3 dicas para aliviar o cansaço visual causado por telas em excesso

Com a digitalização do trabalho, das relações sociais e do entretenimento, é necessário se atentar à saúde ocular

Foto: Shutterstock

Ficar muito tempo em frente ao computador, celular e à televisão para trabalhar, estudar, conversar com os amigos e se informar já se tornou rotina para alguns. Entretanto, seja qual for a idade, o uso de telas em excesso gera um alerta aos sinais que o corpo manifesta, entre eles, o cansaço visual.

55% dos brasileiros que participaram de pesquisa da Global Web Index apontaram que utilizam redes sociais digitais com mais frequência do que antes da pandemia de Covid-19. O estudo teve uma amostra de 15 mil indivíduos de 17 países diferentes.

Em levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizado em 2020 com 900 crianças de 4 a 6 anos, o uso de telas diário superior a duas horas se mostrou prejudicial à capacidade motora dos pequenos.

Todavia, dados da Pesquisa Brasileira de Mídia de 2015 já premeditavam o avanço da presença das telas e da alta conectividade no cotidiano das pessoas: uma média de quatro horas diárias para televisão e de cinco para a internet.

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Os sintomas do cansaço visual e o mau da luz azul

A luz azul, conhecida popularmente como aquela que sai das telas dos dispositivos tecnológicos, é capaz de aumentar o risco de degeneração macular, doença grave que causa a deterioração da retina, segundo a Agência Nacional de Segurança Sanitária, Alimentação, Meio Ambiente e Trabalho da França.

Ainda de acordo com o estudo, o risco se agrava com o uso exacerbado de celulares, tablets e computadores, principalmente no período noturno, porque há a inibição da produção de melatonina, hormônio do sono. Além disso, é à noite que os olhos ficam mais sensíveis à luz, e quanto mais tempo de exposição, maior é o prejuízo ocular.

“Quando passamos muitas horas seguidas na frente das telas, o nosso músculo responsável pela visão de perto (acomodação) se contrai por mais tempo. Também podemos apresentar sintomas relacionados com a má lubrificação ocular”, salienta Luiz Augusto Costa da Silva, médico oftalmologista especializado em retina e catarata.

Os deslocamentos entre um local e outro eram alternativas que serviam de descanso para a visão. Porém, com a pandemia, eles foram extremamente reduzidos ou, até mesmo, cessados por completo. Diante desse cenário, os olhos se esforçam para que o ser humano continue a realizar suas atividades sem interrupções e é nesse momento que o cansaço visual aparece.

Alguns dos principais sinais são:

  • Ardor, inchaço e vermelhidão na região dos olhos;
  • Lacrimejamento excessivo;
  • Dor na cabeça, nos ombros ou nas costas;
  • Aumento da sensibilidade à luz;
  • Embaçamento visual;
  • Tontura.

Caso sinta qualquer um desses sintomas, procure assistência médica especializada.

Dicas para aliviar a visão

Por se tratar de algo que todos que passam muito tempo utilizando aparelhos eletrônicos estão suscetíveis, o cansaço visual pode se tornar muito comum. Por isso, o médico oftalmologista Luiz Augusto Costa da Silva dá algumas dicas:

  • Faça pequenos intervalos: enquanto estiver na frente das telas, realize, a cada 30 minutos, pausas para se levantar, ir ao banheiro ou à janela e olhar para longe, exercitando a visão.
  • Pisque os olhos com frequência: piscar mais significa aumentar a lubrificação ocular, o que já previne alguns sintomas do cansaço visual.
  • Relaxe a visão: com o músculo de acomodação, que é utilizado para ver de perto, mais relaxado, diminui-se as chances de miopia, inclusive em crianças. Por isso, reduza o tempo em frente às telas para manter uma boa saúde ocular.

Saúde física e mental em harmonia: conciliar para ter qualidade de vida

Se engana quem pensa que o cansaço visual se trata apenas de uma questão física. Primeiro, é necessário se perguntar: por que preciso ficar tanto tempo em frente às telas? Consigo reduzir esse número?

Se isso não for levado em consideração, o corpo passa a emitir indicativos que denotam certo esgotamento. “Estudos recentes mostram que o excesso de uso de redes sociais digitais pode prejudicar a atividade cerebral. A gente está estimulando áreas sem nenhuma necessidade”, pontua Juliana Gebrim, psicóloga clínica e neuropsicóloga. De acordo com a especialista, é importante se desligar das telas durante o dia, e não somente quando for dormir.

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“A mente não deve ficar tão estimulada à noite para não ter problemas com insônia. Por isso, o ideal é não ter acesso aos eletrônicos pelo menos duas horas antes de dormir, porque já temos comprovação científica de que isso causa ansiedade, depressão, problemas de atenção, sobrepeso, distúrbios alimentares e transtornos posturais. Na pandemia, o equilíbrio entre a vida off-line e on-line se tornou ainda mais importante”, afirma.

Para manter uma saúde mental equilibrada, é preciso organizar a rotina e destinar um tempo para lazer e relaxar. Dessa forma, Gebrim formulou uma lista que pode ajudar nesse processo.

  • Filtre o que você consome: leia somente o suficiente para se manter informado: o excesso de informação gera ansiedade. Cuidado com as fake news e com a infodemia (disseminação excessiva de informações sobre uma doença).
  • Controle o estresse: mexa o corpo, tenha um sono reparador e uma alimentação balanceada. Faça tudo que puder para evitar o contato com a Covid-19 e foque em sua saúde.
  • Não se isole afetivamente, tenha conexões positivas: cultive pessoas empáticas ao seu lado. Evite conflitos desnecessários e mantenha contato com familiares e amigos. Conversar com eles vai ajudar na troca de experiências, além de contribuir para a superação de estresse e tristeza.
  • Dê um tempo das redes sociais digitais: a pessoa mais sensível pode se desconectar um pouco das redes sociais digitais. Concentre-se em projetos pessoais e, só quando se sentir seguro, volte a utilizá-las.
  • Procure auxílio profissional: se perceber que precisa de assistência especializada, marque uma sessão com um psicólogo. Isso irá ajudar a conhecer a raiz do vício, entender como ele funciona e analisar o porquê.

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