Mudança de cidade e de estilo de vida: o fenômeno das “Cidades Zoom”

Com a opção do trabalho remoto por causa da pandemia de Covid-19, profissionais se movimentam para deixar para trás grandes metrópoles

Nos Estados Unidos elas têm o nome de subúrbios. Por aqui, no Brasil, talvez o nome mais adequado seja a expressão “regiões metropolitanas”. As cidades médias e pequenas no entorno dos grandes centros urbanos passaram a receber uma debandada de pessoas após a irrupção da pandemia de Covid-19 pelo mundo. Viver em um local com mais espaço, economicamente mais barato, e ainda com estrutura para se trabalhar remotamente é a decisão que guia muita gente nesse 2020. O fenômeno das “Cidades Zoom” – chamado assim pela pelo site de tecnologia e negócios “Fast Company” – permite que se trabalhe com uma estrutura online, mesmo sem visitar a vida urbana típica. Essa mudança de lugar para viver está em alta entre os norte-americanos, mas o fluxo também está acontecendo no Brasil.

Para saber mais sobre o fenômeno das “Cidades Zoom”, conversamos com Isis Borge, especialista em recrutamento. Ela é Headhunter da Talenses Group, holding brasileira com soluções completas de recrutamento e seleção para empresas que atende as principais capitais do Brasil e da América Latina. Para ela, o sonho do nômade digital – pelo menos aquele que não precisa mais ficar sentado na mesa do escritório – está mais perto e deve chegar forte.

“Eu acredito que o formato de trabalho está se transformando e as barreiras geográficas tendem a deixar de existir. Esse movimento se tornará cada vez mais natural, orgânico e necessário. Em muitas das áreas, os profissionais podem trabalhar de qualquer lugar do mundo, desde que tenham acesso à internet”, diz Isis. Ela comenta o fluxo de talentos para fora de metrópoles como São Paulo, por exemplo. Veja abaixo os principais destaques da conversa.

“Cidades zoom” no Brasil, sim

Para a headhunter, esse chamado “fenômeno” é superaplicável ao Brasil. “Com a adaptação das empresas ao modelo do trabalho remoto, seja em tempo integral ou híbrido, muitas pessoas têm optado por sair dos grandes centros em busca de mais qualidade de vida, menos trânsito, menos violência. Pessoas com filhos, em sua maioria, têm escolhido ir para o interior por conta das escolas de qualidade mais baratas, enquanto pessoas sem filhos têm ido tanto para o interior quanto para o litoral”, comenta Isis Borge. “Vi alguns casos de profissionais que inclusive foram para outros países, em casos que a empresa decidiu instituir o trabalho 100% remoto”, conta.

 A tendência de migrar para fora das cidades grandes

É verdade que a pandemia de Covid-19 mudou drasticamente a maneira como grande parte das pessoas trabalham, mas Isis ressalta que essa é uma tendência que já vinha acontecendo, ainda que mais lentamente. “Antes da Covid-19 ouvíamos muitas pessoas dizendo que tinham esse sonho, mas que não conseguiam abrir mão dos pacotes salariais e as perspectivas de carreira das grandes empresas das capitais”, explica ela. “E com esse cenário de pandemia, essas empresas têm flexibilizado o formato de trabalho para ser a maior parte do tempo remoto em muitos casos, o que facilitou que as pessoas pudessem optar por sair dos grandes centros”, diz.

Ela também ressalta que o confinamento criou um “movimento de ressignificação” para boa parte dos profissionais: “Eles deixaram de valorizar o estilo de vida das grandes capitais para terem uma essência mais voltada para a família e para lifestyles que possibilitem essa mudança”, afirma.

Contratações x pandemia

Expert na área de buscar novos talentos para empresas, Isis Borge reforça que a maior possibilidade para o trabalho remoto mudou também o fluxo de contratações: “No momento que veio a determinação de as pessoas irem trabalhar de casa, vimos um congelamento quase que instantaneamente de 40% das posições que estavam em andamento, muitas empresas também optaram por aderir aos programas do governo reduzindo jornadas de trabalho e salários, enquanto outras, infelizmente, optaram por grandes reduções de quadro”, relembra Isis.

“Nesse momento não fazia tanto sentido contratar profissionais novos em muitos mercados. Agora, já é possível observar uma retomada do mercado. A maioria das vagas que foram paralisadas foi retomada e também vemos que o formato da contratação mudou, saiu do 100% presencial para, em muitos casos, 100% remoto, inclusive com o processo de admissão e onboarding sendo feito de forma remota”, explica. Ou seja, é a hora perfeita para pensar em um movimento de mudança de lifestyle, se esse já era o plano.

Leia também: Como fazer boas contratações em tempos de pandemia? 

Home office em alta

Desde a implementação das jornadas de trabalho remotas, o home office virou a expressão da vez – e diversas pesquisas nesse sentido têm sido feitas para mapear como está o relacionamento das pessoas com esse tipo de jornada de trabalho. Isis conta que sua própria empresa conduziu algumas investigações e entre os dados colhidos, merecem destaque, por exemplo, a informação de que a produtividade de 70% dos entrevistados aumentou no home office.

“Menos de 1% de quem respondeu a pesquisa afirmou que, nesse modelo de trabalho, a produtividade estava muito baixa. Ainda nesse cenário, 91% dos respondentes afirmaram que quando for possível voltar para a empresa, gostariam de ter a oportunidade de escolher se desejam ou não continuar trabalhando home office”, diz Isis. Esses dados são importantes e reforçam a possibilidade de saída dos grandes centros urbanos por parte de certos profissionais. “A pesquisa chamada ‘Produtividade dos colaboradores que estão em home office integral no cenário COVID-19’ foi desenvolvida em maio de 2020, em parceria com a Fundação Dom Cabral, e contou com a participação de 1070 respondentes, entre eles profissionais de diferentes níveis hierárquicos e especializados em funções distintas”, revela Isis Borge sobre a pesquisa.

Dicas para ter coragem de mudar

Como especialista em contratações, a headhunter comenta que muitos profissionais buscam, nesse momento, empresas que estão aderindo a0 formato de trabalho 100% remoto ou de três a quatro dias na semana no formato remoto. “Muitas grandes empresas estão nesse caminho. E a maior parte dos cursos está se adaptando à essa nova realidade, com opções de formatos em ensino à distância ou compilando as aulas para serem quinzenais aos sábados ou sexta à noite e sábado de forma integral”, esclarece ela.

“As carreiras não estagnarão. Pelo contrário, continuamos vendo que vai depender de cada profissional buscar continuar se atualizando e encontrando caminhos de priorizar os estudos e a carreira independentemente de onde eles estejam. Além disso, a questão da infraestrutura da cidade é algo bem relativo. A verdade é que as pessoas se acostumaram a viver de uma forma diferente, com mais refeições em casa, menos entretenimento externo de forma geral. E ao optarem por deixar um grande centro, ainda assim é possível aproveitar esses eventos quando eles voltarem a acontecer (shows, cinema, teatro). É questão de se planejar para isso. De uma forma geral, a qualidade de vida que vem acompanhada desse novo formato tem se mostrado mais vantajosa”, finaliza ela.


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