Criptomoedas são o futuro? Entenda as vantagens e desvantagens no varejo

Especialistas preveem que o uso das moedas digitais será mais democrático nos próximos anos

Foto: Pexels.

Muito se fala sobre as criptomoedas ou “criptoativos” no Brasil, mas pouco se explica sobre o uso delas no dia a dia dentro do varejo. As vantagens do uso dessas moedas digitais vêm sendo exploradas pelos principais especialistas da economia e podem trazer benefícios tanto para o consumidor quanto para o varejista.

A tendência é que seu uso seja promissor para os próximos anos. As criptomoedas se apresentam como uma opção digital mais fácil e segura. Isso vai ao encontro do novo consumidor que temos hoje: cada vez mais phygital e ávido pelo uso do digital no varejo.

Mas afinal, o que são as criptomoedas e como elas funcionam?

Apesar do conceito já ser bastante disseminado, muita gente não sabe como esse recurso funciona. E menos gente ainda sabe que o mundo delas vai além da existência do Bitcoin. O conceito, na verdade, é bem simples: moedas digitais, que não existem no ambiente físico. Elas têm como função facilitar o processo fora dos bancos, além de melhorar a segurança na troca dos ativos financeiros.

Muito se fala no Bitcoin porque ele foi a primeira criptomoeda a surgir no mercado, portanto também se consagrou como a mais conhecida. Porém há pelo menos mais de três mil moedas digitais no mercado e para cada país há uma legislação diferente para o uso delas. No Brasil, são consideradas como “bens”, o que implica a cobrança de imposto de renda sobre o valor informado na declaração anual do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF).

“Os criptoativos são ativos digitais que permitem o funcionamento de um meio eletrônico de pagamento de forma direta, com menos intermediários”, resume Igor Rodrigues, Head de OTC do Mercado Bitcoin.

Uma maneira de facilitar o entendimento, na visão de Vinicius Frias, CEO da Alter, fintech pioneira em pagamentos com bitcoin, é pensar no uso das moedas de forma semelhante ao dinheiro físico. “As criptomoedas, na essência, lembram uma transação em dinheiro em espécie, onde o consumidor entrega uma determinada quantia e o varejista dá o serviço ou produto”, explica.

Um exemplo para explicar o modo de uso pode ser feito com o Bitcoin. Para fazer transações, as pessoas alocam as moedas em wallets (carteiras digitais). As trocas são feitas de forma digital, transferidas de uma pessoa para a outra sem o intermédio de um banco. E para transferir, é necessário usar um código, chamado de endereço BTS, que pode ser convertido para um QR Code.

No varejo digital, o processo acaba sendo o mesmo. Para as lojas que já trabalham com esse meio de pagamento, basta realizar a transação.

Quais são as vantagens para o varejo?

Ainda que o uso das criptomoedas não seja tão comum no varejo, essa prática pode se tornar mais frequente nos próximos anos, impulsionada pelas mudanças tecnológicas dos hábitos do consumidor. Um dos principais motivos está relacionado à burocracia e às taxas de meios de pagamento mais comuns, como o cartão de crédito.

“Em todas as transações do varejo, são inúmeros intermediários de pagamentos que encarecem e burocratizam as transações, como no caso das maquininhas, por exemplo”, destaca Igor. Hoje, os varejistas lidam com altas taxas sob outros meios de pagamento. O cartão de crédito é um dos exemplo, com taxas que variam entre 4% e 6%. Ainda assim, ele lidera no país como o mais utilizado. Para se ter ideia, é trabalhado por 98,3% das lojas digitais, de acordo com levantamento da GMattos.

“Se compararmos taxas que podem ser aplicadas no uso do cartão, talvez [a criptomoeda] seja uma boa alternativa de complementaridade. No entanto, ainda não chegamos ao estágio de adoção em massa e a substituição total não é uma realidade, no momento”, conclui Igor.

