O escritório do futuro será híbrido e o home office veio para ficar

A pandemia potencializou a tendência de misturar o trabalho remoto com encontros semanais mais focados em reuniões e na interação com colegas de profissão

Foto: Shutterstock

Passado quase um ano da chegada da pandemia de Covid-19 no Brasil, o termo home office, que se popularizou por conta da contaminação causada pelo novo coronavírus, segue em alta nas pesquisas em buscadores, nas conversas informais e, claro, na dinâmica de trabalho. Por isso mesmo, para especialistas do assunto de organização profissional, a hora agora é de avaliar como esse esquema – que veio para ficar – funcionará daqui em diante. As apostas, nesse sentido, são de que o escritório do futuro será híbrido: ou seja, entregas feitas remotamente, de casa, se misturarão a visitas esporádicas ao escritório, mais focadas em reuniões presenciais e na interação com colegas de empresa.

“Qualquer empresa que possua colaboradores com atividades compatíveis ao modelo home office e não apostarem no trabalho remoto (mesmo que parcialmente), perderá vantagem competitiva no mercado ao longo do tempo”, enfatiza Tawan Pimentel, publicitário com especialização em Planejamento de Comunicação pela Miami Ad School, e sócio-fundador da HOM, empresa pioneira em ajudar organizações a implementarem o modelo de trabalho remoto desde 2012 e que se dedica a criar modelos de trabalho à distância para pessoas e empresas.

Na avaliação dele, será mais oneroso escolher não fazer essa transição: “A empresa poderá ter custos fixos mais altos que seus concorrentes, maior dificuldade para reter ou conquistar profissionais qualificados e, principalmente, perderá a chance de modernizar a forma de realizar a gestão na empresa e aumentar as possibilidades de desenvolver produtos e serviços mais inovadores para seus clientes”, enfatiza o especialista na área de gestão de trabalho remoto.

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Para entender melhor como esse caminho se dará, seguem cinco tópicos que estão em alta nas discussões acerca do trabalho em home office. Acompanhe os insights do especialista.

Por onde começar?

Para Tawan Pimentel, o primeiro passo para quem e quer adotar de maneira produtiva o home office é entender que este modelo continuará presente nas organizações daqui em diante. “O susto e o improviso foram importantes para o momento de pandemia e abriram caminho para uma nova relação com o trabalho. Mas, para que o modelo seja eficiente e seguro, é preciso que as empresas encontrem as melhores opções de trabalho à distância e sejam capazes de identificar qual ou quais modelos se adequem ao perfil e atividades realizadas na empresa (home office, trabalho remoto, teletrabalho, home based, etc.)”, explica ele.

“É essencial que os profissionais entendam que, assim como tiveram que aprender inglês ou ferramentas de tecnologia para se manterem atualizados no mercado, ter estrutura em casa e saberem trabalhar neste novo modelo será diferencial.”

Os quatro passos

É possível um “caminho das pedras” para chegar nesse escritório híbrido proposto para o futuro. Tawan Pimentel explica: “É importante que a empresa estruture a implantação investindo em: 1) recursos de tecnologia para comunicação e segurança da informação; 2) readequação dos processos da empresa que sejam compatíveis também com o trabalho remoto e não apenas o presencial; 3) desenvolver os recursos jurídicos (contratos, aditivos, políticas) para garantir segurança tanto para  as empresas quanto para os profissionais; 4) cuidar da transformação cultural da empresa, desde os líderes até os profissionais com cargos iniciais da empresa, para que todos estejam alinhados com o modelo, acreditem e incentivem essa nova relação de trabalho”.

 Erros mais comuns das empresas

Segundo o especialista, o erro mais comum é de subestimar a implantação e sustentação do modelo na empresa. “Achar que trabalho à distância é simplesmente entregar um notebook e celular para o colaborador e deixá-lo trabalhar de casa talvez seja a principal razão para que as pessoas trabalhem mais do que deveriam, que o clima de desconfiança se estabeleça, que a sensação de cansaço e baixa na produtividade comecem a se destacar cada vez mais conforme o tempo passa”, explica Tawan Pimentel sobre os efeitos do home office.

As empresas precisam oferecer uma boa estrutura para o trabalho remoto. Foto: Shutterstock

A grande tarefa, neste caso, é ter bastante cuidado para essa transição. “E também ter um investimento contínuo para tornar o modelo cada vez mais eficiente”, diz. “A transição de modelo de trabalho é complexa e exige dedicação e tempo para gerar melhores resultados. Considero um pouco de ingenuidade das lideranças da empresa acharem que é um processo rápido e fácil’, afirma.

