Conheça a plataforma brasileira de podcasts que quer concorrer com o Spotify

Lançando produções originais e remunerando criadores, a Orelo quer seu espaço em um mercado que está em franco crescimento

Talvez você seja um dos 20 milhões de brasileiros que, diariamente, escutam podcasts em algum dos aplicativos atualmente disponíveis no mercado. E talvez você desconheça que esse seu hábito ajuda a colocar o país como o segundo no mundo onde mais se consome esse tipo de conteúdo, segundo dados de pesquisa feita pelo Podcast Stats Soundbites e divulgada em 2019. O áudio está em alta – e os assistentes de voz Alexa, Siri e Google comprovam isso.

Apesar de 40% dos brasileiros pesquisados pelo Ibope já serem íntimos dos apps de áudio, outros 32% nunca ouviram falar. E quem está olhando exclusivamente para esse promissor mercado é a Orelo, plataforma brasileira de podcasts que deseja fazer seu reinado por aqui com dois grandes diferenciais: investimento em programas próprios de bastante qualidade e remuneração para criadores.

Essa segunda ação é uma grande novidade na área e vem, justamente, em um momento no qual se discute, cada vez mais, a necessidade de se pagar para consumir conteúdo relevante. “Eu acho que o mundo inteiro, hoje, está entendendo que fazer algo bom custa dinheiro. A gente tem os plays de vídeo, de música e todos eles remuneram pelo conteúdo. Por que o podcast não é remunerado da mesma forma?”, diz o jornalista Luiz Felipe Marques, ex-diretor de marketing da empresa de mobilidade urbana Grow e fundador da plataforma Orelo.

Luiz Felipe Marques, fundador da plataforma Orelo. Foto: Divulgação

A empresa ficou um ano sendo formatada por Luiz até o lançamento oficial, no final de agosto de 2020. Nem mesmo a chegada da pandemia de Covid-19 esfriou a ideia do jornalista de colocar em prática o app – que pode ser baixado gratuitamente em qualquer smartphone – e da criação de conteúdo exclusivos para atrair ainda mas ouvintes.

“A gente manteve porque, particularmente, uma empresa nova de tecnologia já consegue se virar muito bem no trabalho à distância. A gente tinha o desafio de produzir os conteúdos, antes feitos em um estúdio, com convidados. Tivemos que nos adaptar nesse sentido para fazer gravações remotas. Mas conseguimos tirar de letra com nossa equipe interna e com os seis, sete estúdios parceiros por todo Brasil. As produções continuaram em alto nível”, conta Luiz Felipe, que já tem na casa 40 programas próprios diferentes. A expectativa é chegar até 50 no final do ano.

Podcasts muito além do factual

Toda essa movimentação é garantida por investidores-anjo que acreditam no potencial da empresa e estão bancando a remuneração tanto de criadores exclusivos da plataforma – como a apresentadora e cineasta Marina Person, o jornalista Chico Felitti e o cronista Xico Sá – quanto de um time de 20 pessoas, que faz a Orelo rodar diariamente.

Luiz Felipe não abre seus números, mas conta que nesses dois meses, a quantidade de downloads aumentou exponencialmente: “O crescimento tem sido bastante o que a gente tinha apontado no business plan”, diz. A Orelo também funciona com uma assinatura mensal de R$6,90, muito menor do que a do Spotify, por exemplo, que é de quase R$17. Quem topa o preço, ainda pode destinar 30% deste valor para o seu podcast favorito dentro da plataforma como outra maneira de remunerar aquele programa que mais gosta e o creator que se dedica a fazê-lo.

Para atrair mais gente para a base de ouvintes, a Orelo investe também em conteúdos ficcionais e projetos de fazer documentários e até mesmo novelas em áudio. A ideia é ir muito além de formatos tradicionais de podcast como o mesacast (em que várias pessoas debatem sobre um tema juntas) ou os jornalísticos: “Quando se fala de produção de conteúdo no Brasil, tem uma coisa que eu, particularmente, acho que é muito nossa: essa cultura oral, vocal”, afirma Luiz Felipe. “Por exemplo, provavelmente você já ouviu muito telejornal, muita novela, sem estar com o olho na tela. Porque eles são feitos para isso, para quem não necessariamente está diante da TV. A oralidade para isso acontecer precisa ser muito boa”, completa.

Mais fácil de criar (tanto em termos de custos, quanto de quantidade de equipamentos), os podcasts são também bem mais democráticos na hora de se escutar. “É uma mídia mais democrática. Para consumir, você usa muito menos dados de internet, muito menos memória, então o áudio acaba sendo mais acessível também. A familiaridade com o áudio é legal. Acho que as pessoas se identificam bastante”, finaliza o fundador da Orelo. O projeto parece promissor. Agora resta dar o play e ouvir as cenas dos próximos capítulos.


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