Como começar 2021 com a inovação no plano de ação da empresa

Inovar não é um bicho de sete cabeças e é justamente o que o novo contexto atual pede. Acompanhe as dicas essenciais dadas por um expert do assunto

O ano de 2020 obrigou boa parte das empresas a desenvolver algum tipo de inovação com uma rapidez muito maior do que o esperado. Tudo por conta das mudanças de cenário trazidas pela Covid-19. Mas ainda que esse tenha se tornado um tema quase essencial para o plano de ação de empresas e empreendedores para o próximo ano, muita gente ainda não sabe como começar ou acredita que inovar é algo muito difícil, distante da realidade do seu negócio.

Para acabar com esses mitos, conversamos com Hilton Menezes, que é fundador e CEO da Kyvo Innovation, uma plataforma global de inovação que deseja criar um futuro mais dinâmico, criativo e humanizado para as empresas.

Hilton possui mais de 20 anos de experiência em Tecnologia e Negócios e trabalha a inovação desde a cultura organizacional até a tecnologia, executando programas de Transformação Digital, Intraempreendedorismo e Inovação Aberta em parceria com centros do Vale do Silício, além de Israel, Londres, Espanha e Portugal. Acompanhe o bate-papo com as orientações do expert.

O que é Inovação?

“A inovação é um tema bastante amplo e, historicamente, pode tomar a forma de investimentos em P&D, infraestrutura, capacitação profissional e apoio direto e indireto em tecnologias específicas”, explica Hilton. “Em um relatório especial sobre a economia mundial, a revista ‘The Economist’ declarou que uma agenda de inovação inteligente teria mais a ver com a criação de condições para o surgimento de ideias brilhantes”, conta.

Hilton também conta que o conceito de inovação no século 21 é bem específico: “Considera não só números de receita ou indicadores de performance, mas também quem as constrói, ou seja, as pessoas num ecossistema, que no fim das contas é o planeta. Não faz sentido criar produtos que agridam o meio ambiente ou serviços irresponsáveis com impacto social negativo”, diz ele.

Leia também: Inovação disruptiva e o futuro das empresas 

Por onde começar?

“Existem quatro passos básicos para se ativar inovação em 2021. Esse exercício pode ser feito individualmente ou em grupo. Se feito em grupo, recomendo um time multidisciplinar de até 5 pessoas para criar um ambiente de trocas e aprendizados”, diz o especialista. Vamos ao passo a passo:

Passo 1: Identificar o grau de maturidade em inovação

Aqui, Hilton sugere analisar como a sua empresa ou local de trabalho se relaciona com esse tema, baseado no conceito de “maturidade em inovação”. Os 8 níveis de maturidade estão baseados nos estudos da professora Rita McGrath, da Columbia Business School, especialista em inovação e estratégia. Esses níveis classificam as empresas entre “Não inovadoras”, quando têm zero movimentação nesse sentido, passando por empresas que fazem uma inovação localizada em uma área restrita ou em uma oportunidade, até o nível 8, que abrange as instituições cuja inovação está, inclusive, presente em cases e portfólios reconhecidos por seus pares.

Passo 2: Entender onde precisa melhorar

O especialista aconselha partir de dois pontos básicos: “Funciona da porta da empresa para dentro, isto é, dos seus processos internos, dos papéis e responsabilidades de seus colaboradores e a qualidade dos fornecedores; e também da porta da empresa para fora. Por exemplo: como a empresa entrega o serviço, qual é a percepção do valor do serviço pelo cliente, quais os canais de relacionamento com o mercado”, explica Hilton. “Para esta análise, recomendo fazer o quadro de Modelo de Negócio (business model canvas), criado por Alex Osterwalder. O Sebrae fez uma cartilha bem bacana para qualquer pessoa se inteirar sobre o tema.”

Passo 3 – Traçando os objetivos e resultados-chave

“Agora que já identificamos nosso nível de maturidade e onde precisamos melhorar na empresa, é preciso entender claramente quais objetivos queremos com as melhorias e, principalmente, quais resultados pretendemos atingir”, sugere o expert. “Em geral, uma vez definidos os objetivos aspiracionais da organização, de uma área ou departamento, ou até de um funcionário, a lógica seguinte é definir quais são os resultados-chave que conseguirá medi-lo”.

E como medir esses resultados? “O resultado-chave da inovação pode ser medido através do aumento de receita, ou da redução de custos”, explica Hilton Menezes. Mas ele alerta: “É limitador atrelar inovação somente a estes indicadores de sucesso. Se faz cada vez mais necessário incluir a sustentabilidade e impacto social na equação, ou seja, precisamos olhar não somente a performance da empresa, mas também as pessoas e o planeta”, reforça.

Passo 4 – “Just do it”, ou seja, apenas faça

“Parece clichê, mas é a pura verdade. Ação é o nome do jogo”, diz Hilton. Isso significa que chega uma hora em que é preciso simplesmente começar a implementação das ideias inovadoras. “Ao realizar o passo 1, você entende a maturidade de inovação da sua empresa, assim saberá discernir melhor quais caminhos tomar para conseguir implantar suas novas ideias. Executar os passos 2 e 3 por si só já se trata de ter a implantação de modelos inovadores de trabalho.” O expert insiste: “Não tenha medo de tentar. Pequenas falhas são comuns quando se trata de inovar”, finaliza Hilton Menezes.


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