Como a pandemia influenciou as prioridades de vida da Geração Y

A maior geração do Brasil mudou sua forma de olhar para a vida em casa, para o consumo e a comunidade em que vive

Foto: Shutterstock

A pandemia de Covid-19 mexeu com corações e mentes de pessoas de várias idades no mundo todo e com os membros da Geração Y não foi diferente. Para os millennials, como são chamados, a crise gerada pelo coronavírus foi determinante para promover redescobertas e mudar prioridades de vida.

O fato é significativo. A Geração Y, formada pelos nascidos entre o início dos anos 80 e o ano 2000, ocupa uma faixa de destaque na população brasileira. Segundo o IBGE e a pesquisa Millennials – Unravelling the Habits of Generation Y in Brazil, conduzida pelo Itaú BBA, são cerca de 70 milhões de pessoas, o que equivale a 34% dos brasileiros. Isso faz da geração Y a maior do país e tudo o que acontece com esse grupo impacta a vida de todos.

A adaptação durante a pandemia

Segundo Marina Roale, head de pesquisa do Grupo Consumoteca, os membros da Geração Y, em questões estruturais, se saíram bem na adaptação às mudanças impostas pela pandemia.

Isso aconteceu, segundo ela, porque os millenials, por sempre valorizarem serviços de conveniência e terem familiaridade no ambiente virtual, foram os primeiros a aceitar uma nova rotina digitalizada.

A realidade de pouca mobilidade no período, com menos saídas para compras e idas a restaurantes, também trouxe para muitos uma sobra de dinheiro usada para o consumo de indulgências, de acordo com Marina Roale. Ou seja, a compra de mimos ou produtos que são supérfluos, mas trazem prazer.

O cenário, porém, não foi de tranquilidade. “Quando a gente pensa no impacto psicológico que pandemia teve sobre eles, percebemos que o abalo foi maior”, diz a head de pesquisa sobre os integrantes da geração Y.

A pandemia trouxe incertezas sobre o futuro em vários aspectos, o que gerou, segundo Marina Roale, uma reflexão sobre as escolhas de vida feitas até então.

As prioridades de vida da Geração Y

Ficar mais em casa levou os brasileiros, de um modo geral, a redescobrirem a rotina do lar.

De acordo com o levantamento da consultoria EY Parthenon, com base na pesquisa EY Future Consumer Index, sobre o comportamento do brasileiro na pandemia, 59% dos entrevistados aumentaram os cuidados com suas casas, 69% passaram a cozinhar mais e 50% reduziram a contratação de auxiliares para as tarefas domésticas.

Para as gerações mais velhas, mais apegadas às posses materiais, o processo foi mais natural. Com a geração Y, vista como fluída e sem amarras, houve uma revisão de valores.

“Essa pandemia fez os millennials passarem a valorizar coisas que até então não eram associadas à sua geração”, diz Marina Roale. Segundo ela, além de moradias mais espaçosas, a própria relação com os filhos e os relacionamentos foram revistas.

A qualidade de vida se tornou uma prioridade para os millennials que, durante a pandemia, experimentaram uma queda no nível de estresse, como mostra a pesquisa Deloitte Global Millennial Survey 2020.

O levantamento, realizado em duas etapas, uma entre novembro de 2019 e janeiro de 2020 e outra entre abril e maio do ano passado, mostra que a desaceleração da vida durante a pandemia trouxe menos estresse para 50% dos membros da Geração Y.

Isso não significa uma falta de preocupação com o bem-estar da família, a situação financeira ou os rumos da carreira não foram impactos fortes, mas aponta para a possibilidade exposta pela pandemia de, entre outras coisas, trabalhar com mais qualidade em home office, gastar menos, mas investir em produtos melhores e levar uma vida leve.

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Compromisso social e com o meio ambiente

Quando comparados com os membros de gerações mais velhas, os millennials sempre foram mais preocupados com questões sociais e com o meio ambiente. A pandemia potencializou esses compromissos, colocando-os no centro das decisões desse público, principalmente quanto às relações de consumo.

De acordo com a pesquisa da Deloitte a pandemia despertou a empatia nas gerações mais jovens, que se mostram mais preocupadas com as necessidades dos outros e têm intenção de impactar positivamente as comunidades em que vivem.

As decisões de compra da geração Y, segundo o levantamento, passam a considerar essa questão após a pandemia, com os pequenos negócios locais sendo privilegiados, assim como as grandes empresas que, durante a crise do coronavírus, tiveram uma ação positiva na sociedade.

Na primeira fase da pesquisa, 38% dos millennials afirmaram ter iniciado ou aprofundado o relacionamento com empresas que afetam o meio ambiente de forma positiva, já 64% reduziram o uso de plástico descartável e disseram estar reciclando mais.

Leia também: A hora para empresas desenvolverem a economia circular é agora 

O planejamento familiar após a pandemia deve levar em conta a questão ambiental, aponta o trabalho da Deloitte, com 62% da geração Y afirmando que considerará o meio ambiente na hora de avaliar quantos filhos deve ter.

O olhar dos millennials sobre o trabalho também foi afetado. Antes mais independentes e menos apegados, os membros da geração Y agora se mostram mais fieis aos empregadores e consideram a possibilidade de ficar mais tempo na atual função do que antes. Claro, desde que a organização utilize sua posição para fazer a diferença da sociedade.

O futuro da geração Y pós-pandemia é menos individualista e mais colaborativo e voltado para bem comum. Empresas e marcas que adotarem essa postura serão mais valorizadas por esse grupo.






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