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Por que o mercado pet contrariou a crise e cresceu na pandemia?

Por que o mercado pet contrariou a crise e cresceu na pandemia?

Empresas especializadas em artigos para animais veem seu faturamento disparar com aumento no número de adoções e tutores mais atentos dentro de casa
Legenda da foto

O isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus afetou em cheio o funcionamento dos estabelecimentos comerciais, incluindo os petshops e clínicas veterinárias. Mesmo se enquadrando na lista de serviços essenciais, eles passaram a funcionar com algumas restrições, o que impactou no seu faturamento.

De acordo com um levantamento feito pelo Sebrae no início de abril, a queda no mercado pet chegou a 51%. No entanto, se com o tempo, muitos negócios pelo país afundaram com a pandemia, o setor não apenas absorveu o impacto inicial, como vem se recuperando com força.

A explicação é simples: além de o Brasil ser o segundo maior mercado pet do mundo, com 5% da fatia do faturamento global – US$ 124,6 bilhões – ficando atrás apenas dos EUA, as pessoas, isoladas em casa, adotaram mais animais de estimação ou passaram a prestar atenção em outras necessidades dos que já tinham. O resultado? Mais investimento em quem se tornou o grande companheiro do isolamento social e um crescimento de 30% para o setor.

Animais, os grandes companheiros do homem

De acordo com ONGs e protetores de animais, as buscas por cães e gatos para adoção tiveram aumento de até 50% durante a pandemia, quando muita gente passou a se sentir mais solitária dentro de casa. “O ser humano é um ser social, e quando se isola, enlouquece. Um bom exemplo para ilustrar isso é a bola de vôlei Wilson, do filme Náufrago. O que para nós parece um desequilíbrio mental por parte do personagem, na verdade é um mecanismo de defesa criado pela plástica psíquica dele para não perder a sociabilidade, elemento fundamental para uma mente saudável”, explica a psicoterapeuta Clarisse Souto.

Os animais foram os grandes companheiros do isolamento social para muitas pessoas. Foto: Pexels.

A especialista acrescenta que os animais de estimação promovem um aumento na qualidade de vida de seus tutores, tanto em termos físicos, quanto emocionais. “Para começar, um faz companhia ao outro, ou seja: adeus, solidão! Ter um pet pode ajudar com a sociabilidade também, porque chega a ser divertido observar como as pessoas se sentem mais à vontade em falar com um cão na rua do que com seu tutor”.

Ainda segundo ela, os animais de estimação nos ajudam a desenvolver o senso de responsabilidade, já que, quando se tem um bichinho, é preciso estabelecer uma rotina relacionada a passeios, alimentação, higiene e, claro, atenção a ele. E na quarentena, muitas pessoas estavam precisando disso. Clarisse, inclusive, está entre os brasileiros que aproveitaram a quarentena para adotar um “filho de quatro patas”.

Ela diz que a vida mudou completamente desde que adotou a cachorrinha Ipa, em abril. “Minha rotina toda teve que mudar. Além de ter que preparar a comida dela, porque ela tem alimentação natural, decidi que a levaria para passear três vezes ao dia, sendo que ela me acorda de manhã bem cedinho! Isso está sendo ótimo, porque se depender de mim, não saio de casa. Venho aumentando meu circulo social inclusive, por causa dela”, conta.

Xô, crise!

Um exemplo de player do mercado pet que cresceu durante a pandemia é a Petlove. A empresa observou um crescimento expressivo nas vendas online e em sua base de assinantes, que ultrapassou a marca de 245 mil assinaturas ativas no mês de outubro.

De acordo com o fundador e CEO da Petlove, Marcio Waldman, no período de isolamento social, a Petlove vendeu mais de 527 mil rações secas, o que representa 50,4% do faturamento da empresa. “Reforçamos o nosso time e aumentamos a infraestrutura para comportar o aumento de vendas durante o período”, diz.

No início da pandemia, a empresa lançou, em parceria com o Vet Smart, um projeto para apoiar clínicas veterinárias e petshops de bairro. Em junho, foi a vez de apostar no Ship From Store, utilizando o estoque de alguns pet shops locais para atender pedidos feitos via Petlove, aumentando a velocidade dos atendimentos e gerando vendas para players menores e regionalizados.

Recentemente, a Petlove anunciou a fusão com a Doghero, com o objetivo  de fortalecer o ecossistema da plataforma de produtos e serviços e capturar mais de R$ 100 milhões em sinergias, entre diluição de custos de aquisição de clientes e cross-sell. “Projetamos um crescimento maior do que o esperado para o ano, com previsão de faturamento de R$540 milhões em 2020. Outros setores do mercado pet também tiveram impactos positivos durante o período, como o setor de adoções e atendimento veterinário”, destaca Waldman.


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