Como a forma de liderar vai transformar o século 21

Liderar é a palavra do futuro, não liderança. É o que diz Nancy Giordano, uma das maiores futuristas do mundo, em um artigo exclusivo ao Consumidor Moderno

“A tua falsa pequenez não ajuda o mundo em nada”
Marianne Williamson

Estamos em um momento extraordinário em que velhos sistemas, abordagens, filosofias e, cada vez mais, inclusive instituições também estão se rompendo; e o que é novo —  e provavelmente será muito diferente —  ainda está sendo criado. São muitos caminhos possíveis; este é o momento de intervir e intensificar. Ninguém pode ficar à margem durante a gênese de um novo mundo.

O espaço de transição

É difícil imaginar como será, mas podemos nos certificar de que o futuro será diferente da maneira como as coisas funcionam atualmente. O exponencial crescimento de tecnologias como Inteligência Artificial, Robótica, Bioengenharia têm remodelado o mercado, as relações de trabalho e, consequentemente, a sociedade. Os avanços tecnológicos e os colapsos sociais estão nos forçando a mudar radicalmente nosso modus operandi.

Costumo chamar esse espaço nebuloso entre o presente e o futuro de “o espaço de transição”. Navegar com sucesso neste espaço desconhecido requer uma mudança em como pensar e como se comportar. É preciso modificar o obsoleto conceito de Leadership (em tradução livre, Liderança), transformando-o em práticas responsivas, que descrevo como Leadering (em tradução livre, Liderando ou, de maneira mais clara para o leitor, Liderar).

A Primeira Revolução da Produtividade (1PR)

Muito se fala sobre liderança econômica, e é comum escutarmos que, nesse sentido, estamos apenas 1% avançados. Embora o senso comum diga que estamos nos aproximando da Quarta Revolução Industrial, estamos na verdade enveredando para uma era de “sistemas ciberfísicos”, no qual os produtos ao nosso redor estão imbuídos de mecanismos para capturar, controlar ou monitorar comportamentos para melhorar experiências dos consumidores.

Esta evolução tecnológica não apenas nos concederá rapidez nos processos, ela também não se restringe a barateamento de custos: ela mudará a forma como criamos valor, trocamos bens e serviços, e coordenamos e nos comunicamos uns com os outros; até mesmo nossas estruturas culturais e estilos de vida serão modificados de forma sem precedentes.

Using the word “industrial” to describe a digital future is part of the outdated mindset we need to change. As we are moving away from a society of manufacturing and consumption to one of innovation and regenerative value exchange, I offer the “First Productivity Revolution” (1PR) as the more accurate description. One that will put us on a much steadier, more inclusive and sustainable path.

Dessa forma, usar a palavra “industrial” para descrever um futuro digital ilustra como nossa mentalidade, de forma geral, está desatualizada — precisamos mudá-la. Já que estamos nos afastando de um modelo de sociedade baseado em manufatura e consumo para uma sociedade de inovação e troca de valor regenerativo, trago uma denominação mais precisa: “Primeira Revolução da Produtividade” (1PR). Uma revolução que nos colocará em um caminho de estabilidade, inclusão e sustentabilidade.

Projetando o futuro ideal

Ao passo que observamos mudanças sucessivas, a maioria das práticas, abordagens e táticas que funcionaram no passado deixam de ser eficazes. Analisando de forma crítica, as estruturas centralizadas, isoladas e hierárquicas que, no século 20, foram usadas para trazer estabilidade, no século 21 muitas vezes as que culminam em vulnerabilidade.

Este momento que estamos vivenciando representa uma grande oportunidade para redesenhar e reconstruir estruturas que atendam melhor às pessoas. E se pudéssemos tornar nossos recursos mas abundantes, acessíveis e regenerativos? Para que isso seja possível, precisamos construir e cultivar mentalidades e habilidades que possibilitem tomadas de decisão mais rápidas e humanas.

