Marcas oferecem novos modelos de franquia para driblar a pandemia

Live commerce, nanofranquia e sistema take away são algumas das formas de novos modelos de franquia para enfrentar a crise

Foto: Shutterstock

A pandemia está deixando alguns modelos de franquia em risco, como no caso daqueles que focam em ambientes como os shopping centers. Por isso, para driblar a crise econômica e os efeitos das restrições de mobilidade impostas pela Covid-19, as marcas estão repensando suas ofertas.

A entidade oficial do setor de franquias nacional, a ABF – Associação Brasileira de Franchising -, revela em seu último relatório sobre o desempenho do franchising que 9% das unidades franqueadas foram fechadas em 2020, ocasionando uma redução de 7% nos postos de trabalho em comparação com 2019. E o faturamento de 2020 retornou a um patamar próximo de 4 anos atrás, na casa dos 167 bilhões de reais por ano.

Apesar de todo o cenário de incertezas, principalmente devido à segunda onda da pandemia, que chegou com mais força e impondo medidas mais restritivas, a vacinação da população projeta melhores resultados em 2021, ainda de acordo com o relatório, com expectativas de crescimento em faturamento, unidades e empregos. Contudo, essa recuperação deve levar cerca de dois anos para retomar aos níveis pré-pandemia.

Novos modelos de franquia

Enquanto o chamado “novo normal” não se estabelece, as marcas inovam ao apostar em modelos diferentes aos que eram comumente empregados, como as lojas em shopping.

A Bubble Mix Tea, uma rede de franquias de bebida taiwanesa, por exemplo, desenvolveu novos tipos de franquias. Os três sócios da marca se viram em uma situação delicada, já que as franquias da rede estavam dentro de shoppings e galerias, que foram fechadas durante a quarentena. Com o faturamento em queda, eles resolveram criar dois novos modelos de franquia: o To Go e o Express.

O To Go é uma microfranquia com um modelo compacto, que geralmente é operado por uma ou duas pessoas, e foi pensada para ser instalada na rua, com o sistema Take Away (ou seja, alimentos produzidos rapidamente e que não são consumidos no restaurante).

Já o Express é uma nanofranquia, idealizada para ser uma operação reduzida da Bubble Mix Tea dentro de um estabelecimento já existente.

“Muitos negócios que sofreram com a pandemia estão buscando se reinventar, otimizar o portfólio e ter novos produtos, para melhorar a rentabilidade. Nesses casos, a nossa bebida é uma ótima opção, por ser um produto diferenciado, em um mercado em ascensão”, explica o sócio da rede, Rodrigo Balotin.

Antes de começar a pandemia a empresa contava com 25 franquias, mas com a quarentena, esse número chegou a 23. Com a inserção dos dois novos modelos, a marca conseguiu fechar 2020 com 28 unidades e está em plena expansão. Atualmente a rede conta com 31 lojas abertas e tem previsão de abrir mais 20 até o meio do ano.

Além dos novos modelos, outra questão que ajudou a empresa a passar pela crise foi o e-commerce (bubblemixshop.com.br), que atualmente representa 5% do faturamento da rede e, também, é uma vitrine, para que mais pessoas conheçam e se interessem pela marca.

A Gran Cru é outra marca que apostou na transformação em seu modelo de franquia. A importadora de vinhos, com mais de 70 lojas entre unidades próprias e franquias, anunciou em agosto do ano passado o lançamento da Gran Cru ao Vivo, uma loja virtual com atendimento físico.

Esse novo conceito, chamado de live commerce, permite ao usuário interagir com um vendedor, que esclarece todas as dúvidas, oferece sugestões e auxilia na compra, tudo em tempo real. A ideia desse modelo de negócio é disponibilizar uma experiência de compra à distância que seja tão prazerosa quando a experiência em visitar uma das lojas.

Já para 2021, a marca pretende abrir 40 novas lojas, aplicando um conceito de franquia “light”, ou seja, lojas menores, para que o investimento inicial do franqueado seja menor.

Apoio aos franqueados

Outra ação adotada pela Bubble Mix Tea para enfrentar a crise foi a criação de uma agenda de reunião mensal (via videoconferência) com todos os franqueados da rede, para entender a situação de cada local e compartilhar experiências, além de discutir ideias e soluções.

“Entendemos que esta medida serviu de acolhimento aos nossos parceiros e fortaleceu nossos laços, mesmo nesse momento crítico”, conta Rogério Arcanjo, um dos donos da Bubble Mix Tea.

Para ajudar os franqueados financeiramente, a rede cessou a cobrança de royalties e do fundo de marketing institucional no início da pandemia. Aliado a isto, flexibilizaram a política de compras e pagamento da empresa.

Ainda durante a crise, a empresa incluiu em seu portfólio novos produtos como o “kit Bubble Mix”, que possibilita a venda dos insumos fracionados, para que o cliente pudesse fazer a bebida em sua casa, durante os dias de quarentena, e os achocolatados especiais da marca.

Há espaço para novos modelos?

Mais de 15 áreas de negócios atuam no modelo de franquia no Brasil hoje, segundo a ABF. E, para especialistas da área, o modelo de microfranquia é o meio mais seguro para quem quer ingressar nesse tipo de negócio.

As microfranquias seguem os mesmos padrões das franquias comuns, e a diferença está no valor do investimento inicial: até 90 mil reais.

“A microfranquia profissionaliza o microempresário. Dessa forma, ele recebe o suporte da franqueadora para partes do negócio que ele não tinha tanto conhecimento. Como o investimento inicial é mais baixo, ele entende o mercado de franquias ao entrar numa microfranquia e, depois, se sente preparado para buscar até franquias maiores”, explica Adriana Auriemo, sócia fundadora da Nutty Bavarian e diretora de Relacionamento, Microfranquias e Novos Formatos da ABF.

Além disso, para pensar em novos modelos de franquia, é preciso estar atento aonde a vida das pessoas está acontecendo. É sabido que o e-commerce cresceu extraordinariamente na pandemia, reflexo das restrições de mobilidade para evitar a propagação do vírus.

Portanto, ofertar conveniência e segurança ao consumidor, através de novas plataformas de vendas, é essencial para a sobrevivência da franquia, qualquer que seja o modelo. Estar presente no online e no off-line agora é crucial, e pensar na melhor maneira de fazer isso implica no sucesso do negócio.


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