Entenda a importância do empreendedorismo periférico

Formalização de negócios dispara com a pandemia, mas empreender em áreas menos favorecidas exige ainda mais preparo

Você sabia que o Brasil é o país campeão quando o assunto é “empreendedorismo por necessidade”? É o que aponta um estudo da Global Entrepreneurship Monitor em parceria com o Sebrae, que revelou também que o interesse do brasileiro em abrir o próprio negócio aumentou de 18% em 2015 para 33% em 2019.

Crise fomenta o empreendedorismo

A pandemia do novo coronavírus acentuou essa tendência. De acordo com o Portal do Empreendedor, foram registrados 985.891 novos cadastros de Microempreendedor Individual (MEI) entre março e setembro deste ano – um aumento de 11,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em meio à crise, milhares de desempregados e de trabalhadores informais recorreram à abertura do MEI para buscar uma nova fonte de renda ou ter acesso aos benefícios trabalhistas garantidos por lei. Boa parte desses novos empreendimentos surgiu nas periferias, regiões tradicionalmente mais afetadas pelas crises econômicas.

Empreender em áreas periféricas não costuma ser algo estruturado e acontece, frequentemente, de maneira empírica. Por necessidade, as pessoas colocam os projetos para acontecer com pouco tempo para incubação, escassez de recursos financeiros e baixa tolerância para erros. Por isso, a educação empreendedora é fundamental para que esses ecossistemas tão complexos se desenvolvam.

A sócia e head de Inovação Social da Semente Negócios, Ellen Carbonari, diz que, quando articulada a mecanismos de suporte e incentivo de agentes públicos e privados, a educação empreendedora é capaz de promover saltos de investimento, inovação, redução das desigualdades e valorização do meio ambiente. “O empreendedorismo, especialmente o social, é fundamental para a agenda de inovação social, uma agenda que busca novos arranjos produtivos para promover a vida, às pessoas, o planeta, a paz e as parcerias para a sustentabilidade. Quando pensada no contexto Brasil, essa agenda passa, necessariamente, pela potência inovadora das periferias”.

Os desafios de empreender na periferia

Fundada em 2011, a Semente Negócios surgiu com o objetivo de promover educação empreendedora em universidades, adaptando metodologias internacionais de inovação para o mercado brasileiro. Com o tempo, ampliou sua atuação, e hoje trabalha, também, com cooperativas agrícolas, startups a grandes corporações privadas.

A empresa também é parceira da Prefeitura de São Paulo no Vai Tec, programa de inovações tecnológicas voltado para a periferia. Em duas edições, o programa já acelerou 48 negócios nas regiões Sul, Leste e Norte da capital paulista. As empresas beneficiadas tiveram um aumento médio de 70% em seu faturamento. “Articular atores locais em torno do empreendedorismo é uma forma de pensar no desenvolvimento destes territórios e encontrar soluções efetivas para estes problemas a partir de uma ótica local, guiada pelo protagonismo de seus residentes”, diz Ellen.

A complexidade das desigualdades de renda, acesso e infraestrutura são alguns dos maiores desafios enfrentados pelos empreendedores nessas situações. Por isso, segundo Ellen, o empreendedorismo de impacto se torna ainda mais poderoso quando combinado a mecanismos de microfinanciamento e a novos arranjos produtivos. “Se historicamente a expectativa de resolução desses problemas passava pela figura do Estado, agora é necessário articular universidades, sociedade civil e iniciativa privada para potencializar conhecimentos e inovações locais.”

A sócia da Semente Negócios acredita que programas como o Vai Tec são capazes de ajudar empreendedores periféricos a ganhar escala nacional, promovendo narrativas de inclusão e igualdade. “A periferia é um local de muita potência, inteligência e criatividade na resolução de problemas, além de um local de relações pulsantes. Estes são alguns dos elementos necessários para construir soluções inovadoras e de alto impacto que podem transformar a realidade dos moradores e da sociedade em geral”, conclui.


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