Em que estágio está a geração de energia renovável no Brasil?

Ainda é preciso avanços no setor, mas fontes energéticas sustentáveis prometem gerar 1,2 milhão de novos empregos e tirar o país do patamar de importador

Foto: Shutterstock

Entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), está o acesso à energia limpa. A meta é até 2030 garantir a preço acessível energia renovável, confiável e sustentável para todos.

A agenda mundial criada em 2015 mostrava-se ambiciosa, porém, alcançável. Mas, passados seis anos, países caminham a passos lentos, inclusive o Brasil. Contudo, mesmo distante da meta, há uma grande movimentação no setor, uma vez que hoje, mais do que nunca, o tema meio ambiente está no radar.

De acordo com o Relatório de Tendências Globais de Investimento em Energia Renovável de 2020, do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (Pnuma) em parceria com a Bloomberg NFE, os custos para instalação de energia limpa diminuíram. A queda, segundo o estudo, é uma oportunidade de recuperação econômica após a pandemia gerada pelo novo coronavírus.

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A energia renovável no cenário brasileiro

O Brasil é um dos países líderes quando o tema é energia renovável. Atualmente, o país ocupa o terceiro lugar no ranking mundial geral de energias alternativas, que incluem bioenergia, eólica, solar, hidráulica e geotérmica.

No quesito energia solar, no ano passado, o país entrou para o grupo das 20 principais nações produtoras de energia fotovoltaica, ocupando a 16º posição, à frente de países como a Bélgica, por exemplo. A ascensão foi de cinco colocações em comparação a 2018 e 2019. O Brasil é o único país da América Latina que se destacou como um dos grandes geradores de energia solar.

Já quem ocupa as primeiras posições são China, Japão, Estados Unidos e Alemanha, respectivamente. Para se ter uma ideia, a potência acumulada do Brasil em 2019 foi de 4.533 MW, enquanto que os chineses acumularam 205.072 MW.

A energia eólica, por sua vez, colocou o Brasil como o sétimo país com mais capacidade instalada de energia gerada por meio dos ventos. Isso representa mensalmente quase 30 milhões de lares brasileiros sendo abastecidos com este tipo de energia limpa, consolidando-se como a segunda principal fonte de energia elétrica no país.

Agenda 2030

Apesar dos avanços no setor, a probabilidade de alcançar a meta da Agenda 2030 é pequena. Segundo dados do Social Progress Index (SPI), baseando-se em questões sociais e ambientais, as nações somente conseguirão atingir os objetivos propostos pela ONU depois de 50 anos da data prevista.

Com o Brasil não será diferente. Ele ocupa a 61ª posição no ranking geral do estudo. Dos diferentes itens analisados, a pior colocação, em 95° lugar, foi na área de acesso ao conhecimento básico, relacionado aos fundamentos do bem-estar.

Já a área brasileira melhor avaliada na pesquisa é a questão de necessidades básicas humanas, que inclui moradia, uso de combustíveis limpos e tecnologia para cozinhar, assim como acesso à eletricidade e o número de mortes atribuídas à poluição do ar. Neste bloco o país ocupou a 39ª posição.

Energias renováveis e geração de empregos

Hoje, o argumento de que sustentabilidade é um conceito que encarece ações da empresa ou é apenas uma jogada de marketing, caiu por terra. É justamente o contrário, pois esse passo importante para cessar a emissão de poluentes, conquistado por meio da geração de energia renovável, aquece também o mercado de trabalho.

Portanto, pode-se afirmar que a economia verde tem sido benéfica para todos. Uma prova disso é o estudo do Fórum Econômico Mundial, feito em parceria com a Accenture, apresentado este ano. De acordo com a pesquisa, se o país continuar investindo em energia limpa, como a solar e a eólica, 1,2 milhão de empregos podem ser gerados até 2025.

Inclusive, o mercado de trabalho foi um dos destaques brasileiros da pesquisa que analisou o impacto dos sistemas de energia renovável. “A concorrência no nível de varejo provavelmente verá o aumento de novos participantes, criando empregos em todas as funções, como finanças, marketing e operações”, descreve o relatório.

Outros elementos como o investimento no setor, o custo e a competitividade de investimento e a atualização do sistema também se destacaram com altos índices de impacto positivo.

A conclusão da pesquisa é que os brasileiros terão serviços de mais qualidade e com melhores preços. “A competição para o usuário final provavelmente aumentará a qualidade dos serviços oferecidos, o que possivelmente incentivará o aprimoramento de toda a cadeia de valor”, destaca o estudo do Fórum Econômico Mundial.

Além das vagas de trabalho e da melhoria nos serviços, durante os próximos cinco anos pode ser reduzida a emissão de quase 30 toneladas de gases de efeito estufa.

Desafios e tendências do setor

Apesar dos avanços e de toda movimentação positiva no setor de geração energia renovável, ainda há muito a se fazer para que tanto a população quanto a indústria e demais serviços tenham acesso à energia limpa, confiável e de baixo custo.

O Brasil se mostra promissor em relação a essas conquistas que, consequentemente, beneficiam também o meio ambiente.

Entretanto, ao mesmo tempo em que o uso de energias renováveis pode ser parte da solução das mudanças climáticas que o planeta enfrenta, a adaptação às alterações no clima é um dos principais desafios da geração de energia sustentável, segundo o Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, lançado em dezembro do ano passado.

“Por contar com grande participação de fontes renováveis, variações nos padrões de temperatura, precipitação, vento e insolação ao longo do território nacional, além dos possíveis danos ocasionados por eventos extremos, como secas, enchentes e furacões, podem impactar a disponibilidade dos recursos renováveis e a oferta de energia”, aponta a publicação do Ministério de Minas e Energia (MME) feita em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O PNE 2050 aponta que é preciso garantir a segurança do abastecimento mesmo diante de eventos relacionados às mudanças climáticas. “É necessário que tanto os empreendimentos quanto a infraestrutura de energia revisem sua vulnerabilidade a tais fenômenos e assegurem que a matriz elétrica seja mais resiliente aos mesmos.”

No Brasil, uma parcela significativa de fontes de energia é composta por recursos renováveis. O país possui um vasto território, condições climáticas favoráveis, riquezas naturais e solo fértil, o que resulta na superação da demanda de energia estimada para as próximas três décadas.

“Fato relevante é que as expansões da oferta e de consumo de energia se farão de forma sustentável, com a manutenção dos indicadores de renováveis: entre 45 e 50% na matriz energética, e entre 80 e 85% na matriz de geração elétrica”, descreve o plano do Ministério de Minas e Energia.

A tendência, segundo o PNE, é que o país saia da posição de importador líquido de energia para exportador.

Resta agora saber administrar com competência a abundância desses recursos energéticos.


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