Você tem medo de postar? Conheça o FOPO

A siga, em inglês, para Fear Of Posting On Social Media ou Fear Of Other People’s Opinion retrata um comportamento que vem aumentando à medida que a cultura do cancelamento também se impõe nas redes. Saiba mais

A pergunta do título pode parecer estranha, mas o medo de subir conteúdo nas redes sociais já tem até sigla: FOPO (fear of posting ou medo de postar, em português). E, além de estar crescendo, impulsionado pela cultura do “cancelamento”, o FOPO vem se tornando também um problema para as marcas.

Primeiro vamos à punição: o conhecido “cancelamento”. Eleito o termo do ano pelo Dicionário Macquarie, em 2019, a “cultura do cancelamento” consiste no hábito, na ação coordenada de parar de seguir perfis de marcas, celebridades e influenciadores – e impedir  que esses perfis voltem a ser seguidos até segunda ordem. O que merece o cancelamento? E mais: qual seria essa “segunda ordem”?

O castigo vai para quem tenha feito “algo errado” no mundo virtual – discursos de ódio, machismo, homofobia, transfobia ou qualquer outro comportamento que passou a não ser tolerado na ágora digital, em meio a uma sociedade que vem desconstruindo certos conceitos.

Já a nova chance diante do cancelamento, ou a “segunda ordem” para liberar a pessoa punida, só virá se o cancelado se emendar. E aí, vai do gosto dos diferentes juízes: um sincero pedido de desculpas, uma atitude que aponte para o caminho contrário ao erro… E torça para a bancada se satisfazer.

Nesse contexto, o reflexo é o medo de postar. A questão, para quem ainda duvida, é séria. Se pensarmos que as rede sociais são, hoje, palco, janela, púlpito e cadafalso, estar visado nesses locais significa perda de espaço também para vendas, publicidade, autopromoção e assim por diante. E isso, claro, atinge as marcas e seus fabricantes, que têm nas redes socais uma vitrine privilegiada: literalmente todo mundo pode te ver.

Comportamento de navegação

Segundo levantamentos de mercado, mais de 50% dos consumidores estão ativos nas redes sociais todos os dias. Uma única pessoa pode chegar a ter até cinco contas de mídia social e passar cerca de 1 hora e 40 minutos navegando nelas – essa é a média mundial. Por aqui, o Comitê Gestor da Internet no Brasil apurou que passamos 9 horas e 14 minutos todos os dias na frente das telas – principalmente na do celular.

O conteúdo postado deve ser muito bem pensado. Foto: Pexels.

Embora as questões que possam levar aos tais “cancelamentos”, em geral, envolvam problemáticas sociais seríssimas, não cair em armadilhas (ou até mesmo evitar um mau passo) é mais simples do que se imagina. Uma das primeiras lições é aprender que o conteúdo que você vai postar (ou compartilhar) está vinculado à sua marca ou à sua figura pública. Logo, ele não necessariamente deve ser o mesmo que você subiria no seu feed pessoal (que pode ser privado) ou em uma conversa com seus amigos próximos. Convém, inclusive, que contas pessoais e de marca ou profissionais sejam coisas bastante separadas. Portanto, uma saída imediata é passar uma boa peneira nas suas verdades pessoais e nas causas que te interessem para avaliar  quais merecem (se merecem) virar Branded Content.

Sintonia com seu público

Na dúvida, conte com seus próprios seguidores para decidir. Qual o perfil dos seus clientes e/ou seguidores? Uma vez tendo reunido pistas o suficiente, ajuda se você criar uma persona, uma voz, para sua marca ou para a imagem que você quer construir. Depois, passe a produzir conteúdo pensando nessa voz. É uma forma de garantir que todas as bolas que você levantar vão interessar às pessoas certas. O post certo na hora certa.

Outra forma de caminhar com mais confiança e escapar do FOPO no terreno das redes é acertar no timing. Criar um “calendário editorial” para o negócio/conta, tendo seus clientes/seguidores em mente, ajuda a ver a comunicação macro que se quer passar. Esse recurso é usado por blogueiros, editores de conteúdo, empresas e demais organizações que tenham presença digital para controlar a publicação de conteúdo em diferentes mídias.

O benefício é duplo. Por um lado, é possível pensar em eventos e novidades, tendo as postagens entre os critérios para escolher datas, mídias (vídeo, foto, peça gráfica). Por outro, a programação de postagens para cumprir o calendário ajuda a conseguir tempo e espaço para pensar bem no que se irá postar. O que consequentemente diminui a margem de um “post bomba” impensado.

Aqui, o FOPO pode ser aplacado com a criação de um conteúdo vinculado aos objetivos do seu negócio. E acredite: salvo se você estiver na ilegalidade, ninguém vai te “cancelar” porque está tentando vender roupas durante a pandemia. Podem até te questionar, mas o bom senso vai ganhar no final. E, mais uma vez, vença o “medo de postar” produzindo bons vídeos (não necessariamente caros), imagens ou tags que falem ao seu público. O conteúdo planejado – um post pensado e construído com calma e responsabilidade – será notado e bem-vindo.


+ Notícias 

Anormalidade como regra ou normalidade desregrada?

Será que você está a um passo da Síndrome de Burnout?






ASSINE NOSSA NEWSLETTER

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

CM 256: Os vencedores do Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente

CM 255: Tudo o que você precisa saber sobre o consumidor na pandemia

Você já conhece as Identidades do consumidor?

VEJA MAIS