Saiba quais profissões estão ameaçadas pelas novas diretrizes de presença física

Pesquisa ressalta que o mix de trabalhos hoje vai mudar por conta do trabalho remoto, e-commerce e automação, criando mais urgência para treinos e preparação de equipes

Fonte: Unsplash

Profissões tendem a desaparecer ou mudar quando novas tecnologias aparecem e quando os vínculos comerciais aumentam. Com a Covid-19, aparece pela primeira vez a questão da presença física de uma ocupação ou profissão. Pensando nisso, a consultoria McKinsey desenvolveu uma forma de quantificar a necessidade de proximidade física em mais de 800 ocupações, agrupando-as em dez arenas de trabalho de acordo a proximidade entre trabalhador e colegas e trabalhador e clientes.

Em sua pesquisa, que traz um índice referente à dimensão física, a consultoria investigou ocupações e profissões em oito países de economia e modelos de mercado de trabalho diversificados: China, França, Alemanha, Índia, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Juntos, estes países contam por metade da população mundial e 62% do produto interno bruto global.

Para se ter uma ideia da metodologia do índice da pesquisa, a categorização coloca, por exemplo, apenas funções de cuidado que requerem interação próxima com pacientes na área de assistência média, como médicos e enfermeiras. A equipe administrativa de hospitais e consultórios médicos foi incluída na área de trabalho de escritório baseado em computador, onde mais trabalhos podem ser feitos remotamente.

Técnicos de laboratório e farmacêuticos trabalham na arena de trabalho de produção interna, uma vez que estas ocupações exigem o uso de equipamentos especializados no local, mas têm pouca exposição a outras pessoas.

Mudança para 100 milhões

A pesquisa ressalta que o mix de trabalhos hoje vai mudar como resultado do trabalho remoto e da aceleração do e-commerce e da automação, criando mais urgência para preparação de equipe para as mudanças que devem aparecer. Mais de 100 milhões de trabalhadores entre os países pesquisados – ou um a cada 16 – terão que mudar de ocupação até 2030.

O crescimento do trabalho estará calcado em ocupações de alta capacitação, enquanto as que exigem menos preparo devem desaparecer. Automações no e-commerce, como robôs em centros de distribuição, forçarão empregados de depósitos a deixarem suas ocupações. Em paralelo, o investimento na economia verde vai aumentar a necessidade de técnicos de turbinas eólicas. A demanda por fotógrafos deve crescer diante de nossa busca de formas visuais de se comunicar. As populações que envelhecem em muitas economias aumentarão a demanda por enfermeiros e cuidadores. Professores e instrutores também vão encontrar mais empregos na próxima década.

Ocupações em risco

De acordo com os achados da pesquisa, no pós-pandemia, portanto, empregos em arenas de trabalho com níveis mais altos de proximidade física tendem a sofrer uma maior transformação, desencadeando efeitos indiretos em outras áreas de trabalho à medida que os modelos de negócios mudam em resposta.

profissões ameaçadas pelo covid

Fonte: McKinsey

Durante a pandemia, o vírus afetou mais gravemente as arenas com as pontuações gerais de proximidade física mais altas: cuidados médicos, cuidados pessoais, atendimento ao cliente no local e lazer e viagens. No longo prazo, essas arenas também tendem a ser mais instáveis, embora a proximidade não seja a única explicação.

Para esta problemática de tempo por grau de interação, a pesquisa traz quatro casos modelos:

  • A arena de interação direta com o cliente in loco, por exemplo, inclui funcionários da linha de frente que interagem com os clientes em lojas de varejo, bancos e correios, entre outros lugares. O trabalho nesta arena é definido pela interação frequente com estranhos e requer a presença no local. Alguns trabalhos nessa área devem migrar para o e-commerce e outras áreas digitais.
  • A arena de viagens e lazer refere-se a funcionários que lidam com o cliente em hotéis, restaurantes, aeroportos e locais de entretenimento. Os trabalhadores nesta arena interagem diariamente com multidões. A Covid-19 forçou a maioria dos locais de lazer a fechar e aeroportos a operar em uma base limitada. No longo prazo, a mudança para o trabalho remoto e a redução das viagens a trabalho podem reduzir a demanda de trabalho nesta área. As queda nas viagens a negócio afeta comissários de bordo, mecânicos de aeronaves e carregadores de bagagem.
  • A área de trabalho de escritório baseada em computador inclui escritórios de todos os tamanhos e áreas de trabalho administrativas em hospitais, fóruns, cartórios e fábricas. O trabalho nesta arena requer apenas uma proximidade física moderada e número moderado de interações. Quase todo trabalho remoto potencial está dentro desta arena, na qual empresas devem continuar automatizando processos rotineiros, substituindo auxiliares de escritórios.
  • A produção externa e a arena de manutenção incluem canteiros de obras, fazendas, áreas residenciais e comerciais e outros espaços externos. A pandemia teve pouco impacto nesta arena, pois as ocupações e profissões desta categoria requer poucas interações entre pessoas, além de serem ao ar livre.

Para onde vamos?

A pesquisa frisa que estamos entrando em uma era de transições de ocupações – era esta que pede respostas para três perguntas-chave: que tipos de novas abordagens para treinamento podem ajudar as milhões de pessoas fazendo essas transições? Para proteger os tecidos sociais, que benefícios – como atestado médico e seguro-desemprego – serão necessários a todos os trabalhadores, incluindo esporádicos? Conseguirão líderes de governos e executivos promoverem soluções não apenas para lidar com a pandemia, mas também para navegar no mundo do trabalho pós-pandemia?

Ao que parece, o tempo [acelerado] que vivemos logo vai dizer.


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