Mercado do xadrez ferve com o sucesso de “O Gambito da Rainha”

Série da Netflix sobre uma jovem que vira vencedora no jogo impulsiona buscas relacionadas – as mais altas em sete anos – e prova o poder da influência do streaming no comportamento de consumo das pessoas

É quase impossível não se empolgar com as cenas das partidas de xadrez exibidas no seriado “O Gambito da Rainha”, produção original da Netflix que estreou em no final de outubro, e é um dos sucessos recentes da plataforma. Em apenas sete episódios, o show conseguiu colocar em foco tabuleiros e peças, fazendo um jogo que é extremamente cerebral ganhar ares emocionantes típicos de filmes de ação. Difícil encontrar quem não tenha gostado da minissérie e isso se reflete em números. O mercado do xadrez ganhou holofotes.

A Netflix quase nunca divulga informações oficiais sobre a audiência de seus conteúdos; mas outros dados ajudam a reforçar como cresceu o interesse do público. Um deles é o fato de que as buscas no Google por termos relacionados explodiu. A expressão “jogadas de xadrez” , por exemplo, teve 150% mais acessos no site de buscas nas semanas seguintes à estreia; já “Jogada Siciliana” , que se trata de uma das jogadas mais comentadas pelos personagens na minissérie, foi 300% mais procurada pelos internautas.

A simples associação “jogos de xadrez” cresceu 80% nas buscas, enquanto “estratégias de xadrez” chamou a atenção com 60% mais acessos. Os dados são da consultoria Decode, que traz ainda mais uma informação importante: 73% dessas procuras foram feitos por mulheres – ou seja, há aqui bastante espaço para o mercado do xadrez crescer, impulsionado pela heroína que na ficção bate até mesmo os russos. O bom desempenho do xadrez segue na linha de ascendência que os jogos de tabuleiro tomaram desde que a pandemia forçou as pessoas a ficarem dentro de casa, em esquemas de confinamento que vão e vem. Mas o xadrez não era a estrela dessa onda. Agora virou o centro das atenções.

O que é o gambito da rainha

A minissérie da Netflix é baseada em um livro homônimo, escrito em 1983 por Walter Travis e narra a trajetória de uma garota órfã do estado norte-americano do Kentucky, que aprende a jogar xadrez com o zelador do orfanato. Tímida e introspectiva, ela logo se interessa única e exclusivamente pelo jogo e demonstra uma habilidade natural (e assustadora) de memorizar jogadas e raciocinar com as peças do tabuleiro.

Os anos passam e Berth Harmon, a protagonista esplendidamente interpretada pela atriz Anya Tayloy Joy, acaba adotada por um casal (em crise) quando já é adolescente. Ao lado da mãe adotiva, ela mergulha de vez nas competições de cidade em cidade, até se tornar uma campeã nacional nos Estados Unidos. Fama e dinheiro chegam, mas os desafios vão crescendo e ela deve bater um vencedor mundial em Paris para, depois, tentar ganhar dos “reis do esporte”, os russos, em plena Moscou. Mas claro que essa jornada não é linear: Beth precisa lidar com o próprio vício em pílulas tranquilizantes, adquirido quando ainda era criança no orfanato, e em álcool. Também é uma jovem que, mesmo tendo uma mente prodigiosa, precisa enfrentar suas próprias sombras do passado para se superar e chegar ao posto máximo como jogadora de xadrez.

Dirigida por Scott Frank, o mesmo do thriller “Minority Report”, a série vem recebendo elogios de critica e público. Roteiro, fotografia e figurino, todo ambientado nos anos 1960, são mencionados nas redes sociais e nos sites especializados. A atração conseguiu também sua própria legião de fãs, o que é sempre bom para impulsionar os conteúdos. Tanto que não se falava desse tema com tanta força desde 2013. O mês de novembro registrou os recordes de interesse pelo assunto, mostrando que ele ainda deve render. Entre as poucas críticas negativas recebidas pelo show, no entanto, estão a forma superficial com que acaba narrando a questão do vício da personagem em medicamentos e álcool, bem como o fato de ela sofrer bem menos com o machismo dos campeonatos e de outros competidores do que acontece na vida real.

Vale lembrar que 2020 tem se mostrado um ano próspero para os seriados protagonizados por mulheres. Entre os grandes destaques dos canais de streaming até o momento estão narrativas como a divertida (mas bobinha) “Emily in Paris” e a brasileira “Bom Dia Verônica”, ambas da Netflix; a necessária “I May Destroy You”, da HBO, que discute estupro e consentimento sexual; a indie “Normal People”, da Hulu, sobre relacionamento nos tempos atuais; e a premiada “Good Morning America”, da Apple TV Plus, que trouxe Jennifer Aniston e Reese Whiterspoon numa dobradinha das boas. O programa é influenciado pelos acontecimentos pós-MeToo e mostra o que acontece em um canal de TV depois de uma denúncia de assédio sexual.

Em tempo, o termo “gambito da rainha”, que dá nome ao show, se refere a um movimento no qual o jogador sacrifica a peça de maior mobilidade (a rainha) para ganhar vantagem posicional efetiva e agredir o rei inimigo, peça mais importante do tabuleiro. Ainda que seja uma expressão bem restrita a esse universo, ela esteve em alta no Google Trends, a ferramenta do buscador que mapeia as tendências do que se está buscando – e, consequentemente, conversado online. E você, não ficou curioso ou curiosa para fazer sua própria jogada da Rainha?


+ Notícias 

Insights de marketing digital da série “Emily in Paris”

The Social Dilemma: documentário mostra o impacto das mídias sociais no comportamento






ACESSE A EDIÇÃO DESTE MÊS:

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

CM 256: Os vencedores do Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente

CM 255: Tudo o que você precisa saber sobre o consumidor na pandemia

Você já conhece as Identidades do consumidor?

VEJA MAIS