Insights de marketing digital da série “Emily in Paris”

Apesar dos personagens-clichê e do roteiro altamente inverossímil, a série da Netflix mostra como as redes sociais se tornaram fundamentais para a imagem e o branding de qualquer marca – seja ela um restaurante, uma grife de luxo ou até uma vinícola

Já se pode dizer que a série “Emily In Paris” é um dos sucessos recentes da plataforma Netflix. Com quase 1 milhão de seguidores em sua conta oficial no Instagram, inúmeras matérias a respeito publicadas e buzz nas redes sociais (vale lembrar que o canal de streaming não divulga números oficiais de audiência), a série está com a segunda temporada garantida e conquistou muitos fãs – ainda que cause em certa parte do público uma mistura de vontade de “maratonar” com vontade de criticar, tudo ao mesmo tempo.

Isso porque a trama está repleta de clichês, que vão desde as tomadas da Paris belíssima, passando pelos outfits de grife e chegando na maneira caricata de como são retratados os personagens, em especial os franceses. Os encontros amorosos e as relações interpessoais de trabalho também não escapam desse roteiro bem batido. Quem atua nesse mercado sabe que não se resolve nada do dia para a noite, com um clique no celular ou sem, minimamente, apresentar resultados para o cliente antes de se propor coisas como… Colocar uma cama para as pessoas dormirem dentro do Museu do Louvre.

Existe, porém, algo a mais neste seriado além do mix de “Sex and the Ciy” com “O Diabo Veste Prada”. Há insights sobre marketing digital. A história começa quando Emily Cooper (protagonista interpretada pela jovem atriz Lily Collins) milagrosamente vai ocupar a vaga destinada à sua chefe em uma agência de marketing e PR de luxo localizada em Paris. Mesmo sem falar o idioma (ela nunca saiu de Chicago, cidade norte-americana de onde veio), vai trilhando seu caminho muito por conta do desempenho que consegue usando as redes sociais a seu favor nas ações que coordena. Esta área, sim, ela domina muito mais do que o francês ou as gafes de diferenças culturais que comete. Para entender melhor que insights de marketing digital são esses, acompanhe o Top 5 abaixo.

O pensamento do nativo digital

O trunfo de Emily em seu novo trabalho é, justamente, o fato de pensar em ações de marketing sempre focadas em redes sociais. Para ela, esse é o começo e o fim de tudo. E ela explora a máxima de “se não está no Instagram, não aconteceu” como ninguém. Depois desta série, vai parecer mais glamouroso trabalhar na área – o que, vamos combinar, está bem longe dos vestidos pomposos e blusas com logo da Chanel que a moça desfila.

Colocada dentro de uma agência de PR e marketing aparentemente convencional, as ideias que ela sugere parecem “fora da caixa”. Existem vários momentos da trama em que seus colegas de trabalho pensam em saídas caretas para promover os clientes, enquanto Emily diz coisas como trocar o uso de modelos por pessoas reais nas ações; consultar o público numa enquete aberta sobre que decisões a marca deve tomar; ou abraçar um episódio de mentions ruins nas redes e transformá-lo em algo bom. Claro que os acontecimentos vão se resolvendo de forma milagrosamente fácil, mas Emily sempre, colada em seu telefone com capinha de máquina fotográfica, não perde um momento e ora posta o clique em suas redes próprias, ora posta na de seus clientes.

Bom dia, centennial

Quantos anos têm Emily? Difícil dizer, mas o certo é: ela é uma integrante da Gen Z (que engloba pessoas abaixo dos 25 anos). A geração que sucederá os millennials no mercado de trabalho se comporta, em geral, de maneira imediatista, arrojada, costuma não levar desaforo para casa, é curiosa e, como já foi dito acima, nativa do digital, pois passou a adolescência em um mundo onde a internet existia.

Os insights de marketing trazidos por ela refletem essa combinação – em especial porque tem atitudes fora das “regras”. Ela burla os métodos do escritório o tempo todo, causando enfrentamento com sua chefe direta. O espectador acompanha o ônus e o bônus de se ter uma centennial na equipe que, por um lado, tem jogo de cintura para lidar com as crises que aparecem, é flexível e efusiva, mas por outro não consegue enxergar ou respeitar a noção de hierarquia.

Considere o mercado chinês

Não é à toa que uma das melhores amigas da protagonista é uma jovem chinesa vinda de uma família rica de Xangai: quem quer mercado precisa conversar com a China. E a presença desses personagens na série acompanha a mudança global em relação ao país que só cresce nos últimos 20 anos e é um dos que mais possui bilionários no planeta.

A personagem Mindy Chen (interpretada por Ashley Park) é a ponte de contato entre ocidente e a China. Através dela, chegam as amigas milionárias para curtir uma despedida de solteiro na cidade, todas glamourosas e com vontade de gastar. Grandes magazines parisienses têm, inclusive, unidades especialmente criadas para atender a esse público – com toda uma comunicação própria. Se seu projeto é explorar águas internacionais, inclusive digitalmente, não há como desconsiderar a China.

Em uma de suas campanhas, Emily colocou uma cama no meio da cidade de Paris. Foto: Reprodução.

Falou em collabs?

Esse insight nem é dos mais recentes – grandes marcas já fazem isso há algum tempo. Mas em uma realidade que está em constante transformação, como a nossa, a ação colaborativa entre duas empresas costuma ser um jogo de ganha-ganha para as partes e pode ser adotado independentemente do tamanho da marca. E o caminho para sacar se essa união vai ser boa começa, é claro, no digital.

Na série, Emily, a centennial cor-de-rosa, é a única do time de PR a se sair com essa ideia quando uma marca fashion francesa se vê no momento de rejuvenescer seu público. Claro que tudo deve ocorrer retratado em rede social, com LIVEs no Instagram e posts bombando. Na vida real, vale citar que Louis Vuitton e NBA (a liga de basquete americano) acabam de lançar uma coleção-cápsula para o público masculino, em uma aguardada e comentada collab.

Números não são tudo

O roteiro da série dá a entender que Emily vai ganhando seguidores em seu próprio perfil pessoal no Instagram conforme vai postando mais sobre sua vida em Paris. A ponto de ser convidada para um evento em que é vista como influenciadora. Quando se trata de resultado na influência, a série acerta em reforçar a lição de que os números não são tudo. No tal evento, Emily acaba notada pela dona da marca, enquanto outra influencer (que age de forma extremamente caricata) grita ter mais de 1 milhão de seguidores.

De uma forma um pouco “torta”, a mensagem aqui é aquela que vem sendo difundida por bureau de análise de mercado de influência e de conteúdo digital: a qualidade é mais importante do que a quantidade e a micro-influência vale mais para continuar a conversa quando o assunto é consumo. É  a “conversa” autêntica com seus seguidores que vale. Mas há uma crítica aqui: Emily não faz nada de diferente com suas selfies para ter um aumento grande de seguidores em tão pouco tempo (na narrativa da série, claro). Talvez seja o caso de considerar Paris como o grande centro de interesse dos followers – e não exatamente ela.


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