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As relações de trabalho no Brasil pós-Covid

As relações de trabalho no Brasil pós-Covid

Novo relatório do Think With Google faz uma análise do mercado de trabalho brasileiro e reúne dados sobre home office, índices informalidade e perspectivas de futuro
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Um entendimento que virou mantra no mundo todo com a chegada da pandemia do novo coronavírus é o de que a contaminação em massa de pessoas acelerou processos que talvez demorassem ainda de 5 a 10 anos para se massificar. A adesão ao home office, muito mais por obrigatoriedade do que por vontade de empresas e funcionários é um desses fenômenos. Contudo, há mais mudanças acontecendo no mercado de trabalho, em especial o brasileiro, que é tão peculiar. Algumas dessas alterações foram mapeadas por um novo relatório do bureau Think With Google, lançado em outubro.

Para compreender os principais resultados desse raio-X da questão laboral brasileira, listamos um top com as análises do artigo. Em um momento ainda de extrema instabilidade, ela ajuda a compreender os sinais de consumidores, empregadores e do fluxo de trabalho, em geral, já antecipando o que esperar para 2021.

Home office, uma relação turbulenta

Nos dados liberados pelo Google, 7 de cada 10 trabalhadores gostaria de continuar atuando remotamente, mesmo quando a pandemia estiver mais normalizada. Os dados são da Faculdade de Economia da USP (a FEA). Mas o trabalho em casa só atingiu cerca de 20% dos brasileiros, segundo dados divulgados no relatório.

Maioria dos 20% de brasileiros que ficaram em home office preferem continuar trabalhando de casa. Foto: Pexels

Apesar da clara preferência, um outro fenômeno se verificou com a migração do ambiente profissional para dentro de casa: o excesso de horas trabalhadas. Ficou muito mais difícil colocar limite nas entregas e nas demandas de chefes ou mesmo do próprio negócio. Questões como produtividade, coordenação de equipes à distância e essa organização pessoal são os próximos passos a serem organizados nesse cenário. Como é o tema do momento, as buscas por Home Office cresceram 173% só em 2020 em vídeos no YouTube.

Torne-se digital ou morra

As vendas online foram a salvação para comércios e serviços desde que a pandemia se instalou mundo afora, mas, no Brasil, especialmente, muita gente ainda não estava preparada para isso. O resultado? Empresas tiveram que correr para consolidar de maneira mais forte sua presença no digital. Com restrições de mobilidade indo e vindo, este é um ponto onde não se tem como voltar atrás, mesmo que seja apenas como suporte para a força de trabalho no offline.

“Entre 15 e 20 milhões de brasileiros informais fizeram sua primeira transação digital justamente durante a pandemia, a partir do acesso ao auxílio federal aos atingidos pelo coronavírus”, diz o relatório do Think With Google. O maior acesso dessas pessoas antes fora do ambiente digital deu mais impulso para apps, ferramentas e todo funcionamento online.

Informalidade em alta

Em 2020, o Brasil chegou a 40,6% de informais, o que equivale a 38 milhões de trabalhadores segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua, do IBGE. Como mencionado acima, a pandemia ratificou esse processo de informalidade que já vinha sendo alto em território brasileiro (em agosto de 2019 chegou a ser de 41,4%). O atual cenário não traz previsão de mudança dessa situação.

Modelos de trabalho mais sustentáveis

O tema ganhou muito espaço nos meses de pandemia e se tornou algo que empregadores e empregados passaram a se preocupar. Sai o hype por ser workaholic, entra a busca por equilíbrio. A própria opção por se permanecer em home office segue essa trend, segundo o relatório. Saúde e bem-estar entraram no foco de atenção das pessoas e se tornaram dois temas hit de procura nas buscas online.

“As pessoas precisarão aprender a conciliar trabalho, convivência em família e lazer sob o mesmo teto, o que pode trazer impactos negativos à saúde mental e ao bem-estar”, diz o artigo. Nunca se falou tanto em doenças como burnout, ansiedade e depressão. O wellness, ainda que dentro de casa, segue em alta.

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