Como não ser vulnerável ao usar as mídias sociais?

Especialista explica a importância de saber quais dados pessoais estão sendo coletados e dá dicas para evitar excessos

Ultimamente as pessoas estão mais atentas às questões de privacidade dentro do mundo conectado. Um dos fatores que levou a esse comportamento foi o documentário The Social Dilemma, sucesso da Netflix que mostra como as redes sociais estão programadas para usar os dados dos usuários e torná-los dependentes das telas. Outros pontos que podem ser citados são a disputa entre Donald Trump e o aplicativo chinês TikTok, e problemas com vazamentos de dados dos usuários de redes como o Facebook.

Ester Borges, pesquisadora do InternetLab, um centro independente de pesquisa em direito e tecnologia, acredita que essa mudança de comportamento se dá pelo conhecimento. “Ao assistir ao documentário, muito pessoas ficaram mais alertas porque não tinham conhecimento do plano de negócios das plataformas de mídias sociais, buscadores e aplicativos. A partir do momento que o público entendeu melhor como esses mecanismos funcionam, se sentiu muito vulnerável quanto a manipulação dos seus dados pessoais para fins comerciais, percebendo que existem ferramentas psicológicas e técnicas usadas propositalmente para que usuários das redes sociais se mantenham conectados e que as plataformas não são apenas um espaço para conexão com amigos e familiares”, afirma.

Quem manda?

Porém, ao mesmo tempo que as pessoas acendem o alerta para as mídias sociais, se veem em uma situação complicada, afinal, não dá para simplesmente excluir todas as contas. Em um mundo cada vez mais conectado, principalmente depois da pandemia e do isolamento social, essas ferramentas se tornaram fundamentais para os contatos, tanto pessoais quanto profissionais.

Então, como usar as mídias sociais, os buscadores e os aplicativos sem que eles tenham poder sobre você? Quanto ao fator dependência, Ester cita dicas como não permitir que os aplicativos projetem notificações no celular, colocar um ponto final no hábito de dormir e acordar com o telefone ao lado e até instalar extensões no navegador de internet que bloqueiam conteúdos recomendados.

Desligar as notificações é uma forma de reduzir a dependência das telas. Foto ilustrativa: Pexels.

Mas, para a especialista, algo mais importante seria buscar maneiras não ser vulnerável ao usar as plataformas, mesmo que com o uso frequente. Para isso, ela dá duas dicas:

  • Verificar as permissões que cada aplicativo tem no celular e desativar todas que não façam sentido, como acesso a contatos, mensagens, captação de som, etc.
  • Tentar mapear que dados pessoais que disponibilizamos voluntariamente para as plataformas (como telefone, data de aniversário, grau de parentesco com determinados amigos) e julgarmos criticamente se consideramos essa disponibilização válida, considerando suas consequências.

“Os rápidos avanços da tecnologia afetaram e expandiram significativamente o poder e as capacidades de controle de Estados e empresas sobre indivíduos, com implicações diretas ao direito privacidade; gerando questões controversas relativas às práticas de coleta, armazenamento, acesso, exploração e análise massiva de dados. Por isso, esse movimento de pensar na privacidade dos usuários nas mídias sociais é muito importante, é preciso entender a capacidade de poder dessas empresas”, diz Ester.

O que muda com a LGPD?

A Lei Geral de Proteção de Dados já está em vigor no Brasil, mas isso muda alguma coisa? Os usuários das mídias sociais e buscadores podem se sentir mais seguros? A especialista explica que “as plataformas de mídias sociais precisam ser mais transparentes com os usuários quanto ao uso dos dados e devem perguntar de forma explícita sobre a autorização para usá-los”, por isso, as pessoas podem “ficar mais confortáveis no sentido de que nenhuma dado pode ser utilizado sem a sua anuência”.

Mas Ester faz um alerta: “É preciso estar atento ao fato de que essa autorização pode estar relacionada, por exemplo, aos termos de uso e às políticas de privacidade de determinadas ferramentas, que na maioria das vezes não são lidos pelos usuários. A questão é basicamente essa: a LGPD traz padrões altos de regulamentação do tratamento de dados, isso é benéfico aos indivíduos, mas ainda assim é preciso estar atento ao seu próprio direito à privacidade e entendendo as permissões dadas as empresas e ferramentas que utilizamos”.


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