Falando direito com esse público, as chances de sucesso são enormes”, conclui.


+ CONAREC 2020 

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