De WALL-E a Blade Runner: 5 filmes que destacam a experiência phygital

Entenda como a ficção científica antecipa tecnologias que já se tornaram realidade ou estão emergindo

Foto: Pexels

Há quem diga que a ficção científica é um divisor de águas e um poço de criatividade para futuras invenções. Sobre isso, é preciso concordar: há livros, séries e filmes que sem dúvidas incentivaram a produção de determinadas tecnologias — e vale dizer que, alguns anos atrás, elas eram vistas apenas como inverossímeis. Hoje, essa presença da ficção em conjunto com a tecnologia consagram realidades da experiência phygital e se apresentam como tendências futuras e atuais de inovação.

Um exemplo pode ser visto n’Os Jetsons, desenho da década de 1960 que lançou tendências tecnológicas. Se à época ter um robô faxineiro, um comunicador por vídeo e uma assistente robótica para as tarefas do dia a dia era algo tão inconcebível que só poderia fazer parte de uma ficção, hoje essas coisas já são comuns. Afinal, todos temos um smartphone em mãos, há assistentes virtuais inteligentes no mercado e já existem robôs aspiradores que limpam a casa por conta própria.

Entre essas tecnologias, está a experiência phygital. Nela, o consumidor tem um contato que mistura, de forma intrínseca, a vivência do digital e do físico. Dessa maneira, ambas as partes funcionam juntas e se complementam.

Ainda que a nomenclatura seja recente, sua aplicação já se fazia há anos, essa tendência tem se apresentado ao longo de décadas em filmes de ficção. Além disso, foi responsável por criações e estratégias usadas hoje tanto no varejo quanto nos negócios.

Para provar que o consumidor é phygital, separamos cinco filmes que mostram essa experiência tanto em formas já existentes no mercado quanto em possíveis ideias para o futuro. Confira:

Matrix (1999)

Matrix

Foto: Divulgação.

Um dos maiores clássicos da ficção científica, Matrix foi responsável pelo lançamento de tendências inéditas e de uma profunda conexão com o que conhecemos como realidade. Entre as filosofias do longa-metragem está a interação com a tecnologia de maneira tão digital e tão física, que é quase impossível distinguir o que é real e o que é Matrix. É claro que ainda há um caminho extenso a ser percorrido para que atinjamos algo como é feito no filme, mas o percurso do avanço tecnológico já permite que essa interação com o mundo digital seja mais palpável.

Um dos exemplos é a realidade aumentada, cada vez mais avançada e difundida. Seja por meio dos óculos VR (realidade virtual), por meio de outros aparelhos eletrônicos de mais fácil acesso — tais como smartphones e computadores — ou até mesmo sem qualquer aparelho fixado ao corpo humano.

A startup Magic Leap é um exemplo de companhia que criou esse tipo de realidade aumentada.  Uma das usabilidades famosas é o vídeo em que uma baleia aparece em um ginásio, sem o uso de recursos alocados ao corpo humano.

Ainda deve demorar para que cheguemos ao nível do que é feito em Matrix, mas sem dúvidas houve um desencadeio de novas tecnologias que mexem com a realidade depois do lançamento do filme.

Os delírios de consumo de Becky Bloom (2009)

Os delírios de Consumo de Becky Bloom

Foto: Divulgação.

Até mesmo filmes que não se enquadram na temática da ficção científica abordam a experiência phygital. “Os delírios de consumo de Becky Bloom” conta a história de Becky, uma pessoa extremamente consumista e sem limites.

As compras no varejo, em geral nos shoppings, fazem parte da rotina de consumo da personagem principal. Na época, algumas cenas sobre o consumo online foram abordadas como forma de apresentar uma compra impulsiva, o que abriu espaço para o e-commerce.

Embora o filme retrate o consumo como impulsivo por ser feito de forma online, sem a testagem e a comprovação do produto físico, essa realidade mudou nos últimos 10 anos. Hoje, uma porcentagem generosa de compras é feita pelo e-commerce e, em alguns países, como a China, a maior parte do consumo é feito online.

No entanto, há alguns produtos em que Becky têm preferência pela compra no varejo físico ou mesmo lojas, que frequenta apenas pela experiência de estar lá. Isso evidencia a experiência phygital no varejo: a necessidade da interação física e digital, que convive e se complementa.

I Am Mother (2019)

I Am Mother

Foto: Divulgação.

