Como investimentos em IA movimentarão o mercado nos próximos anos

Em busca de melhorias no relacionamento com o cliente e serviços mais competitivos, empresas investem pesado em IA

Foto: Shutterstock

A sociedade está cada vez mais familiarizada com a inserção da tecnologia no seu dia a dia, e isso faz com que as empresas se movimentem continuamente para buscar inovações. Nesse universo o uso da inteligência artificial, ou simplesmente IA, se destaca. A tecnologia, presente em um grande número de dispositivos e programas consegue interpretar informações, aprender e até “sentir”, além de ser capaz de processar dados não estruturados, como imagens e voz.

Seu potencial de aplicações é infinito, o que atrai atenção do mercado e diversos investimentos em IA. Segundo um estudo do Distrito em parceria com a KPMG, existem 702 startups de inteligência artificial no Brasil. Ainda segundo o estudo, o boom de fundação dessas startups aconteceu em 2012, mas foi sobretudo no biênio 2016/2017 o maior número de fundações, com 237 novas startups.

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O espaço para investimentos em IA no Brasil

Para Alex Winetzki, CEO da Woopi e diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Stefanini, a inteligência artificial terá impacto crescente em praticamente todos os setores da economia no Brasil e no mundo.

“De medicamentos a sementes, de logística a e-commerce, de atendimento a crédito, de gestão pública a educação, veremos nos próximos anos uma enxurrada de novas ideias e modelos de trabalho baseados em IA”, prevê o CEO.

Tal previsão pode ser corroborada pelo atual cenário de startups no Brasil. Ainda segundo o estudo do Distrito, a maioria das startups de IA hoje tem no máximo 50 funcionários, sendo quase todas elas empresas novas, de até quatro anos de existência, o que mostra que é ainda recente o investimento empreendedor em produção dessa tecnologia.

Esses dados explicitam que há ainda um caminho muito grande a se trilhar para as startups de IA, e que nos próximos anos muitas delas devem se juntar ao grupo das empresas médias e grandes.

Tal movimento pode ser notado também nos investimentos em IA no Brasil. Desde 2012, as startups voltadas para soluções de IA captaram US$ 839 milhões, por meio de 274 rodadas. Os anos de 2019 e 2020 foram os com mais investimento, cada qual superando o somatório de todos os demais anos.

Atualmente, 2020 é o recordista em volume de investimentos, com US$ 365 milhões por meio de 44 aportes.

Dentro dessa perspectiva, diversos projetos empresariais em estágio inicial ou estágio zero receberam aportes, o que denota uma disposição em investir em soluções inovadoras de IA.

Já o montante mais expressivo dos financiamentos foi dirigido a empresas mais maduras e em vias de escalonamento de suas atividades, formando um ecossistema com sinais claros de expansão

IA e a 4ª revolução industrial

Ainda segundo Alex Winetzki, competitividade é a palavra-chave para que o Brasil consiga acompanhar a chamada 4ª revolução industrial – uma mistura de produção pioneira com sistemas inteligentes. “O grande desafio da economia global é aumentar a produtividade e economizar recursos. Se não nos tornarmos mais produtivos, nossos concorrentes se tornarão e, em um mundo cada vez mais especializado e conectado, não evoluir é morrer”, esclarece.

O Brasil tem vantagens competitivas evidentes no que se refere a insumos básicos, mas que são pouco relevantes no mercado global quando considerada a produção industrial de ponta.

Contudo, o país ainda pode subir no ranking de inovação e tecnologia ao aproveitar o potencial de sua população de mais de 200 milhões de pessoas (enquanto o 5º país mais populoso do mundo), inclusive em áreas que requerem dados e larga escala, como inteligência artificial.

Sendo um produtor líder de café, cana-de-açúcar, carne bovina, etanol e soja, o Brasil provou também ser uma potência com centenas de startups, aceleradoras e incubadoras de AgTech, muitas das quais estão instrumentalizando IA.

Áreas promissoras de IA

A inteligência artificial tem avançado em todas as suas frentes. Processamento de linguagem natural, visão computacional, distribuição e roteamento e aprendizado de máquina, cada uma dessas áreas, deve trazer avanços significativos, segundo Alex Winetzki.

Processamento de linguagem natural

Permite que uma máquina entenda o significado de frases ditas e escritas por humanos, seja por texto ou por voz. Diante da popularização dos chatbots e das FAQs inteligentes, a capacidade de lidar com clientes de forma natural, ainda que automatizada, passou a ser o maior desejo das grandes empresas.

Visão computacional

É o processo de modelagem e replicação da visão humana usando software e hardware. O uso dessas imagens permite às máquinas reagirem e tomarem decisão de acordo com o que elas enxergam.

Na medicina, por exemplo, processamento de imagens de radiografia, ultrassonografia, tomografia entre tantos outros, valem-se desta tecnologia.

Veículos autônomos e sistemas de reconhecimento facial também são tecnologias que fazem amplo uso da visão computacional.

Distribuição e roteamento

Com o avanço do e-commerce, acelerado pela pandemia, e sua previsão positiva para os próximos anos, empresas de transporte e logística buscam na inteligência artificial automatizar processos e operações para aumentar o controle sobre as tarefas.

Aprendizado de máquina

É a capacidade que as máquinas têm de aprenderem a partir de uma grande quantidade de dados. A partir disso, elas podem tanto tomar decisões de maneira autônoma como ajudar os seres humanos a fazê-lo.

O machine learning – termo em inglês para aprendizado de máquina – também remete à possibilidade de as máquinas mudarem seu comportamento, por completo e de forma autônoma, baseada em sua própria experiência.

Empresas que encontraram soluções baseadas em IA

Para melhorar a segurança nas suas corridas, a 99 – empresa e aplicativo de transporte – criou uma solução de IA que monitora em tempo real todas as corridas e identifica, com base nos padrões aprendidos, chamadas de risco. A empresa estima em 60% a redução de ocorrências graves desde a adoção dessa solução.

Já a Quinto Andar, startup brasileira de tecnologia focada no aluguel e na venda de imóveis, utiliza a IA para precificar automaticamente os imóveis e, assim, garantir mais transparência e assertividade no processo de locação e/ou venda.

Outra que soube usar a tecnologia foi a Saint Paul Business School, que desenvolveu um projeto baseado em inteligência artificial com uma plataforma online de aprendizagem voltada aos negócios que conta com um assistente virtual, programado pelos professores e que tira dúvidas 24 horas por dia.


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