O que esperar da economia em 2021?

Relatório da Mercer aponta tendências para os mercados após um ano marcado por uma recessão histórica

Quem se interessa por história sabe que, de tempos em tempos, alguns eventos ocorrem para mostrar à humanidade que nem tudo pode ser controlado. Em 2020, isso aconteceu mais uma vez: a pandemia do novo coronavírus atingiu sistemas de saúde do mundo inteiro e levou à morte de milhões de pessoas. Na tentativa de conter a disseminação da doença, vários governos impuseram medidas de bloqueio e restrições de circulação, o que levou à uma crise econômica sem precedentes.

Mas, e agora, como deve ficar a economia global com a suspensão gradual das restrições ao redor do mundo? É o que o estudo “The Road to Recovery”, da Mercer, tenta responder. Confira as expectativas para a economia em 2021.

Recuperação no “novo normal”

Segundo a Mercer, é difícil prever como esse caminho de retomada do crescimento vai se desenhar em 2021, mas a expectativa é que a economia global continue a crescer fortemente e recupere o tempo perdido. O relatório aponta que muitos governos deverão manter suas medidas de apoio, auxiliando tanto consumidores quanto empresas, e que mesmo com uma segunda onda da Covid-19 em alguns países, é pouco provável que as medidas de restrição de circulação voltem ao nível registrado no início do ano.

As campanhas de vacinação em massa previstas para o início de 2021 também devem contribuir para a recuperação dos setores mais afetados durante a crise. Embora a vacina não resolva o problema de forma mágica, tudo indica que ela tenha o poder de recuperar a confiança dos investidores e colaborar para o reaquecimento das atividades econômicas, à medida que as pessoas se sintam mais seguras para sair de casa.

O relatório destaca que, independentemente do que aconteça, quando as economias se recuperarem, elas terão novas características, com alguns setores e empresas ganhando e outros perdendo. O ritmo de retomada também será diferente em cada região, mas de forma geral, a tendência é que economias fortes, como a China e os EUA, voltem mais rapidamente aos patamares do começo de 2020 ou fim de 2019.

Ainda de acordo com o estudo da Mercer, as respostas de vários governos ao coronavírus levou a déficits crescentes e grandes dívidas, que podem impulsionar a inflação no longo prazo. Ainda assim, a expectativa é que a inflação não chegue a ficar fora de controle, devido às forças deflacionárias seculares, ao avanço tecnológico e ao envelhecimento da população.

A reação das economias emergentes

O relatório da Mercer traz ainda tendências mais aprofundadas para algumas regiões, incluindo países emergentes, como o Brasil. Segundo o estudo, mercados como a Índia e a América Latina seguiram um padrão de crescimento semelhante ao do mundo desenvolvido: uma contração acentuada durante os dois primeiros trimestres e uma recuperação forte durante o terceiro, consistente com a flexibilização da quarentena.

Apesar de os governos desses países terem agido prontamente para conter a desaceleração econômica, as medidas de estímulo foram mais modestas em comparação com os países desenvolvidos. A expectativa dos analistas da Mercer é que as economias emergentes continuem se recuperando, e eventualmente voltem aos patamares pré-pandemia, também.

A previsão é que os bancos centrais continuem dando suporte às suas economias, flexibilizando políticas inflacionárias e criando condições financeiras favoráveis à recuperação econômica. Em relação às políticas de crédito, a expectativa é que os mercados de alto rendimento continuem a ter um bom desempenho, com os bancos centrais fazendo intervenções para estimular o mercado caso ocorra uma nova crise.


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