Na pegada dos filmes mais recentes e, portanto, mais interligados com a presença tecnológica dos dias de hoje, temos “I Am Mother” (Eu sou mãe), lançado pela plataforma de streaming Netflix. O filme caracteriza-se como ficção científica e conta a história de uma adolescente sem nome, apelidada de “Filha”, que convive em um bunker fechado em um contexto no qual a humanidade teoricamente teria sido erradicada.

O foco do filme está no contato com um robô, chamado de Mãe, que cria a personagem principal desde seu nascimento. O longa-metragem evidencia toda a forma de contato com uma tecnologia avançada e digital, além de representar a convivência com a inteligência artificial (IA) do robô Mãe, que possui decisões próprias.

A experiência phygital pode ser encontrada em inúmeras das cenas, mas uma das principais está atrelada aos estudos da Filha. O robô desenvolve atividades que são feitas de forma tanto física quanto digital, a exemplo da prova final: feita em um dispositivo semelhante a um tablet, porém desenvolvida a partir de elementos físicos e um texto redigido à mão.

Apesar de não ter feito um sucesso tão relevante, o filme traz tendências tecnológicas mais próximas da nossa realidade e apresenta uma intensa conexão com a tecnologia como aliada durante o nascimento e a criação de crianças.

WALL-E (2008)

WALL-E

Foto: Divulgação.

Uma das produções mais prestigiadas da Pixar, inclusive premiada com o Oscar de melhor animação, foi WALL-E. O longa-metragem traz reflexões sobre a sustentabilidade do planeta Terra e como devemos nos atentar à pauta socioambiental.

Embora a trama esteja bastante focada no robô lixeiro WALL-E e no robô EVA, há muito a ser explorado nas novas tecnologias desenvolvidas pela animação. O filme se passa no ano de 2805, em um contexto no qual a Terra deixou de ser um ambiente capaz de abrigar as pessoas em razão do lixo e do consumo da espécie humana.

Para que a raça persistisse, os humanos foram levados ao espaço em uma nave estelar, chamada de Axiom, e permaneceram dentro dela por gerações. É nesse espaço que o filme usa e abusa da criação de novas tecnologias — que em 2008 pareciam ficcionais e distantes da realidade, mas que hoje já se configuram no dia a dia.

A animação destaca o uso constante da experiência phygital. Isso mostra que essa tendência já era apontada há mais de 10 anos. Um exemplo é mostrado no painel de compras entre os tripulantes, que escolhem roupas e comidas pelo meio digital e elas são experimentadas de forma física.

Como toda a nave é conduzida por robôs, a experiência phygital é presente em todas as atividades do dia a dia dos tripulantes, desde escovar os dentes a escolher algo para realizar na rotina, visto que o foco está na convivência do digital com o físico.

O ápice dessa convivência phygital é o envio de EVA para a Terra, a fim de coletar um material físico que comprove a possibilidade de retorno da raça humana ao planeta.

Blade Runner 2049 (2017)

Blade Runner 2049

Foto: Divulgação.

Outro clássico da ficção científica, dessa vez mais atual, é Blade Runner 2049. O longa é uma continuação do primeiro filme, desenvolvido em 1982. Traz a história de K, um replicante — seres humanos artificiais, fabricados por meio de bioengenharia — que possui um relacionamento amoroso com Joi, um holograma que o acompanha durante a trama.

Por si só, o filme todo já representa a experiência phygital por essência ao apresentar o relacionamento entre um ser humano (ainda que geneticamente modificado) e um holograma. Ambos interagem de forma tanto física quanto digital. Todas as vivências da casa de K misturam uma tecnologia que varia entre poder e não poder ser tocada de forma física, a exemplo de quando Joi acende um cigarro do personagem, logo nos primeiros minutos da trama.

Essa interação entre Joi e K também se assemelha bastante com a função das assistentes virtuais. Ainda que o filme aborde um relacionamento profundo e amoroso entre os personagens, as ações de Joi têm semelhanças com a funcionalidade atual de assistentes virtuais inteligentes, como a Alexa, Cortana e o Google Assistente.

O filme consagra-se como um clássico da ficção científica e aborda temas complexos, como identidade, ética e moral, desenvolvidos em uma trama que mescla um cenário futurista e tecnológico. Foi aclamado pela crítica e recebeu cinco indicações ao Oscar, premiado na categoria de Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Visuais.


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