Diane Von Fürstenberg diz que agora é a hora para as marcas serem realmente relevantes

Designer criadora da DVF fala sobre sua parceria com a C&A, comenta o impacto da pandemia no mercado fashion e diz que veste mulheres poderosas

Diane Von Fürstenberg dispensa apresentações por sua importância na moda mundial. Para quem ainda não conhece tão bem a trajetória da economista e designer de origem belga, naturalizada norte-americana, vale dizer que ela é a criadora da DVF, grife de luxo que produz roupas para as “women in charge”, como define a própria Diane. Ou seja, ela mesma, uma empresária de sucesso, aposta no poder das mulheres e, para isso, desenha peças para aquelas que estão no comando de suas vidas.

Peça fruto da collab entre C&A e DFV. Foto: Divulgação.

Agora, durante a pandemia, de olho em ampliar o público consumidor, a DVF faz sua primeira collab no fast fashion ao se unir com a gigante do varejo C&A para lançar uma coleção-cápsula com peças-chave de seu portfólio (macacões, caftãs, vestidos e acessórios têm preços médios de R$200). As 41 peças estarão disponíveis para clientes do grupo de relacionamento C&A&VC no dia 27 de outubro, e nos dias 29 e 30 de outubro, respectivamente, no aplicativo e site. As lojas físicas recebem as roupas a partir de 3 de novembro. A ação reforça também o posicionamento da C&A em incorporar temas caros ao atual momento social – como diversidade, body positive e, claro, empoderamento feminino.

Este último, principalmente, levou a parceria das duas marcas, que entendem a importância de ter um propósito para conquistar longevidade. Em entrevista à Consumidor Moderno, Diane deixa isso bem claro: “Para mim o foco é sempre a mulher, sabe? Eu desenho para mulheres no comando. A arte de vestir é sobre ajudar as mulheres a serem confiantes, se sentirem fortes e estarem no comando”.

Na conversa, Diane Von Fürstenberg também falou sobre a sua visão de negócios, o impacto da pandemia no mercado de luxo e, claro, o que esperar da parceria com a C&A. Acompanhe a entrevista completa abaixo:

Consumidor Moderno: A DVF é uma grife mundialmente conhecida por vestir mulheres sofisticadas, que controlam suas próprias vidas. Por que decidiu fazer essa parceria com a C&A no Brasil e levar suas criações para outro público?

Diane Von Füstenberg: A C&A veio até mim e, como você sabe, minha relação com o Brasil é grande. Eu tenho uma loja linda no Shopping Iguatemi há muitos anos, já colaborei para joias da H.Stern, eu amo o Brasil e as mulheres brasileiras. Nós vimos que seria uma excelente oportunidade para expandir nosso público e passar a mensagem dos nossos produtos para uma base de consumidores maior. É uma colaboração, isso significa que terá começo e fim, então recomendo que as pessoas fiquem alertas para isso.

CM: O mercado da moda foi um dos que mais sofreu com as mudanças de vida trazidas pela pandemia da Covid-19, com queda de vendas e uma revisão até mesmo do que se consome. Você sentiu isso no seu negócio?

DVF: Eu vejo que o novo coronavírus teve um impacto enorme em cada um dos negócios, em nossa sociedade, de forma geral. O mercado terá que ser entendido, definitivamente, como pré-Covid e pós-Covid e é muito difícil prever o quanto ainda vai afetar os negócios, a sociedade e tudo mais. Mas é importante compreender quais oportunidades esse cenário traz, tanto como indivíduo quanto como uma empresa. Na minha opinião, agora é a hora de pensar ‘O que é importante para mim?’, ‘O que é mais relevante para mim como pessoa e como negócio?’. É preciso se perguntar ‘Meu negócio é sustentável?’, ‘É relevante em um mundo que muda tanto?’

O que a Covid-19 fez foi acelerar mudanças que ocorreriam em cinco ou 10 anos e trazê-las para o mundo virtual. Com isso, vender online é obviamente estar onde as pessoas estão agora. A pandemia afetou todo mundo e ninguém pode prever o que vai acontecer, mas acho que é uma oportunidade para as marcas serem realmente relevantes e tentarem fazer sentido, tentarem ver como vamos viver de agora em diante. Eu, pessoalmente, sei que tenho muita sorte por morar numa casa que tem um jardim, de poder ficar por aqui para pensar em como vamos viver de agora em diante. E pensar sem se mover é algo que a gente não tem feito há um bom tempo.

CM: Uma das características da sua grife é ela se comunicar com a self-made woman, ou seja, essa mulher que trabalha e investe em sua carreira profissional, controla sua trajetória. Mulheres independentes são grande parte da população hoje, investir no poder feminino está  em alta?

DVF: Para mim o foco é sempre a mulher, sabe? Eu não fui treinada para ser uma designer, eu fui parar no mercado da moda por acidente, mas é sempre ela, a mulher, o meu público-alvo. Eu sempre desenhei vestidos os quais sabia que seriam bonitos, que você pudesse usar dentro ou fora, que não amassasse, que fossem fáceis. E foi assim que eu comecei. Cometi erros, fui bem-sucedida, fracassei, mas eu acho que o que é mais inspirador para as pessoas não é o sucesso, em si, mas os desafios. Eu sempre estive muito aberta para enfrentar meus desafios. Quando olho para trás vejo que tive uma vida intensa, colorida, com tantas experiências. Agora tenho uma voz e é importante para mim usar minha voz, minhas experiências e conexões para ajudar outras mulheres a serem quem elas desejam ser.

CM: Como você faz para sua marca alcançar também as novas gerações?

DVF: Primeiro de tudo, tenho a ajuda da minha neta mais velha, que está envolvida com meus negócios, com a marca. Ela está fazendo cursos sobre o futuro da moda e também sobre sustentabilidade. E é engraçado como há um ano esse curso teria uma relevância muito diferente da que tem hoje, por exemplo. E falando em sustentabilidade, vale citar que eu criei um modelo de vestido há 48 anos e esse mesmo modelo de vestido ainda está à venda agora. Você pode encontrá-lo, inclusive, no mercado vintage. De uma certa forma isso é sustentável também, porque não é algo que fica ultrapassado.

CM: Como a moda pode ajudar as mulheres a se tornarem mais poderosas?

DVF: Eu sabia qual era o tipo de mulher que queria ser: eu queria ser uma “mulher no comando”. Então, quando as pessoas me perguntam quem eu estou “vestindo”, costumo responder: é sempre essa mulher no comando. Estar no comando não é algo agressivo, é estar comprometida consigo mesma, é conhecer quem você mesma é, saber que suas imperfeições podem se transformar em habilidades. Para mim, a arte de vestir é sobre ajudar as mulheres a serem confiantes, se sentirem fortes e estarem no comando de suas vidas. É sobre oferecer a elas roupas que se encaixem em seu corpo, é  dar o poder de decisão para essa mulher.


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