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 O profissional e o home office

Já quando se fala do impacto do trabalho remoto individualmente, o expert analisa que o equívoco que mais ocorre é achar que já sabe trabalhar desta forma, principalmente se tratando de atuar em um cenário como o atual. “A maioria dos profissionais brasileiros não tinham essa experiência com o trabalho remoto e, por ainda estarmos em pandemia, não conhecem as reais boas práticas e benefícios que o trabalho à distância pode proporcionar. Ainda identificamos muita dificuldade dos profissionais em saberem trabalhar por resultados, em melhorarem as formas de comunicação e, principalmente, terem autogestão”, explica Tawan.

“A primeira coisa importante para falar para as pessoas que não se adaptaram ao home office neste momento é: quando o mundo controlar a pandemia, teremos diversas opções de trabalho remoto, além do home office forçado que tivemos que aderir por questões sanitárias.”

 O escritório híbrido

Como expert na área, Tawan Pimentel afirma que o chamado “escritório híbrido” não é nem mais algo para um futuro, mas já está acontecendo em grandes centros empresariais. “Imagine você, num futuro breve, daqui cinco ou 10 anos, tendo que explicar para outra pessoa a razão de sua empresa, mesmo após todas as transformações geradas na pandemia, ainda decidir voltar ao modelo de trabalho praticado anteriormente. Explicar o porquê gasta mais com custos fixos ou pede a seus colaboradores que peguem trânsito para ir todos os dias ao escritório realizarem atividades que, por mais de 1 ano, eles comprovadamente realizavam de maneira remota. Como você explicaria?”, afirma ele.

“Isso porque com o modelo híbrido, as empresas têm a possibilidade de diminuir custos fixos, proporcionar mais flexibilidade para seus profissionais, atualizar o modelo de trabalho, conseguir atrair ou reter melhores profissionais do mercado e ainda podem melhorar a gestão e a capacidade de inovação. Ao mesmo tempo, ainda conseguem manter uma interação presencial dos pares, equipes e liderança – o que facilita a integração com os times e com a empresa como um todo”, explica ele. Ou seja, o futuro já chegou.

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 E quem não gosta de home office?

Como tudo na vida, existe também uma parcela da população que está trabalhando de casa, mas que não conseguiu se adaptar a esse formato de entregas profissionais. O faz porque é preciso nesse momento, mas não vê a hora de poder voltar ao escritório. Essas pessoas não precisam se desesperar. Para Tawan, o home office ganhará novas características: “A primeira coisa importante para falar para as pessoas que não se adaptaram neste momento é: quando o mundo controlar a pandemia, teremos diversas opções de trabalho remoto, além do home office forçado que tivemos que aderir por questões sanitárias”.

“Muitas pessoas tiveram ou ainda têm experiências ruins porque estão lidando com o peso da solidão ou com a escassez de tempo (quem tem filhos pequenos sem ir à escola, por exemplo) ou até mesmo porque ainda estão lidando com o home office improvisado (sem estrutura em casa, sem apoio da empresa, dos gestores etc.)”, explica ele. “O formato mais difícil de trabalho remoto já estamos encarando agora e, em breve, poderemos ter opções, de maneira mais saudável e equilibrada e, principalmente, estaremos melhor preparados depois de todos os desafios gerados pela pandemia. Em breve poderemos ter mais possibilidades de trabalho, que vão se adequar ao perfil e a realidade de muitos profissionais”, afirma.

O cenário para o pós-pandemia, portanto, é otimista para quem não aguenta mais a cadeira desconfortável de casa.

Como fica o contato social do dia a dia?

Nos últimos meses, tem se comentado muito sobre a perda de contato entre os colegas de trabalho com a obrigatoriedade de atuar em casa. Essa é a equação mais difícil de se resolver: “É um desafio muito maior no período da pandemia. Independentemente do modelo, ainda temos que cuidar da interação com outras pessoas por uma questão de saúde. Quando a pandemia for controlada, poderemos nos encontrar com nossos times e colegas de trabalho com frequência ou até mesmo poderemos trabalhar em ambientes compartilhados e, se não interagirmos com nossa equipe, no local de trabalho poderemos ter os momentos para trocas e apoio de outros profissionais que estejam nos coworkings, cafés ou qualquer outro ambiente de trabalho compartilhado que surgir”, reforça.

Além disso, é uma questão de adoção dessa cultura: “Quando a empresa como um todo incorpora a cultura de trabalho remoto e oferece ferramentas completas de comunicação, esta sensação de falta de contato humano é reduzida”.






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