Outra vantagem está relacionada também à segurança das transações. “O varejista tem o controle do chargeback. Isso é muito importante no combate a fraudes, onde gateways acabam punindo o varejista, efetuando chargebacks indevidos”, destaca Vinicius. Ele também aponta que o uso das criptomoedas é uma estratégia de marketing captativa. “Hoje, a principal vantagem para os varejistas está no marketing, em poder atrair consumidores para seu negócio, pois o público de criptomoeda é bastante entusiasta”, comenta.

E as desvantagens para os varejistas e consumidores?

Vinicus comenta que taxas dos blockchains — tecnologia responsável pelas transações de criptomoedas que reúne informações, é capaz de codificá-las e transformá-las em algo imutável, o que traz segurança para as transações  — podem não ser tão vantajosas para os consumidores.

“Operacionalmente, pode haver benefícios para recebimento de valores internacionais ou de bens de alto valor. Para pequenas transações, no geral, não compensa muito. Aqui falo principalmente do Bitcoin, que é a criptomoeda mais conhecida. Suas transações são bastante custosas devido a toda segurança envolvida do registro em blockchain. Geralmente quem paga essas taxas de envio (mineração ou taxa de rede) são os consumidores durante o envio, o que tem ligação com a primeira resposta”, explica.

Além das taxas de blockchain, há destaque também para a volatilidade da moeda. “Quem comprou ou recebeu criptomoedas no começo desse ano, já viu mais de 80% de valorização. Mas vale lembrar que são ativos voláteis e que podem também sofrer quedas na cotação”, aponta Igor.

Por isso, é importante estar atento aos valores no mercado. Isso vale tanto para saber o momento certo de investir quanto para converter a criptomoeda para a moeda nacional (Real). Para Vinicius, a conversão é uma das maiores recomendações ao comércio, justamente por se tratar de um ativo muito volátil. “Existem diversas empresas que atuam exatamente nesse meio, provendo conversões automáticas e sistemas de conciliação para que o varejista tenha pouca fricção de lidar com essa complexidade. Na prática o varejista recebe em reais enquanto o cliente utilizou criptomoeda”, explica.

Uso futuro: vai virar tendência?

Na visão dos dois especialistas, o uso das criptomoedas tende a se popularizar nos próximos anos e as desvantagens citadas serão superadas pelo varejo. A vantagem está principalmente relacionada aos novos hábitos do consumidor. Hoje, há mais demanda para a presença digital no consumo do dia a dia.

Além disso, por ser um meio de pagamento bastante seguro, o uso das moedas digitais também se apresenta como alternativa relevante para o mercado. “As transações com criptoativos são abertas e ficam disponíveis em uma espécie de livro razão eletrônico, chamado blockchain. Portanto, pode ser um ambiente até mais confiável do que o modelo atual, em que as transações ficam sob controle de um ou mais intermediários, que podem ter interesses em conflito com os dos lojistas”, destaca Igor.

Embora o uso delas esteja limitado às mãos de poucos, ambos os especialistas afirmam que as moedas serão em breve mais democratizadas. “São pouquíssimas pessoas no mundo que possuem contato com bitcoin, o espaço de crescimento ainda é monstruosamente grande”, comenta Vinicius. Já para Igor, a confiança das criptomoedas é conquistada aos poucos. Cada vez há mais varejos que utilizam o meio de pagamento. “Um fato é a Paypal ter lançado seu produto de pagamentos e custódia de criptomoedas, democratizando o acesso em todo o mundo”, conclui.

Outras movimentações do mercado também exemplificam o potencial das criptomoedas. A VISA, por exemplo, planeja lançar um cartão que faz conversão direta de criptomoedas para dinheiro, que poderá ser utilizado em 70 milhões de estabelecimentos em todo o mundo. Bancos digitais e fintechs já começam a pensar e lançar soluções com cashback em criptomoedas. Vale à pena acompanhar as movimentações do mercado nesse sentido.


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