Viver e trabalhar no mesmo lugar: vêm aí as co-living communities

Conceito de ocupação mista para os espaços que antes eram destinados apenas a escritórios deve crescer e colocar para conviver gente de vários perfis diferentes

A aposta trazida por experts em urbanismo e tendências e publicada pelo portal “Wired”, de tecnologia, é mais uma pedra no muro que pretende colocar um fim de vez nos escritórios como eram conhecidos (e usados) antes da pandemia. A próxima parada para esses espaços é se tornarem ambientes híbridos de trabalho e vida, com gente de áreas e lugares diversos convivendo – isso é chamado de co-living communities.

De acordo com a publicação, a ideia deve atrair os mais jovens e reforçar o conceito de vila e comunidade. Uma vez mais, a intensão é que o vai e vém para o trabalho seja substituído por lugares em que pessoas diferentes possam conviver e atuar, independentemente da profissão que tenham.

De certa forma, isso é um retorno à maneira como as pessoas já interagiram no passado, antes da Revolução Industrial, quando pequenas vilas tinham de tudo – de comércio a moradia, e das mais variadas formas. Bem como tem sido dito em diversas áreas, a pandemia de Covid-19 adiantou essa mudança – que tem a ver também com o alto preço dos imóveis nas regiões mais centrais das principais metrópoles.

O fato é que, com a pandemia, as pessoas tiveram sua mobilidade restringida a lugares mais próximos de suas casas, rearranjaram suas demandas de compras e circulação em torno do home office e passaram a conviver com amigos e família pela internet. A mudança de espaços de escritórios para centros residenciais privilegia atividades em comunidade, deixando esses lugares ocupados 24 horas ao dia – e não só no chamado “horário comercial”.

Cidades como Londres, Nova York e Paris, informa a publicação, já estão adotando essa ideia: “A região administrativa de Paris já se comprometeu a transformar um terço de seus escritórios subutilizados em residências”, informa.

Todas as idades, o mesmo endereço

Os co-livings também têm a ver com o fato de que home office deve incentivar horas mais flexíveis de trabalho. Pode ser que isso ainda não esteja acontecendo agora, para todo mundo, mas com as restrições de mobilidade sem data para acabar, acabarão mexendo com o fluxo de entregas. Esse chamado “uso misto” dos espaços que eram escritórios cumprirá local de trabalho, varejo e lazer.

Exemplos desse tipo de co-living já existem e podem ser encontrados em Londres. Entre eles estão o Marmalade Lane, no bairro de Cambridge, empreendimento de co-habitação focado para famílias, jovens trabalhadores e adultos mais velhos, além de outro chamado Granby Four Streets, localizado na cidade de Liverpool. Ele está sendo reformado para transformar edifícios vazios em casas acessíveis, com direito a espaço público compartilhado.

Para encerrar, a pesquisadora Sarah Harper, que é professora de gerontologia na Universidade de Oxford e responsável pelos insights publicados na “Wired”, defende que essa nova forma de vida coletiva também ajuda a reviver os bairros. “Espaços residenciais, corporativos e de varejo reformados e renovados permitirão que profissionais, gerentes e prestadores de serviços de todas as idades vivam lado a lado no novo centro de trabalho, cuidado e família: o lar”, defende a especialista. Olhando assim, fica claro que o Brasil é um excelente lugar para testar esse conceito, você não acha?


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