Como a gamificação aproxima as marcas dos consumidores

Entenda como funciona essa ferramenta que estimula a busca pelos objetivos através de processos e elementos lúdicos

Foto: Shutterstock

Gamificação é o ato de implementar características de um jogo em algum processo para melhorar a experiência dos participantes a fazê-los alcançar os objetivos mais facilmente. Essa estratégia vem ganhando espaço em diversos setores do mercado e promete mudar relações de trabalho, com os clientes e até os relacionamentos pessoais.

Com a mudança de comportamento, é esperado que a gamificação também mude a forma como as pessoas interagem entre elas e, consequentemente, com as marcas. Por isso, vale a pena prestar atenção nas possibilidades que ela traz para os mercados e pensar em seu uso como forma de melhorar a experiência dos clientes e consumidores.

O que é gamificação

A gamificação é transformar atividades diárias em tarefas mais divertidas e motivadoras a partir de conceitos dos games, impulsionando a conquista de resultados. Ou seja, é transformar um processo (da vida real ou profissional) em um jogo, com desafios, metas, objetivos e diversos elementos que impulsionam o indivíduo a buscar pela sua evolução.

“Quando transformamos algo em jogo queremos dizer que estamos inserindo características do lúdico, ou seja, de jogo ou brincadeira, a algo que não é lúdico, a algo que pertence ao domínio da seriedade”, explica Nilson Valdevino Soares, doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Cesar School.

Segundo o doutor em Tecnologias, a técnica pode parecer fácil para quem não entende sua aplicação, mas pede atenção de quem pretende utilizá-la. “Como qualquer conhecimento especializado, a gamificação é complexa, bem mais do que parece inicialmente, e diversos fatores devem ser considerados em seus usos práticos”, diz.

Outra característica destaca pelo especialista é que o ideal é que a gamificação seja voluntária, independente do mercado em que esteja aplicada.

“As atividades são livres e voluntárias: nós escolhemos fazer parte daquela experiência. A empresa que decide aplicar uma gamificação e que respeite isso pode ver o nível de comprometimento e identificação dos colaboradores com a empresa crescer e se solidificar, por exemplo”, salienta.

Com isso, muita coisa pode mudar, desde o comportamento de um colaborador em uma indústria, até o do consumidor no varejo, por exemplo. Assim, todos os mercados podem aproveitar o potencial desse formato.

Leia também: A jornada do cliente vai muito além da satisfação 

O papel da gamificação na marca

Tornar a interação entre cliente e marca mais lúdica e divertida é um dos caminhos que ajudam a tornar uma empresa bem-vista no mercado. Claro, isso não foi sempre assim, mas em tempos de conectividade e interatividade, esperar um comportamento passivo do consumidor é algo que ficou para trás.

Por isso, a gamificação é capaz de aproximar o cliente da marca, independente do setor de atuação. No varejo, por exemplo, consegue transformar a experiência do consumidor em algo muito mais natural e interessante.

Para Nilson Soares, a gamificação pode ajudar em diversos aspectos, “como maior engajamento dos clientes, maior vínculo e apreço com/pela marca, uma visão positiva melhor dos clientes, que ficam mais próximos e mais constantes, conectados à marca”, explica.

Ou seja, a gamificação pode ajudar a marca a empresa em diversos aspectos, como:

  • Maior interação com clientes;
  • Aumento da relação de confiança;
  • Ganho de preferência dos clientes;
  • Exposição da marca;
  • Melhora da percepção e imagem da empresa;
  • Atrair novas gerações;
  • Diversificar público;
  • Criar vínculo emocional;
  • Chamar atenção de potenciais clientes.

 

Um elemento que o especialista destaca é o do vínculo emocional. Segundo ele, as marcas têm buscado cada vez mais criar esse sentimento positivo com seu público e torná-lo, até mesmo, parte da identidade desses consumidores, algo que a gamificação também pode ajudar.