Ao colocarmos as pessoas no centro das prioridades, focamos nossa visão na contribuição que podemos dar e no valor que podemos criar de maneira exclusiva. Assim, as próximas etapas tornam-se claras: somos capazes de projetar os sistemas, produtos e algoritmos que atenderão aos desafios que virão e garantirão o sucesso dos negócios e da sociedade — a curto e longo prazo. Isso é liderar.

Alguns líderes já estão se adaptando, mas ainda há muito por fazer. Por mais brilhante que o futuro possa ser, é natural que haja medo e preocupação de sermos deixados para trás. Cuidar dos outros, tanto a curto como a longo prazo, não é uma ação filantrópica. É o motor do sucesso do século 21. Eu realmente acredito que, transformando nossa narrativa destrutiva para uma de prosperidade, podemos acelerar nosso progresso.

Mude seu mindset, mude o mundo

Pode parecer irrelevante, mas o passo mais crucial para a construção de um futuro próspero é adotar uma mentalidade que lhe permita abraçar a oportunidade e reconhecer seu poder para agir. Essa mudança pode ter um impacto enorme em como você se orienta em direção ao futuro e garante que sua organização navegue com confiança —  e até mesmo com entusiasmo — adiante. Especificamente, precisamos mudar nossas mentalidades para:

Sonhar (e não só resistir): É hora de abordar o futuro com um senso de admiração e curiosidade. Devemos resistir ao impulso de negar ou descartar aquilo que desafia nossos entendimentos, abordagens ou crenças atuais.

Navegar (e não só reproduzir): Conforme ingressamos no que parece ser um estado de ambiguidade permanente, o papel da liderança muda e passamos a precisar, principalmente, tomar decisões assertivas. Não é mais suficiente reproduzir práticas antigas para garantir uma entrega eficiente e consistente. Em um ambiente que exige inovação constante e entrega sob demanda, devemos desenvolver a capacidade de adaptação, projeção, experimentação renovação e colaboração.

Contribuir (e não só extrair): Não é mais sustentável simplesmente extrair recursos — seja tempo, energia, trabalho, atenção ou materiais —  para o benefício de um pequeno número de investidores ou acionistas. O sucesso futuro dos negócios dependerá da contribuição de valor para um conjunto muito mais amplo de partes interessadas. Isso se aplica tanto à sociedade atual quanto à futura.

Conectar (e não isolar): A mudança agora acontece de forma tão veloz que nenhum indivíduo ou organização terá capacidade para construir novos caminhos sozinho. Precisamos lograr forças e recursos tanto de equipes internas quanto de parceiros externos, bem como garantir a harmonia dentro dos ambientes dos quais fazemos parte.

Ser audacioso (e não só agregador): Como todos os ambientes cívicos e de negócios estão sendo redesenhados, estar disposto a ser ousado e inventivo pode impulsionar a contribuição da sua organização até mesmo para o planeta. Focar apenas em ações protocolares é o beijo da morte.

Prosperar (e não morrer):  A sobrevivência não é garantida, e a longevidade também não é uma desculpa — muitas das maiores e mais antigas organizações estão se adaptando corajosamente ao futuro. Aproveitando novos e potentes recursos e tecnologias, podemos garantir que todos prosperemos: com acesso a uma moradia digna, alimentação saudável e educação contínua. Que nossas habilidades e curiosidades únicas sejam cultivadas e sejam indispensáveis. Que criemos tecnologias que atendem tanto a sociedade atual quanto as gerações futuras.

Em suma, para construirmos o futuro que desejamos, precisamos cultivar a mentalidade de que é necessário mudar nosso mindset, substituindo a liderança, um substantivo estático, pelo verbo dinâmico que é liderar. Não podemos mais nos guiar pelo mapa desatualizado. Precisamos nos orientar por uma bússola e por estrelas motivadoras. Devemos enveredar nossas estruturas organizacionais para caminhos mais colaborativos e responsivos; recentemente moldado para aproveitar o potencial de um futuro altamente digital, de maneiras muito mais humanas e cuidadosas. Devemos nos mover mais rápido, ao mesmo tempo em que consideramos nosso impacto nas gerações futuras.


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