Diversidade e empatia: tão completares quanto essenciais

Diversificar para empatizar se apresenta como o novo mantra da atualidade

A possibilidade de um novo mundo alicerçado por valores que impulsionam a construção de uma sociedade com maior equidade de oportunidades e benefícios para todos, seria um sonho a se tornar realidade, por quê não?

Mas para chegarmos onde queremos, precisamos começar a refletir, por nós mesmos, sobre o meu papel como indivíduo e minha atuação na sociedade a qual faço parte.

A pandemia jogou luz sobre as diferentes faces da desigualdade seja social, de gênero ou de raça. O momento atual é fértil pois estamos diante de um cenário totalmente transformador, uma oportunidade única para endereçarmos e avançarmos nessas questões.

Agora é a hora de deixarmos um pouco de lado discussões teóricas e colocarmos em prática mudanças que promovam diversidade e inclusão para mulheres, negros, comunidade LGBTQI+, maduros 60+, e para tantos outros grupos que estão presentes na nossa sociedade, mas têm baixíssima representatividade em nossos ambientes corporativos.

Aliás, fica aqui uma curiosidade: poucas pessoas sabem, mas a invenção do álcool gel, item indispensável nos dias atuais, foi feita por uma mulher de origem latina; Lupe Hernandez, enquanto estudava Enfermagem em Bakersfield, nos Estados Unidos, em 1966.

Temos outros exemplos de mulheres que se destacaram na pandemia. Uma brasileira cientista negra, Jaqueline Goes de Jesus, pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), coordenou a sequenciação do primeiro genoma do coronavírus  apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de COVID-19 no Brasil.

A ONU Mulheres criada, em 2010, para unir, fortalecer e ampliar os esforços mundiais em defesa dos direitos humanos das mulheres, publicou diversos estudos sobre o impacto da pandemia para as mulheres. Disponibilizou um site específico para o tema, no qual apresenta desde questões relacionadas ao mercado de trabalho à diretrizes mais sensíveis como consequência ao aumento da violência doméstica.

Ao mesmo tempo, as mulheres representam a maioria dos trabalhadores na área de saúde, estando mais expostas ao vírus. Esse contexto faz com que as desigualdades fiquem maiores (Organização das Nações Unidas).

Empatia, Diversidade & Inclusão

É fato que a diversidade em sua forma genuína é uma grande oportunidade de valoração para as empresas.

Os benefícios da Diversidade & Inclusão (D&I) em ambientes corporativos já são comprovados em diversos estudos. A consultoria McKinsey publicou o artigo, “Diversity wins: How inclusion matters”, onde demonstra com números que D&I promove ambientes mais criativos, mais inteligentes, mais engajados, mais inovadores e por consequência que produzem melhores experiências para os consumidores finais e melhores resultados para os negócios.

Observar a aderência entre Empatia e Diversidade & Inclusão de forma íntegra pode ser a resposta chave para o momento atual, sendo um dos caminhos para a retomada do crescimento das empresas no pós-pandemia.

Na vertente do empoderamento feminino, algumas empresas entenderam essa forte conexão, e ampliaram seu conceito de marca e propósito. O Guaraná Antarctica, por exemplo, levanta essa bandeira promovendo o futebol feminino, como estamparia para suas latinhas. A iniciativa já tem grandes marcas confirmadas e, a partir de 2021, Burger King, Halls, Lay’s, Vivo, entre outras, terão suas logomarcas impressas nas mais de 30 milhões de latinhas de Guaraná que irão circular no país.

Foto: Divulgação.

A Avon também ganhou destaque com o case Avon Power Stay #Veio Pra Ficar, que trouxe novamente à tona o batom como símbolo de força feminina e da maquiagem. Motivados a mantê-lo como ícone contemporâneo, a companhia fez sua aposta e lançou o batom Power Stay com 16 horas de duração, a maior resistência disponível no mercado e claro, na imagem de Marta – referência em força e profissionalismo no futebol feminino.

Foto: Reprodução.

E que lindo o filme Mulan, a história chinesa de Hua Mulan, guerreira que se disfarçou como homem para substituir seu pai idoso no exército. Como declarou Sean Bailey, presidente de Produções da Disney: Mulan é claramente uma história de empoderamento feminino.

Também assistimos o movimento do empreendedorismo feminino crescer. Vale a pena se conectar com a Rede Mulher Empreendedora que possui mais de 750 mil participantes em sua página no LinkedIn, sendo a primeira e maior plataforma de empreendedorismo feminino do Brasil.

Durante a pandemia, a Rede ganhou notoriedade no apoio a empreendedoras e criou o marketplace RME, um espaço exclusivo para as empresárias divulgarem produtos e serviços com base no movimento #apoieumaempreededora para incentivar pessoas a comprarem de pequenos empreendedores, especialmente de mulheres.

Foto: Reprodução.

A importância da vivência

Apesar do tema Diversidade & Inclusão ter se intensificado na pandemia, há algum tempo acompanhamos o crescimento das discussões.

O livro “O poder da Empatia” – de Roman Krznaric -, traz um dos cases mais importantes da história sobre a união de empatia com a diversidade: a história da designer de produtos norte-americana, Patrícia Moore, que no auge de sua juventude, abandonou seu emprego, para transformar-se em uma senhora de oitenta e cinco anos e vivenciar de forma empática como é a vida de um idoso.

A ideia era entender os desafios cotidianos que uma pessoa idosa e com dificuldade de mobilidade enfrentava ao viver em sociedade. Patrícia utilizou disfarces originais para deixar a experiência o mais real possível, desde óculos velados que borravam a visão à sapatos com desníveis que a obrigava a usar bengala.

Como resultado dessa imersão, Patricia levou o design internacional de produtos para uma nova direção. Foi nomeada a fundadora do design “inclusivo” ou “universal” e tornou-se famosa por seu “modelo empático” que inspirou uma geração de designers e estudiosos de comportamento do consumidor.

Trazendo a momento presente, diante de uma pandemia global com implicações sociais e econômicas de longo alcance, a transição para organizações mais humanizadas que valorizam causas, constroem ações com base em valores e colocam as pessoas em primeiro lugar, apresenta desafios e oportunidades na promoção da Diversidade e Inclusão (D&I).

Diversificar para empatizar se apresenta então como o novo mantra do contexto atual.

Uma atitude contundente que tem o poder de transformar o mundo em um lugar muito mais criativo, acolhedor e inteligente socialmente, com soluções que abraçam diferentes desafios e geram oportunidades para todos.






Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS