Investimentos em empresas de saúde ganham força e democratização é tendência

Relatório da CB Insights traz resultados do terceiro trimestre para o setor, que foi fortemente impactado pela pandemia da Covid-19

Este foi um ano atípico para o mundo dos negócios. Em 2020, a pandemia do novo coronavírus derrubou previsões de crescimento de vários mercados ao redor do mundo, e obrigou as empresas a se reinventar. Alguns setores, no entanto, cresceram nesse contexto: em uma crise sanitária, como já era de se esperar, as empresas de saúde estão recebendo mais investimentos do que nunca.

Uma pesquisa da CB Insights traz um panorama global do setor no terceiro trimestre e mostra como os caminhos tomados por ele durante a pandemia podem mudar o futuro da saúde.

Investimento global bate novo recorde

Esse talvez seja o principal destaque do levantamento. As empresas privadas de saúde alcançaram um novo recorde trimestral de US$ 21,8 bilhões de dólares em financiamento. Ao todo, foram 1.539 investimentos de capital no período, um crescimento de 18% em relação ao trimestre anterior.

As maiores altas em financiamento foram registradas em empresas sediadas na América do Norte, que arrecadaram US$ 12,9 bilhões (21% a mais em relação ao 2º trimestre de 20), e na Ásia. As companhias asiáticas levantaram mais de US$ 6 bilhões, um aumento de 20% na comparação com o trimestre anterior. O resultado se deve, em parte, ao número recorde de mega-rodadas (acima de US$ 100 milhões) nos EUA e na China: foram 48, no total.

Cinco novas empresas passaram a integrar a lista de unicórnios na área da saúde, que agora conta com 41 organizações ao redor do mundo. Juntas, elas são avaliadas em U$102 bilhões. Nenhum desses unicórnios, no entanto, está localizado na América do Sul.

O financiamento de negócios digitais de saúde também bateu novos recordes: foram US$ 8,4 bilhões investidos no terceiro trimestre, um crescimento de 73%. O número de novos negócios chegou a 502, o que representa um aumento de 8% em relação ao trimestre anterior. A região metropolitana de Nova York, uma das mais atingidas nos EUA pela pandemia, manteve sua liderança no mercado de negócios de saúde digitais pelo terceiro trimestre consecutivo, batendo polos importantes como Boston e Vale do Silício.

A telemedicina ajuda na busca pela democratização do acesso à saúde privada. Foto ilustrativa: Pexels.

Democratização da saúde

O relatório da CB Insights apontou também algumas tendências que puderam ser observadas nos últimos três meses, como o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de softwares para clientes de saúde ou de produtos para o mercado de saúde. As startups do segmento arrecadaram mais de US$ 2 bilhões no terceiro trimestre, um recorde que representou um aumento trimestral de 37%.

As mega-rodadas também impulsionaram o financiamento de planos de saúde e gerenciamento de benefícios, que chegou a quase US$ 12 bilhão. Chama a atenção o interesse crescente por empresas que buscam democratizar o acesso à saúde privada, oferecendo uma rede de cobertura abrangente a preços mais competitivos.

A Dandelin, plataforma brasileira que conecta médicos e pacientes, oferecendo consultas ilimitadas por um valor máximo mensal, sentiu “na pele” os efeitos da pandemia. “A expansão da telemedicina nos ajudou a abrir outros mercados mais rapidamente. Temos uma rede de médicos muito forte em São Paulo, mas com isso pudemos passar a oferecer cuidados médicos a quem precisasse, não importa onde”, diz o CEO Felipe Burattini. Atualmente, a empresa conta com mais de quatro mil pacientes em sua base e quase 900 profissionais da saúde de mais de 60 especialidades.

Segundo Burattini, a democratização do acesso à saúde vai além da questão financeira. “A grandessíssima maioria da força médica e dos grandes nomes da medicina no Brasil está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Em muitas cidades afastadas das grandes capitais, é quase impossível ter acesso a hospitais e clínicas no momento que quiser ou que precisar, independentemente dos recursos que se tenha. Parte desse problema está sendo resolvido com a telemedicina, que é recente no Brasil, mas já funciona regularmente em muitos outros países”, diz.

Novo foco

O financiamento de empresas que fabricam dispositivos médicos para diagnóstico, monitoramento, prevenção ou tratamento de doenças atingiu um novo recorde: foram mais de US$ 5 bilhões arrecadados em 478 ofertas. Um dos destaques foi a americana Medtronic, que fez investimentos e aquisições importantes no período, especialmente em soluções voltadas para diabetes e neurocirurgia.

Em meio à pandemia da Covid-19, o financiamento para a tecnologia de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos disparou. Foram 38 negócios e quase US$ 1,5 bilhão em financiamento. Destaque para a rodada de US$ 319 milhões da XtalPi, e de US$ 176 milhões da Taimei Technology.

A saúde da mulher é outra área que parece promissora: o financiamento cresceu 139% no trimestre, e o volume de negócios bateu recorde. Foram 68, um aumento de 17% em relação ao período anterior.

Por fim, a quarentena também fez aumentar o interesse dos investidores pelos negócios de saúde mental, que registraram recorde no volume de negócios. “A pandemia fez com que os avanços tecnológicos no mercado de saúde caminhassem com uma velocidade muito maior. Mas além desses avanços tecnológicos, acho que a principal mudança foi no mindset da população, de como enxergamos e entendemos saúde. Vimos um crescimento grande na busca por psiquiatras e psicólogos, grande indicativo de que a população brasileira começou a levar saúde mental mais a sério”, diz Burattini. O financiamento, no entanto, caiu pelo segundo trimestre consecutivo, ficando em US$ 417 milhões.


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