Google não vai rastrear usuários para vender anúncios. O que muda na prática?

Big tech promete abandonar o rastreamento individualizado para a oferta de publicidade, prática constantemente criticada no âmbito da privacidade

A crescente onda de insatisfação de usuários e de governos contra empresas como Facebook e Google, especialmente quanto ao uso dos dados pessoais, fez o maior buscador do mundo tomar uma decisão – possivelmente uma das maiores dos últimos anos.

O Google anunciou que não vai mais usar o histórico individual de navegação dos internautas para embasar o oferecimento de seus anúncios. Segundo a big tech, a medida entrará em vigor já em abril.

A partir do próximo mês, para manter o lucro com os anúncios publicitários, a empresa passará a agrupar usuários com comportamentos similares para “esconder” as pessoas “no meio da multidão” e, portanto, aumentar a privacidade.

Vale lembrar que a mudança é influenciada pelo anúncio feito em 2020 pela empresa dizendo que deixaria te autorizar a coleta de cookies de terceiros no seu navegador, o Chrome.

Cookies

Para quem não tem familiaridade com o assunto, cookies são pequenos pacotes de dados armazenados em um navegador, criados para “facilitar” a navegação. Um exemplo: ao entrar em um marketplace no qual o usuário já tem cadastro, o navegador “lembra” seu login para que não seja necessário digitar novamente. Em suma, cookies são informações armazenadas no navegador.

Os cookies, porém, além da praticidade, são úteis para a empresa direcionar o conteúdo publicitário.  E é aí que entram os cookies de terceiros: quando sites trocam essas informações, gerando um histórico amplo de navegação do internauta, facilita uma publicidade cada vez mais direcionada.

O que muda na prática para o consumidor?

Esperava-se que a gigante da tecnologia criasse identificadores alternativos para continuar armazenando dados de navegação, mas sem utilizar cookies de terceiros.

No anúncio feito nesta quarta-feira (3), porém, o Google não anunciou novos identificadores. A proposta, agora, é entender os gostos “gerais” dos usuários para que seja possível agrupá-los de acordo com suas preferências.

Em tese, isso daria mais privacidade para as pessoas e iria ao encontro de novas legislações em todo o mundo, como é o caso da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil.

No entanto, a mudança não altera a forma como o Google lida com os dados que ela recebe todos os dias de cada usuário. Ou seja, se um anunciante quiser oferecer publicidade para uma pessoa em específico, usando seu endereço de e-mail, nada muda. A diferença é que a propaganda não mais aparecerá em outros sites.


+ Notícias

Felipe Neto, e-book e LGPD: a relação deles com o chamado bem virtual

O embate entre duas defesas dos consumidores






ACESSE A EDIÇÃO DESTE MÊS:

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

CM 262: O consumidor é phygital

CM 261: O respeito ao cliente é o caminho para 2021

Anuário: A omnicanalidade em todo lugar

VEJA MAIS