As perspectivas para o mercado automotivo brasileiro após a saída da Ford

Montadora americana anunciou recentemente o fim da produção de veículos no Brasil; notícia teve grande repercussão e gerou preocupação

Na última segunda-feira (11), a Ford anunciou o fim da produção de veículos no Brasil e o fechamento de suas fábricas. A notícia pegou muitas pessoas de surpresa e teve grande repercussão no mercado. Um mês antes, a montadora alemã Mercedes-Benz também colocou um ponto final na fabricação em território brasileiro.

O cenário pode gerar dúvidas em relação ao futuro do mercado automotivo brasileiro, mas, segundo Flavio Padovan, outros players do mercado não devem seguir os caminhos de Ford e Mercedes-Benz. “Ao mesmo tempo que a saída da Ford representa um impacto muito grande para a economia, isso não vai provocar que outras montadoras deixem o país. Cada montadora tem uma condição específica e peculiar devido suas características de volume, de competitividade de produto e de lucratividade”, explica.

A decisão da Ford

O sócio da MRD Consulting, ex-CEO da Jaguar Land Rover e ex-diretor de operações da Ford no Brasil e América do Sul, acredita que a saída da Ford se deu por uma série de motivos. “A montadora sofreu prejuízos sucessivos no Brasil por conta de perda de competitividade causada pela falta de modernização dos produtos e pela falta de capacidade de investimento devido aos resultados ruins. O câmbio também teve uma influência muito forte, já que insumos e componentes eram importados para a produção dos carros. Com poucas perspectivas de recuperação e estratégia global de investimentos em SUVs e picapes, o negócio no Brasil deixou de ter interesse para a Ford mundial”, explica Padovan.

Em nota, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que, ao sair do Brasil, a montadora “muda para um modelo de negócios ágil e enxuto”. Inovações devem ser o foco da empresa: “Vamos acelerar a disponibilidade dos benefícios trazidos pela conectividade, eletrificação e tecnologias autônomas”, disse Farley.

As fábricas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP) encerraram a produção. Já a fábrica da Troller, no Ceará, continuará operando até o fim de 2021. Mas o mercado de consumo brasileiro ainda está nos planos da Ford, que deverá manter a assistência técnica, comercializar veículos importados e até lançar novos modelos no futuro.

Perspectivas para o mercado automotivo

Os modelos da Ford sempre figuraram na lista dos mais vendidos no Brasil. Em 2020, por exemplo, o Ka teve a sexta maior comercialização do país. Mas, na nova estratégia, tanto ele quanto o EcoSport saem de linha. A fatia de mercado “órfã” abre oportunidades para outras montadoras que fabricam no Brasil.

Dados do levantamento feito pela Bright Consulting indicam esse movimento: cerca de 85% dos veículos Ford vendidos em 2020 foram produzidos no Brasil. “A maioria que iria comprar um produto da Ford, vai procurar na concorrência veículos similares, não tenho dúvida disso. Outras montadoras ganham de uma forma equilibrada, dependendo do produto que estamos falando”, diz Flavio Padovan. Sem o Ford Ka no mercado, por exemplo, Volkswagen Gol e Fiat Argo podem ganhar mais espaço.

De modo geral, a saída da Ford não deve ter grande influência sobre as perspectivas para o mercado automotivo. “O mercado vai se recuperar de forma lenta. Vimos uma grande queda em 2020, com leve recuperação no final do ano, que deve continuar aos poucos. Mas, acredito que vamos ver muitos movimentos no mercado, como aconteceu recentemente com a fusão da FSA com a PSA”, finaliza Padovan.


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