Plantas em casa: boas para a decoração e para a saúde mental

Tendência que se intensificou com a pandemia, o cultivo de plantas é algo acessível e traz grandes benefícios

Foto: Shutterstock

Monstera deliciosa, espada de São Jorge, Jibóia… esses nomes tão característicos passaram a aparecer bem mais nas redes sociais nos últimos tempos. Isso porque decorar a casa com plantas e dedicar um bom tempo ao cuidado com elas virou o hobby de muita gente durante a fase mais restrita da pandemia em diversos lugares do mundo.

No Brasil não foi diferente. Com mais tempo dentro de casa, só restou essa oportunidade para quem vive nos apartamentos, como no caso de Piera Peral, de 32 anos, articulista. “Eu nunca consegui ter um animal de estimação porque minha rotina, antes da pandemia, era muito fora de casa, então sempre tive algumas plantas em casa. Isso vem de família para mim”, conta. “Mas na quarentena eu dupliquei o número de plantas que eu tinha porque, de fato, cuidar delas é um momento terapêutico da minha semana. É um dos poucos momentos com mato, com terra que posso ter morando em São Paulo. Criei um refúgio dentro de casa. Ele não substitui o contato com a natureza, mas traz uma paz.”

Piera continua: “Durante a quarentena, virei tipo um ‘help desk das plantas’ e ajudei muitos amigos meus que começaram com esse hábito também. Um dia sai de casa e na minha porta tinha um vaso com uma planta que estava morrendo, deixado por algum vizinho que sabia que eu cuidava delas muito bem. Hoje ela está aqui linda, viva”, conta. O relato de Piera não é único: simboliza o que a criadora de conteúdo Stephanie Salateo, especializada em jardinagem e em decoração, também percebeu. Dona do perfil @Salateando, com mais de 57 mil seguidores no Instagram, e moradora de uma sala que chama de “selvinha”, ela reforça essa onda de colocar mais verde dentro de casa.

“Na minha opinião, são vários os motivos que levaram as pessoas a se interessarem mais por colocarem plantas em casa durante a pandemia. O primeiro é que, conforme elas ficaram mais em casa, puderam perceber que não tinham decoração de verdade, a casa não tinha uma identidade, eram simples objetos colocados lá. Passaram, então, a decorar mais o espaço já que iam ficar mais tempo nele”, afirma. “Em um segundo momento, acho que pesquisando referências muita gente também percebeu que as plantas eram parte dessa decoração e que é possível tê-las dentro de casa, sabe? As plantas realmente proporcionam uma sensação de bem-estar”, diz

Leia também: Cultivo de plantas em casa se torna hobbie e setor prevê crescimento 

De olho nessa tendência – e pensando que a pandemia está longe de acabar (e com ela seu vai e vem nas restrições de mobilidade), aproveitamos o conhecimento de Stephanie com plantas para pegar cinco dias essenciais a quem deseja adotar esse hábito. Confira abaixo:

Por onde começar

“Antes de mais nada, recomendo pensar primeiro em qual ambiente você quer colocar uma planta. Você precisa pensar se tem as condições ideais para que ela sobreviva naquele ambiente. Então é preciso identificar se bate sol ou não; se é um lugar de claridade, por exemplo. E depois, indico ir a um local onde haja alguém que identifique principalmente a questão da luminosidade para saber qual é a melhor opção de compra. É a forma de comprar a melhor planta para sua casa”, afirma a expert.

Já falando de que tipo de “verde” comprar, a expert recomenda: “Quem quer uma planta para um ambiente que não tem o sol direto, por exemplo, o que pode acontecer na maior parte das vezes para quem mora em apartamento, recomendo todas do tipo Philodendron, que gostam de ambientes com muita quantidade de luz, mas sem sol direto”, diz.

Já para quem não sabe nada sobre cuidados, vale começar com a Jiboia: “Ela é fácil de manter mesmo se o ambiente não é tão claro, se tem as paredes pintadas de cores escuras ou se há poucas janelas. Ela costuma sobreviver bem, gosta de qualquer luminosidade e é só regar quando a terra estiver ficando seca em cima”, explica a expert.

Benefícios das plantas em casa

Em tempos nos quais muitos estão passando horas a fio sem sair de casa (por trabalho, estudos, confinamento), até mesmo a questão da decoração interior ganha mais destaque. E nesse ponto, também vale a pena investir nesse “jardim interior”: “A decoração fica muito mais rica quando a gente coloca plantas. Somente com objetos decorativos dificilmente você terá tantos volumes ou textura como com folhas diferentes, por exemplo”, explica a criadora de conteúdo.

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Outra coisa que pouca gente se lembra é que as plantas funcionam como filtro para o ar que a gente respira. Em outras palavras, isso significa que há ainda mais esse benefício de investir nesse tipo de companhia para dentro de casa.

“Tem muita gente que ainda acha que não pode ter um vaso de planta dentro do quarto, por exemplo, porque ela vai liberar gás carbônico à noite e isso pode prejudicar a respiração. Mas não funciona assim”, adianta Stephanie. “Muitos seres vivos liberam gás carbônico com a respiração. Nós, seres humanos, os cachorros, os gatos. Trazendo plantas para sua casa você consegue filtrar o ar durante o dia e, à noite, a quantidade de gás carbônico por elas liberadas é muito pequena. Ou seja, pode ter planta em qualquer lugar da casa que você terá, inclusive, uma sensação maior de bem-estar”, afirma ela.

É caro ou barato?

Sabendo por onde começar e como ir escolhendo a planta perfeita para o seu ambiente, pode surgir a dúvida da questão do valor a ser gasto. “Na minha opinião, eu vejo dois tipos de pessoas que cultivam plantas. Existem os colecionadores, que gastam dinheiro com isso. E existem os entusiastas. Eu me considero uma entusiasta e acho muito possível tê-las em casa sem gastar uma fortuna”, conta a criadora de conteúdo.

“Tem espécies que custam mais de R$100 a planta adulta, grande. Mas é possível comprar a mesma espécie ainda pequena, por cerca de R$20, por exemplo. É questão de ter paciência. Podemos aprender mais sobre isso com as plantas”, diz ela.

“Se você quer começar e não deseja investir muito dinheiro nisso agora é só optar pelas mudas e ir aos poucos”, conta. Nessa seara, os preços podem variar bastante e é possível começar seu jardim interior com espécies que custam R$2, por exemplo”. A dica de ouro aqui, segundo a expert, é não ficar apegado à planta do momento, que pode custar mais caro do que outras.

 Bem-estar em jogo 

Além dos benefícios estéticos e de limpeza do ar, como já foi falado, cultivar plantas em casa também ajuda na questão do cuidado com a saúde mental. “As plantas precisam da nossa atenção, porque são seres vivos, certo?”, afirma a criadora de conteúdo. “Costumo dizer que cuidar de plantas é igual ter um relacionamento, você precisa se dedicar, observar, ver como reagem aos seus cuidados. Brinco que acho até mais fácil cuidar de um relacionamento com plantas do que com seres humanos, porque elas demonstram tudo que estão sentindo. Se estão com sede murcham, se recebem muita água, acabam amarelas, etc”, brinca.

É uma questão de prestar mais atenção no seu entorno e até de se obrigar a fazer mais pausas durante o dia para saber se aquele vaso está indo bem. Para Stephanie Salateo essa interação é uma grande chave para o sucesso tanto na hora de manter o jardim como no momento de deixar a cabeça fresca. “Cuidar de plantas realmente faz bem. A gente desacelera. Quando se está dedicando aquele momento, você mergulha naquela atividade e ela acaba te desligando de outras preocupações”, diz.


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