Como cada geração está se relacionando com o consumo de conteúdo na pandemia

Mudanças exigidas pelo momento de pandemia alteraram hábitos e diminuem diferença entre as gerações quando o assunto é se informar

Foto: Shutterstock

O hábito de consumo de conteúdo e as fontes de informação prioritárias sofreram grandes mudanças com a digitalização de todos os âmbitos da vida. Atualmente, além de estar disponível em maior quantidade, o conteúdo é oferecido de forma praticamente instantânea e pode vir tanto de fontes oficiais e consolidadas quanto de um usuário de rede social. Nesse cenário, entender as maneiras preferidas de cada geração para se informar se tornou essencial na hora de pensar em estratégias de comunicação.

A geração Z (nascidos no final da década de 90), por exemplo, tem o consumo de conteúdo digital como característica de comportamento. Um artigo do Think With Google mostra que tanto os genZ quanto os millennials (nascidos entre 1985 a 1995) consomem muito conteúdo no YouTube, sem contar as outras redes sociais.

Mas as pessoas nascidas antes dos anos 1990 também têm um jeito único de consumir conteúdo. “Cada geração ter sua maneira particular de consumir conteúdo, é algo normal. Todos os anos surgem novos canais, plataformas, aplicativos e isso impacta diretamente no comportamento das gerações”, explica Tiago Serrano, CEO e Fundador da SoluCX, especializada em comportamento e satisfação do consumidor.

Com isso, as pessoas também mudam a maneira de consumir esse conteúdo. Se antes a geração X (nascidos entre 1965 e 1984) lia jornais impressos, hoje passa a ler notícias na Internet – e as compartilha com seu círculo social. Já os baby boomers (nascidos entre 1945 a 1964), de maneira geral, seguem consumindo conteúdo pela televisão como fizeram durante a maior parte de suas vidas, apesar de uma parcela já ter aderido às novas tecnologias.

“Engana-se quem pensa que as gerações mais antigas ainda não mudaram seus hábitos de consumo de conteúdo. Acredito que o que atrai realmente o consumo de conteúdo é o interesse e a curiosidade de cada geração em relação a sua fase de vida”, afirma o fundador da SoluCX.

Para Tiago Serrano, cabe aos produtores, marcas e empresas ouvirem o seu público consumidor para oferecer o conteúdo mais adequado a eles e no formato certo.

Consumindo conteúdo na pandemia

A redução das opções de lazer na pandemia e o isolamento social formaram uma combinação que mudou o comportamento de consumo de conteúdo de todas as gerações.

Segundo a pesquisa Global Millennial Survey 2020, da Deloitte, as mudanças de hábitos foram ainda mais sentidas pelas gerações mais jovens, atualmente no mercado de trabalho, como millennials e genZ – também as que mais consomem conteúdo online.

Entretanto, a influência da pandemia está presente em todos, independentemente da idade, como veremos a seguir:

Geração Boomer (nascidos entre 1945 e 1964)

Atualmente com idade perto dos 60 a 80 anos, a geração boomer geralmente tem um consumo de conteúdo mais passivo, como assistir à televisão, apesar de sempre existirem exceções.

Na pandemia, entretanto, foi preciso se reinventar: para manter contato com familiares e amigos, a tecnologia passou a fazer cada vez mais parte do dia a dia, aumentando o consumo de conteúdo digital e o uso de plataformas de comunicação como o Zoom e o Google Meet.

Geração X (nascidos entre 1965 e 1984)

Mais conectados e consumindo conteúdos digitais, a geração X teve que aprender a lidar com os novos formatos, em sua maioria. Durante a pandemia, passaram a se informar pelos canais digitais e também pelos aplicativos de mensagens como o WhatsApp, usando-os também nas atividades profissionais.

O impulsionamento dos formatos digitais, inclusive, diminuiu a distância entre as gerações, na visão de Tiago Serrano. “No mundo pós-pandemia todas as gerações se misturaram em um ambiente de multicanalidade, não vejo mais uma distância tão grande no comportamento”, explica.

Geração Y (millennials, nascidos entre 1985 e 1999)

Cresceram junto com a tecnologia e acompanharam as mudanças na maneira de consumir conteúdo desde o início. Na infância viam filmes nos antigos aparelhos de vídeo cassete, hoje são o maior público das plataformas de streaming.

Na pandemia, passaram a ficar ainda mais tempo online, consumindo conteúdo nas redes sociais que, consequentemente, se tornou um grande canal de publicidade e vendas.

Geração Z (nascidos a partir de 2000)

Nascidos na era digital, já estão completamente inseridos na realidade online e cada vez mais abertos às novidades. Consumir conteúdo, para essa geração, é algo natural, que faz parte do seu dia a dia.

Por isso, também tendem a ser a geração que se importa muito mais com o entretenimento do que com a publicidade. Segundo o relatório do Think With Google, marcas que desejam atingir esse público precisam estar de olho nesse comportamento que se tornou mais forte durante a pandemia. O consumo de games aumentou, assim como o de vídeos tanto no YouTube como nas plataformas de streaming.

O consumo de conteúdo e os hábitos dos consumidores

“As diferenças das gerações refletem em suas escolhas de consumo de conteúdo e nas interações que costumam fazer. Além disso, as gerações possuem peculiaridades de hábitos de consumo entre si”, explica o fundador da SoluCX.

Apesar dessa divisão entre as gerações ainda ser algo bastante visível, as novas formas de comunicação, as tecnologias e as transformações digitais tornam essas diferenças cada vez menores. Para Tiago Serrano é inevitável falar sobre a influência da pandemia nesse quesito. “Precisamos lembrar que a idade não define estereótipos, afinal, podemos notar comportamentos bem diferentes entre as pessoas da mesma geração”, explica.

Dessa forma, para atingir o cliente ideal, é essencial entender sua maneira de consumir conteúdo, que mostra não apenas seus gostos e prioridades, mas também um estilo de vida diferente.

Um exemplo é o valor dado a alguns produtos, como um carro. “Para os mais velhos, ter um carro zero era sinônimo de prosperidade – o que hoje em dia tem se tornado o oposto. As novas gerações estão mudando esse comportamento”, afirma.

E isso pode ser levado em consideração em qualquer setor. Para Tiago Serrano, a troca das lojas físicas pelas digitais foi a maior tendência de consumo do momento de pandemia, em que todas as gerações tiveram que se adaptar.

Com um consumo mais digital, o conteúdo online passou a se interligar com as compras. Afinal, tudo se tornou um só canal, onde tudo acontece de forma simultânea – desde a interação com amigos até a compra de um produto desejado.

Assim, o conteúdo de venda se confunde com o conteúdo de entretenimento e aquele produzido por amigos e familiares. Para um conteúdo chamar atenção do consumidor de qualquer geração ele precisa ter uma boa estratégia por trás.


+ Notícias 

Qual a visão dos Baby Boomers em relação à experiência phygital? 

Da Geração Z aos Boomers: quando o consumidor clica em publicidade? 






ACESSE A EDIÇÃO DESTE MÊS:

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

CM 262: O consumidor é phygital

CM 261: O respeito ao cliente é o caminho para 2021

Anuário: A omnicanalidade em todo lugar

VEJA MAIS