Unicórnios que não dão lucro: Até onde o modelo é sustentável?

Célio Oliveira, Investor Relations na Bossa Nova Investimentos, afirma que “O intangível é o componente que tem mais valor em uma startup”

A instabilidade nunca esteve tão presente no cotidiano das empresas e dos consumidores. Com o fechamento das lojas físicas durante a pandemia, por exemplo, muitas empresas tiveram de se reinventar no relacionamento com o cliente. Diante desse cenário, a sustentabilidade e a consolidação das organizações se tornaram – ainda mais – o centro das atenções.

Isso nos leva a pensar nas empresas consideradas unicórnios mas que, até hoje, ainda não deram lucro. Em um momento tão incerto e volátil, como anda o campo de investimentos em startups? O tema foi abordado por Célio Oliveira, Investor Relations na Bossa Nova Investimentos, no painel “A economia do intangível: Até onde é sustentável um sistema de unicórnios que não dão lucro?” durante o CONAREC 2020.

O valor do intangível

O termo “Unicórnio” designa startups que possuem avaliação de preço de mercado no valor de mais de 1 bilhão de dólares. Porém, mesmo que muito valiosas, algumas dessas startups ainda não dão lucro. Por que, então, investir nelas?

Célio Oliveira levanta o ponto do enfraquecimento dos negócios por causa da pandemia do novo coronavírus, que criou um dilema. “A Covid-19 fez acelerar o processo de racionalização do investimento. Temos casos suscetíveis de investimentos em unicórnios que acabaram tendo que ser revistos. O que estamos vendo é um descompasso no crescimento desenfreado a qualquer custo”, explica. Mas o investidor pondera: “O intangível é o componente que tem mais valor em uma startup”.

Por isso, antes de qualquer decisão de investimento, é necessário entender o grau de sustentabilidade da startup em questão. Célio levanta dois pontos importantes: a importância do que é oferecido dentro de um contexto e a possibilidade de um “atalho digital”.

No atual cenário de busca por transformação digital veloz, empresas com grande potencial aquisitivo estão vendo nas startups uma oportunidade de investimento para o que Célio define como “atalho digital”. “Algumas empresas estão percebendo que não há tempo pra criar um leap do zero e esperar os resultados de um movimento de inovação para daqui 6, 9, 12, 18 meses. O momento é outro. Precisa-se de velocidade e agilidade, logo, quem tem capital está comprando startups, está ganhando tempo”, explica.

“Cada vez mais os sistemas estão integrados. Antes se tinha uma dificuldade enorme em fazer integrações sistêmicas, hoje tudo é ‘plugável’, e isso facilita as integrações, as interfaces, as comunicações que agregam um valor muito grande de investimentos e velocidade na tecnologia”, acrescenta Célio.

Por isso, o especialista avalia que, mesmo com o cenário instável de pandemia, o investimento em startups será cada vez maior, mas mais consciente. “Não acredito na sustentabilidade de unicórnios a todo custo, esse momento passou e não deve voltar. Devemos ter um investimento maior em startups de maneira racional, mais equilibrada e que traga mais retornos assertivo para os investidores”, afirma.


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