Como a tecnologia está proporcionando inovações na saúde

A pandemia acelerou processos e inovações na saúde, e healthtechs recentes no mercado prometem trazer muitas novidades nos próximos anos

Foto: Shutterstock

Como parte do enfrentamento da crise global relacionada ao coronavírus no último ano, atualizações no sistema de atendimento à população foram impulsionadas com inovações na saúde. No Brasil, o pontapé inicial se deu com a autorização do uso da telemedicina, lei sancionada em abril do ano passado, sendo válida enquanto durar a pandemia.

Nesse contexto, por exemplo, a startup Conexa, que presta serviços de telemedicina para operadoras de saúde, hospitais e clínicas, viu o seu atendimento diário saltar de 50 pacientes por dia para cerca de 15.000. O quadro de funcionários passou de 40 para 170.

Inovações na saúde são apostas de investidores do setor

Para Jorge Pinheiro, presidente do Sistema Hapvida – o maior operador de planos de saúde do Norte e Nordeste brasileiro – o movimento de transformação digital no sistema de saúde é social, cultural e humano, e acontece o tempo todo.

“Apostamos fortemente na verticalização da nossa rede e em inovações como a telemedicina para atender os pacientes de forma segura e eficaz, e na proposição de tecnologias inovadoras”, esclarece.

A teleconsulta por vídeo, criada pelo Sistema Hapvida em conjunto com a Maida.Health, empresa do mesmo grupo, foi uma forma encontrada pela operadora para dar suporte seguro aos beneficiários, sem exigir a presença física nos pronto atendimentos e consultórios nesse momento de combate ao coronavírus.

Por meio de inteligência própria em telemedicina, a Maida.Health foi a primeira empresa brasileira a realizar regulação médica com a utilização de Inteligência Artificial em medicina de grupo.

Em parceria firmada com o Ministério da Saúde ainda em janeiro de 2020 – antes mesmo da explosão de casos de Covid no Brasil – auxiliou no diagnóstico da doença, por meio da triagem dos casos de pacientes suspeitos a partir de exames de imagens de raio-x e tomografia computadorizada de tórax.

Assim, foram realizadas mais de 250 mil teleconsultas desde abril de 2020. Hoje, diariamente são feitas cerca de mil orientações médicas por teleconsulta referentes à Covid-19, sem nenhum custo adicional aos clientes da companhia.

Pesquisa e inovação andam lado a lado

Ainda segundo o presidente da Hapvida, a empresa firmou parceria com a Novartis, multinacional farmacêutica, e criou o projeto “Inovação para a vida”. A proposta consiste em explorar parcerias em três grandes frentes: inovação para melhorar a jornada de suporte ao paciente, construção de bancos de dados para análise de vida real e potencial desenvolvimento de estudos clínicos.

A parceria dá a possibilidade ao Sistema Hapvida de melhorar ainda mais seu serviço e suporte aos mais de 6,7 milhões de clientes em todo o Brasil. Os dados serão anonimizados, em respeito à privacidade e segurança dos pacientes e em total conformidade com a nova lei geral de proteção de dados.

Em outro projeto, em parceria com a Roche, empresa pioneira em produtos farmacêuticos e de diagnóstico, o Sistema Hapvida anunciou, no final do ano passado, o funcionamento de um mega laboratório em Pernambuco, o Núcleo Técnico Operacional (NTO). A unidade tem capacidade para processar com eficiência cerca de 2,6 milhões de análises por mês. NTO é o primeiro projeto desta proporção da Roche – empresa com sede na Suíça – fora da Europa.

O NTO é uma central inteligente de controle e gestão de produção e qualidade integrado com capacidade para processar com eficiência 95% dos exames realizados mensalmente pela rede – cerca de 2,6 milhões de análises por mês.

O polo é o primeiro a levar inovação e automação laboratorial integrada deste porte ao Nordeste do país. “Isso resulta em mais agilidade, controle e qualidade às análises, processamentos e logísticas de exames laboratoriais de atendimento do Sistema Hapvida”, esclarece o presidente da operadora.

O impacto da pandemia nos sistemas de saúde

É fato que a pandemia acelerou alguns processos que já vinham sendo estudados em menor escala, como é o caso da telemedicina, por exemplo.

De acordo com o presidente da Hapvida, a operadora está atenta a essas inovações. “Temos um comitê permanente de inovação que traz para a prática caminhos decisivos praticamente em tempo real. A Maida.Health, nossa healthtech, desenvolve soluções cada vez mais assertivas para processos e clientes e é uma das maiores referências em Inteligência Artificial aplicada à saúde”, afirma Jorge Pinheiro.

Já o Fleury, maior grupo de medicina diagnóstica do país, aposta na medicina preventiva com a criação de uma plataforma eletrônica, o Saúde iD. A plataforma pretende unificar em um ambiente todas as informações de saúde de um usuário. E o próprio usuário decide se compartilha seus dados com médicos, operadoras de planos de saúde, entre outros.

Para o presidente do Fleury, Carlos Marinelli, a possibilidade de centralizar informações médicas aumenta a eficiência de procedimentos médicos já realizados, eliminando, por exemplo, a repetição de exames quando um paciente muda de médico.

A ideia é que a plataforma funcione como um marketplace da saúde, como um shopping virtual voltado à saúde. Por meio de um aplicativo o paciente consegue agendar e realizar teleconsultas, consultas presenciais, acessar resultados de exames diagnósticos e consultar seu prontuário eletrônico, por exemplo.

No futuro, a ideia é disponibilizar um marketplace que oferecerá a venda e entrega de medicamentos, kits de alimentação saudável, bens de consumo e ofertas para adoção de hábitos saudáveis.

Healthtechs devem impulsionar avanços na saúde

Uma grande parcela dessas inovações na saúde está sendo fomentada por healthtechs, startups que desenvolvem tecnologias para otimizar o sistema de saúde e tudo a ele relacionado.

Um estudo do Distrito Healthtech Report 2020 mapeou o setor de saúde no Brasil e catalogou mais de 540 healthtechs no país, sendo que metade delas possuem menos de cinco anos de atividade.

Por isso, com o tempo, a tendência é que essas empresas consigam se estruturar e crescer, indicando que há um caminho próspero para inovações no setor da saúde no Brasil.


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