Percentual de mulheres em cargos de liderança dobrou nos últimos anos

Pesquisa aponta que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer no mundo corporativo para ampliar a equidade de gênero em cargos de liderança; mas houve avanço

Foto: Divulgação.

Entre os avanços importantes que o mundo corporativo vem conquistando ao longo dos últimos anos estão as modificações em cargos de liderança, evidenciando as preocupações com diversidade. Atualmente é comum ver cargos de destaque sendo ocupados por mulheres nas grandes corporações, diferente do que acontecia há alguns anos.

O avanço nessa questão é importantíssimo. Para além das questões de gênero, a presença de mulheres em posições de liderança tem gerado bons resultados, sobretudo nos países europeus — reconhecidos pelo avanço no assunto.

Mesmo assim, ainda há um longo caminho para percorrer em relação a equidade de gênero dentro das corporações.

Lideranças desequilibradas

O Índice de Diversidade de Gênero (IDG), pesquisa elaborada pela Kantar, traz dados valiosos para as questões de gênero: apenas 10% das 668 maiores empresas da Europa, com ações em Bolsa, têm, em suas lideranças — cargos de coordenadores, diretores e CEOs — postos ocupados por mulheres e homens de forma equilibrada.

A avaliação é feita em 18 países e tem como objetivo incentivar práticas de inclusão, além de reconhecer as corporações que promovem a equidade de gênero no quadro de colaboradores.

O estudo mostra que mesmo com um atual percentual baixo de ocupação pelo gênero feminino, os resultados são melhores do que nos anos anteriores, o que indica que essa é uma preocupação que as empresas aos poucos tendem a resolver. De 2012 a 2020, a quantidade de mulheres que ocupavam cargos de liderança no mundo dobrou — de 10% para 20%.

As mulheres estudam mais para definir um plano de carreira

No Brasil, já é comprovado que o gênero feminino supera o masculino nos estudos e na preparação de carreira: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 23,5% das mulheres com mais de 25 anos possuem ensino superior, ao passo que a porcentagem de homens com a mesma titulação é de 20,7%.

Para a área de negócios, as mulheres também são maioria nas pós-graduações. Um estudo conduzido pela consultoria Expertise Educação aponta que 56% dos alunos de pós-graduação na área de administração e negócios pertencem ao gênero feminino, com faixa etária entre 25 e 34 anos.

Ainda que mais preparadas e com todas as titulações necessárias, a jornada no meio corporativo ainda precisa abrir mais espaços para incluí-las em cargos mais altos, que são majoritariamente destinados a homens.

A visão das empresas com diversidade para os consumidores

Para muitos consumidores, a pauta da diversidade e representatividade é levada a sério na decisão de virar ou não cliente. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Accenture: 46% dos compradores preferem empresas que apresentam em seu quadro de funcionários pessoas diversas e são capazes de pagar um adicional de 5% no valor final do produto caso percebam que a diversidade é de fato prioritária para as corporações.

Outro estudo da Kantar, o índice Reykjavik, também destaca que, no Brasil, 41% dos consumidores se sentem muito confortáveis em ter uma mulher CEO de uma empresa. Na avaliação, que mede de 0 a 100 o nível de conforto que a sociedade sente em ter mulheres e homens em posições de liderança, o Brasil se destaca entre os países do G7, com 66 pontos.

Ainda é um número inferior a nações com maior incentivo na inclusão feminina, como o Canadá e a França, com 77 pontos. Ainda assim, o Brasil está à frente de países como a Rússia (53) e a China (48), os piores colocados.


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