Pix ainda encontra dificuldades para entrar no varejo digital

Estudo mostra que 98,3% dos estabelecimentos usam o cartão de crédito como principal meio de pagamento no e-commerce

Foto: Marcello Casal Jr. | Agência Brasil

Desde a sua chegada, o Pix tem dado o que falar. O recurso sem dúvidas facilitou o processo de transferências e pagamentos online e foi muito bem aceito por boa parte da população – um levantamento da FGV mostra que 78% dos brasileiros já o utilizaram. Porém, no varejo digital, a aderência ainda é baixa. É o que diz o estudo realizado pela GMattos, consultoria que foca no e-commerce e em meios de pagamentos, encomendado pela IDid.

Ainda que a ferramenta seja mais fácil e gratuita para o consumidor, ela não ganhou espaço no e-commerce. O estudo destaca que o cartão de crédito segue na liderança entre os varejistas. 98,3% trabalham com ele como meio de pagamento. Para os boletos bancários, a taxa de adesão cai para 75%. Já para as wallets (carteiras digitais), a aceitação fica em torno dos 50% e, por fim, o cartão de débito contém 38,3%.

Vale lembrar que, apesar de gratuito para o consumidor em pessoa física, o Pix tem taxas (mais baixas) para os demais casos, de acordo com o Banco Central.

Formas de pagamento do varejo digital

Com apenas quatro meses de existência, deve-se notar que ainda levará algum tempo até que o Pix seja consolidado como meio de pagamento no varejo. A pesquisa mostra que só 16,7% dos estabelecimentos oferecem a ferramenta como opção.

Isso significa que entre as 60 empresas avaliadas, apenas 10 oferecem a opção. Três delas são de departamento, duas companhias aéreas, duas de moda, uma de bebidas, uma do mercado pet e a última trabalha com utensílios eletrônicos. Já para o uso de outros meios, somente uma entre todas as lojas analisadas não aceita pagamento por cartão de crédito.

É interessante ressaltar que o cartão de crédito ainda é bastante usado pela geração Z. Sendo assim, a conquista desse público ao Pix pode mudar a forma como consomem produtos. Essa mudança deve acontecer com o passar do tempo, ainda em 2021.

A tendência é que o uso do Pix no varejo digital siga em crescimento. Mesmo com pouco tempo de circulação, a ferramenta já é amplamente usada no país. Para se ter ideia, o número de transações por Pix já é cinco vezes maior do que as transações por TED.

Uso dificultado no e-commerce

Para o uso com o e-commerce, a desvantagem do Pix está naquilo que ele mais apresenta de versatilidade para o consumidor: o pagamento imediato. Na maior parte das vezes, o varejo digital depende do estoque. Se o produto não está disponível, o estorno do valor via cartão de crédito é mais facilitado. E se o produto entrar em estoque em um futuro próximo, a compra não fica perdida.

O estorno no Pix já é uma realidade, vale destacar. No entanto, o processo entre pessoas físicas é mais fácil do que entre empresas e pessoas. Para a segunda opção, o estorno do cartão de crédito acaba sendo mais simples.

Já para o varejo físico, o pagamento por QR Code do Pix acaba sendo uma vantagem. Nesse caso, o meio de pagamento se torna mais promissor e de fácil acesso.

Outro fator que dificulta o uso da ferramenta é a segurança. Em pagamentos com cartão de crédito, há duas etapas de confirmação. A primeira consiste em uma pré-autorização, enquanto a segunda se caracteriza pela captura do dinheiro.


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