E-commerce: presente e futuro

Pandemia do novo coronavírus impulsionou as vendas online ao redor do mundo e trouxe novos desafios para os varejistas

As orientações de isolamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus impulsionaram o comércio eletrônico ao redor do mundo. Sem poder sair de casa, as pessoas precisaram mudar seus hábitos de consumo, e as compras pela internet ganharam força como nunca. Nos Estados Unidos, a expectativa é que e-commerce cresça mais de 30% em 2020, atingindo um patamar que era esperado apenas para 2022.

No Brasil, a situação não é diferente. De acordo com a pesquisa Perfil do E-Commerce Brasileiro, realizada pelo PayPal Brasil em parceria com a BigData Corp, a expansão do e-commerce no País deve fechar o ano em 40,7%. O número de lojas online deve ser recorde, chegando a 1,3 milhão.

Grandes varejistas ganham ainda mais espaço nos EUA

O crescimento de 32,4% do e-commerce nos EUA é muito maior do que os 18% inicialmente previstos, já que os consumidores seguem optando por compras online, mesmo com a flexibilização da quarentena. As vendas do comércio eletrônico serão responsáveis por 14,4% dos gastos no varejo norte-americano este ano, com previsão de chegar a 19,2% em 2024.

De acordo com o analista da eMarketer Andrew Lipsman, apesar de o crescimento ter sido impulsionado principalmente pelas categorias essenciais, como supermercado, outras como eletrônicos e móveis para a casa também se beneficiaram com as mudanças no estilo de vida durante o isolamento social.

A expectativa é que os 10 maiores varejistas eletrônicos dos Estados Unidos aumentem em 5% sua participação de mercado, e passem a responder por 63,2% de todas as vendas online neste ano. Entre os principais destaques, estão o crescimento de mais de 100% das vendas online da Best Buy e da Target. A participação da Amazon no mercado deve chegar a 39% este ano, consolidando sua liderança. Com 5,8% de share, o Walmart substitui o eBay este ano como o segundo maior player de comércio eletrônico dos EUA.

Comerciantes se digitalizam para acompanhar consumidor brasileiro

O Brasil segue a mesma toada. A pandemia chamou a atenção para a necessidade de digitalização das empresas, e acelerou a migração de pequenos negócios para o comércio eletrônico. Segundo o estudo do PayPal, em 2019, o percentual de e-commerces de pequeno porte, com faturamento de até R$ 250 mil por ano, era de 26,93%. Hoje, esses negócios representam quase metade das lojas online: 48,06%.

Os meios de pagamento digitais estão sendo muito mais adotados. Foto: Pexels.

O diretor de varejo e distribuição da TOTVS, Elói Assis, diz que, antes da pandemia, a participação das vendas online no varejo global era de cerca de 10%, e que a adoção do e-commerce pelos consumidores vinha crescendo gradualmente nos últimos anos. A pandemia, no entanto, mudou essa realidade. “O ano de 2020 foi marcado por uma aceleração na adoção dos meios de varejo digital. Alguns materiais indicam uma aceleração de quatro a seis anos, em relação ao que seria se estivéssemos nessa curva gradual e normal.”

Segundo ele, nos últimos meses, a empresa sentiu o aumento na demanda por soluções para o varejo digital. “A gente está tendo uma adoção de meios de pagamento digitais e de novas modalidades de comércio eletrônico, porque o consumidor agora está com uma cabeça diferente. Esse novo patamar de adoção do digital, mesmo no pós-pandemia, ele vai ser o novo baseline. Mesmo depois que as lojas físicas voltarem ao funcionamento pleno, as pessoas vão concluir que preferem comprar alguns produtos online”, diz.

Para 2021, Assis aposta em duas grandes tendências no varejo. A primeira é a consolidação dos meios de pagamento digitais, que devem ganhar ainda mais força com a chegada do PIX, ferramenta que vai reduzir riscos para os varejistas. A segunda tendência para o ano que vem, segundo ele, é a policanalidade no varejo. “A gente já fala de omnicanalidade há cerca de cinco ou seis anos, mas ela se resume, em grande parte, a dois canais: o online e o offline. Quando falamos em policanalidade, pensamos além da bicanalidade, em mais canais. O online se expande para redes sociais também, e em algum momento, os varejistas vão precisar lidar com essa complexidade toda”.

De acordo com o estudo do Paypal, muitos varejistas já estão de olho nessa tendência: sete em cada 10 lojas online são adeptas das redes sociais, sendo o Facebook a mais popular entre elas (presente em 54,18% dos comércios eletrônicos do país).


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