Como aplicar a gamificação no varejo

Implementar elementos de gamificação em qualquer mercado exige, primeiramente, o entendimento de qual é o objetivo a ser alcançado com aquilo e qual a preferência do consumidor.

“Devemos averiguar qual o problema que queremos resolver, para saber se a gamificação realmente é o melhor caminho, ou até se é um bom caminho, para se tratar da questão”, indica Nilson Soares.

Com essa análise feita, são diversos os formatos de gamificação que podem ser aplicados. Alguns são bastante simples e já utilizados, enquanto outros exigem mais uso de tecnologia, mas trazem resultados semelhantes.

Exemplos de gamificação

1. Cartão fidelidade (virtual ou físico)

Premiar o cliente quando ele realizar um número de compras em no site ou loja o incentiva a escolher a empresa na hora da compra, mesmo com outras opções da concorrência. Frete grátis, descontos nos produtos, conseguir comprar algo antes de todo mundo e exclusividade são algumas opções de prêmios que chamam a atenção. É o jogo de comprar para conquistar os benefícios.

2. Quiz

Perguntas e respostas é um dos recursos da gamificação que mais geram participação e interação entre os consumidores. É possível oferecer descontos nas compras, nos fretes, brindes especiais ou alguma experiência para quem atingir um determinado número de pontos.

3. Jogos interativos

Para o varejo online, construir jogos que aumentem o tempo de permanência do cliente na página pode ser uma boa ideia para melhorar a percepção da marca. Além disso, também atrai públicos diversificados, por despertar a curiosidade. Como resultado, o cliente pode trocar a pontuação por descontos.

4. Pontuação e rankings

Premiar aqueles clientes que mais interagem nas redes sociais ou no site, criar um sistema de ranking com prêmios que beneficiem o consumidor são algumas das possibilidades. Isso atrai os clientes e aumenta a fidelização.

Essas são apenas algumas possibilidades. Há diversas formas de implementar a gamificação. Entretanto, são muitos os detalhes que precisam ser pensados, o que faz o doutor em Tecnologias indicar sempre profissionais ou empresas com a competência necessária para elaborar essa estratégia.

“A gamificação é uma área incrivelmente complexa, que demanda uma vasta gama de conhecimento interdisciplinar, como game design, comunicação, tecnologia, sociologia, psicologia, história, design de serviços e bagagem cultural”, diz.

Cases de gamificação no mercado

  • Mercado livre: a partir das compras, os consumidores vão aumentando a pontuação e subindo de ranking, tendo acesso a mais promoções, descontos, cupons ou benefícios, como entrega rápida e grátis.
  • Shopee: o marketplace implementa inúmeros recursos de gamificação. Além de jogos interativos que dão moedas (trocadas por desconto), a plataforma também espalha cupons de desconto diariamente pelo site e aplicativo. Essa caça ao tesouro, além do benefício do cupom, também retém as pessoas mais tempo no marketplace.
  • Starbucks: com o programa “My Starbucks Rewards”, a marca de café aumenta o engajamento do cliente permitindo que ele troque seus pontos por promoções ou prêmios. Isso incentiva o consumidor a reunir os pontos e ser premiado ao final.
  • VGV Imobiliária: aplicado para beneficiar os corretores que trabalham com a marca, a empresa elaborou um esquema de pontuação referente a cada ação tomada pelo corretor que levasse ao aumento do ritmo de vendas de um empreendimento. Trabalho de rua, indicação, retorno, captação, entre outros elementos eram utilizados. Segundo Giuliano Milano, CEO da empresa, “a gamificação busca fazer com que os corretores executem com qualidade as suas tarefas diárias, tendo como consequência o aumento das vendas”.
  • McDonald’s: a campanha em parceria com o jogo Monopoly, da americana Hasbro, permitia que o consumidor ganhasse selos do jogo na hora da compra, sendo que podia conter descontos e prêmios instantâneos. Além disso, também podiam ser cadastrado no site para concorrer a brindes ainda melhores.

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