Por que a cultura de feedback é fundamental para as organizações

Muito além de apontar erros ou elevar qualidades, a cultura de feedback é essencial para explorar todas as potencialidades dos colaboradores

Foto: Shutterstock

As relações de trabalho mudaram muito com a pandemia, mas manter uma cultura de feedback com a equipe continua sendo muito importante para melhorar a comunicação, redefinir estratégias e melhorar a produtividade e o empenho dos colaboradores. Mas vai além disso: receber e dar feedbacks pode ajudar no desenvolvimento de soft skills, tão valorizadas pelo mercado atualmente.

Por que investir na cultura de feedback?

O feedback é a forma mais assertiva de incentivar o desenvolvimento dos colaboradores, ou seja, a busca por novas competências. A prática também é capaz de auxiliar a correção de gaps, das lacunas e falhas existentes na competência daquele profissional.

Por outro lado, é uma forma de potencializar um comportamento positivo, para que esta conduta seja repetida e reproduzida pelos colegas.

Para Álvaro Reis Filho, head de RH na CRC – empresa de recuperação de crédito com mais de 4 mil colaboradores – há abordagens distintas para fazer o feedback, dependendo do teor do parecer. “O feedback positivo pode ser feito em público, mas o construtivo, sempre em local bem reservado. Qualquer que seja o teor deste parecer, a comunicação voltada aos colaboradores gera valor, credibilidade, empenho, confiança e é a melhor ferramenta de desenvolvimento”, esclarece.

Uma prática com benefícios mensuráveis

Se feita de forma assertiva, os benefícios da cultura de feedback em uma organização são extraordinários e podem ser mensurados a partir de marcadores de clima e produtividade.

Segundo Álvaro Reis Filho, tais marcadores impactam diretamente nas relações de trabalho, no dia a dia, afetando diretamente a produtividade. Mas, também, em suas derivações, como diminuição das taxas de absenteísmo e turnover.

Confira outros benefícios adquiridos a partir da cultura do feedback:

  • Clima de segurança;
  • Senso de equidade;
  • Maior produtividade;
  • Leveza;
  • Transparência nas relações;
  • Entregas mais ágeis;
  • Trabalho cooperativo;
  • Aumento de performance;
  • Menor custo de contratação externa e maior aproveitamento de talentos internos.

Muito além de “blá-blá-blá”

Apesar de ser uma ferramenta consolidada por diversos profissionais de RH para promover melhorias, o feedback aplicado de forma sistematizada dentro de uma organização ainda pode ser entendido como uma mera formalidade ou “perda de tempo” por algumas lideranças.

Isso porque esta estratégia é algo que leva um certo tempo para que se possa colher os resultados, além do que precisa ser feita de forma sistemática e consistente, pois é preciso demonstrar transparência para ganhar a confiança dos colaboradores.

Além do mais, o feedback é uma ferramenta para desenvolver o colaborador, e isso precisa ser construído ao longo do tempo.

Sendo assim, o feedback assertivo tem o poder de desenvolver soft skills importantes nos colaboradores, pois através disso o funcionário consegue entender o que é esperado dele e quais habilidades precisam ser desenvolvidas.

“Com isso, certamente o colaborador poderá conquistar excelência no trabalho em equipe, ser mais criativo, contribuir verdadeiramente com o seu melhor e sempre se colocar no lugar do outro, criando o hábito de ter empatia, pois perceberá que o seu líder se preocupa verdadeiramente com o seu desenvolvimento, e isso não tem preço”, explica o head de Recursos Humanos.

Como construir uma cultura de feedback de forma natural?

A construção de uma cultura de feedback genuína na organização exige que a atitude comece de cima, do board da companhia, que precisa garantir – antes de qualquer coisa – um ambiente saudável e seguro para seus colaboradores.

A alta liderança deve ter valores genuínos focados em pessoas e não exclusivamente nos resultados. Para Álvaro Reis Filho, o foco nas pessoas deve ser uma prioridade. “Eu acredito e vivenciei ao longo da minha carreira que, focando nas pessoas, os resultados são consequência”, relata.

Outro fato importante é ter um processo de avaliação de desempenho bem estruturado e trilha de carreira definida, onde todos tenham visibilidade.

Uma área de comunicação com pilares bem estruturados também é uma excelente estratégia, além manter uma rotina de treinamentos contínuos focados nas competências mapeadas que cada indivíduo precisa desenvolver, com atenção em todos os detalhes da experiência do funcionário.

Como dar feedbacks

Para certos líderes, dar um feedback positivo pode ser muito mais fácil do que um construtivo. Contudo, em ambas as situações, é importante ter planejamento para que se faça da forma mais adequada. Confira aqui algumas dicas:

  • Siga um padrão: ter critérios bem estabelecidos é o primeiro passo para iniciar uma conversa. E estabelecer parâmetros igualitários, com transparência, são pontos importantes para dar um feedback. É normal que colegas de trabalho troquem experiências, conversem a respeito do dia a dia na empresa. Por isso, é preciso utilizar um padrão para as orientações em todas as conversas, para que ninguém se sinta prejudicado ou desfavorecido.
  • Demonstre empatia: explicar o real motivo da conversa é um bom começo. Mas, além disso, demonstrar que esta conversa é importante para você, como líder, e que os apontamentos são direcionados às consequências de um determinado comportamento, e não à pessoa em si, é outro fator que fará a conversa prosperar.
  • Conclua firmando um propósito: após apresentar os pontos que merecem destaque, sejam eles positivos ou construtivos, é ideal traçar um planejamento, uma meta a ser aplicada, deixando claro o que se espera daquela pessoa. Além disso, é essencial marcar novos encontros para avaliar a evolução do colaborador.

O papel do líder na cultura de feedback

Os líderes são a peça-chave para que este processo seja de fato assertivo, pois são eles os principais exemplos, são as vitrines.

Se a palavra convence, é o exemplo que modifica, de fato. E o feedback pelo exemplo está nas mãos do líder, sendo que ele pode contagiar muitos com esta atitude, com a sua forma de falar, de gerir e principalmente com a sua inteligência emocional.

Os líderes têm em suas mãos a chance de mudar a vida do seu colaborador e deixar um legado.

“Eu posso olhar para trás e ver que vários talentos eu pude lapidar e hoje são pessoas extraordinárias, assim como um dia eu tive e tenho líderes incríveis que me lapidaram e me ajudaram a construir a minha história de sucesso”, conclui o head de RH.


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