Além do Clubhouse: conheça outras redes sociais exclusivas

A plataforma de áudio que se tornou febre não é a única comunidade privada no mundo digital, nem a mais diferente

Foto: Shutterstock

Se você ainda não está no Clubhouse, o aplicativo de mensagens de áudio que deu o que falar e só pode ser acessado através de um convite, não fique triste. O universo das redes sociais exclusivas é amplo e cheio de nichos, o que significa que, por mais que você seja uma pessoa hiperconectada, invariavelmente, sempre estará fora de alguma delas. Pelo menos por um tempo.

Imagine que existe uma rede social criada para concentrar a comunicação de apenas duas pessoas. Isso mesmo, um par. É o Bedford, um aplicativo disponível exclusivamente no sistema iOS – para dispositivos da Apple – que une funções do WhatsApp e do Snapchat e deve ser usado apenas por duas pessoas.

As estratégias por trás da exclusividade

Segundo o jornalista e especialista em marketing digital, Marcelo Bueno, a exclusividade no mundo das redes sociais não é novidade e, em muitos casos, é momentânea. “O Gmail, que hoje todo mundo tem, era só para quem tinha convite quando surgiu. O Orkut também”, cita, se referindo à rede social mais popular do Brasil antes da chegada do Facebook.

Para especialista em marketing digital, o acesso restrito é uma estratégia que gera curiosidade nas pessoas. “As redes sociais, por natureza, são locais que você acessa para conhecer pessoas. Quanto mais exclusiva essa rede, mais ela gera curiosidade sobre como a gente pode entrar e tirar proveito dela”, explica.

Outra razão comum para a limitação de acesso é o desenvolvimento. Uma rede social restrita permite que seus criadores realizem testes e implementem funções antes que ela se popularize.

Marcelo Bueno lembra que o Instagram fez o mesmo caminho do Clubhouse, começando pelo iOS para depois ganhar as inúmeras e diferentes telas dos aparelhos com o principal sistema concorrente. “Depois que ele chegou para o Android suas funcionalidades se diversificaram bastante, passou a aceitar fotos em formatos diferentes e vídeos. Então, quando grande parte da população pôde acessá-lo, havia muitas novidades”, conta.

Confira a seguir uma lista de redes sociais exclusivas e curiosas que podem fazer você esquecer a vontade de entrar para o Clubhouse – pelo menos por alguns minutos.

Redes sociais para VIPs

Para uma rede social, estar disponível apenas para dispositivos da Apple – que são mais caros do que os que utilizam o sistema Android – na prática, é uma característica que seleciona o seu público pelo poder aquisitivo.

Algumas delas, porém, não precisam contar com esse fator, pois só permitem a inclusão de novos membros mediante assinaturas que não são baratas.

É o caso da aSmallWorld, uma rede social popular entre pessoas muito ricas, famosas e influentes que é conhecida como o “MySpace para milionários” ou “High-society da net”. A comunidade nasceu para a divulgação de conteúdo sobre viagens e estilo de vida sobre os lugares mais incríveis do planeta. Para participar é preciso escolher um plano, cujos preços variam de US$ 105 a US$ 27 mil ao ano, e receber uma aprovação.

A rede é conhecida por divulgar hotéis e restaurantes de luxo e também por recusar diariamente novos membros e expulsar outros que não seguem suas regras de etiqueta.

Outra comunidade online para poucos é a Rich Kids, que se autodenomina “a rede social mais exclusiva do mundo”. Com uma assinatura mensal que custa € 1 mil (o equivalente a cerca de 6.800 reais), a Rich Kids funciona como o Instagram. O conteúdo até pode ser visto e seguido por não-membros, mas apenas os sócios podem fazer postagens que, obviamente, giram em torno do estilo de vida de quem tem muito dinheiro.

O aplicativo de relacionamentos Raya, o “Tinder dos milionários” e mais uma rede social exclusiva para VIPs. Ela só está disponível no iOS  e seus membros são aceitos com base em uma análise feita por algoritmo do número de seguidores do usuário no Instagram e a quantidade de amigos em comum que possuem conta na plataforma.

Além disso, quem se candidata passa por uma avaliação de um comitê. Se for aceito, o membro ainda precisa escolher um plano de assinatura de um mês, seis meses ou um ano.

O Raya possui regras rígidas de privacidade para que o conteúdo divulgado na plataforma não seja exposto. Quem tira um print da tela, por exemplo, pode ser expulso da comunidade.

Comunidades para grupos e interesses específicos

Nem todas as redes sociais fechadas são sobre beleza, riqueza e luxo. Algumas foram criadas simplesmente para reunir pessoas que possuem interesses similares mais específicos.

É o caso do Daisie, criado pela atriz inglesa Maisie Williams, a Arya Stark de Game of Thrones. A plataforma de colaboração criativa está disponível na App Store e no Google Play e foi criada para reunir artistas, escritores, roteiristas, leitores e criadores em geral.

O objetivo do Daisie é ser uma comunidade online onde as pessoas possam trocar portfólios, ideias e projetos e, principalmente, trabalhar de forma colaborativa. A plataforma não aceita perfis de empresas porque é focada no talento humano.

Já o Quinto é uma rede social brasileira de votação e debate criada por jornalistas como uma plataforma para captar a percepção dos seus membros sobre temas atuais relevantes na sociedade.

Disponível para os aparelhos que usam Android e iOS, o Quinto (cujo nome faz referência à voz da população, o quinto poder) permite que o seu usuário responda perguntas sobre assuntos de 14 categorias diferentes apenas com um “sim” ou “não”.

As conexões entre os membros da rede social são permitidas. Eles também podem fazer sugestões de temas para debates. Para fazer parte do Quinto é preciso fornecer o CPF para evitar a interferência de perfis falsos nos resultados obtidos pela plataforma.

Você precisa estar no Clubhouse ou em uma rede exclusiva?

Nenhuma pessoa ou empresa precisa sofrer por não estar em uma rede social específica. Claro, desde que o contato com a comunidade que está na plataforma não seja vital para negócios ou para os relacionamentos.

Para Marcelo Bueno a decisão sobre estar em uma rede social deve passar pelo perfil da organização e sua estratégia de comunicação com o cliente. “As empresas não precisam estar em todas as redes sociais. É muito difícil ter perfis em todas e gerar conteúdo relevante para elas”, diz.

Embora algumas empresas já tenham realizado ações no Clubhouse no Brasil, por exemplo, a plataforma ainda é centrada em pessoas físicas. Na opinião do especialista em marketing digital, a nova rede representa um bom canal para que os profissionais das empresas possam falar um pouco sobre os seus conteúdos, sobre bastidores ou campanhas específicas.

“Você como proprietário de conhecimento quer compartilhar alguma coisa com as pessoas. Por isso o Clubhouse tem dado certo. É muita gente bacana compartilhando conteúdo gratuito para quem quiser ouvir”, avalia.


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