Vista cansada? Confira 6 riscos do uso excessivo de telas

Mal-estar e até depressão: entenda os problemas que o uso excessivo de telas pode trazer para a saúde e saiba como evitá-los

Foto: Shutterstock

Não há como negar: o uso de telas faz parte da vida moderna e está presente em diversos momentos do cotidiano, do trabalho ao entretenimento, passando pelos estudos e por aquela checadinha básica nas redes sociais no decorrer do dia. Porém, apesar de grandes aliadas nas tarefas do dia a dia, o uso excessivo de telas pode trazer problemas de ordem física e até afetar a saúde mental.

Vista cansada, aparecimento de problemas na visão, dor de cabeça, irritabilidade, falta de concentração, prejuízos na qualidade do sono e até depressão são alguns riscos que o uso de telas em excesso pode provocar. Conheça melhor os prejuízos que o abuso desta tecnologia pode trazer para a saúde e confira dicas de como manter o bem-estar digital.

A vida em telas

Quantas horas você passa em frente às telas? Antes de responder, pense bem: reavalie seu dia para ter um diagnóstico que represente a realidade.

Logo que acorda, você checa os e-mails e mensagens das redes sociais no celular? Durante o trabalho, quanto tempo fica em frente ao computador? Nos momentos de lazer, durante a noite ou aos finais de semana, quantas horas você passa assistindo a filmes, novelas, programas ou séries no smartphone, tablet ou na televisão? Se você ainda estuda, qual é o tempo que utiliza telas como ferramenta? Costuma fazer suas leituras em livro físico ou pelo Kindle?

É inegável: ainda que você se dê conta da presença das telas no dia a dia somente quando para e pensa sobre o assunto, o uso delas permeia o cotidiano moderno e faz parte da realidade.

“Em época de pandemia, essas inovações são capazes de nos aproximar de quem gostamos e nos trazem a possibilidade de usufruir de facilidades como aulas e reuniões em formato remoto. Também tornam possível fazer compras de mantimentos e medicamentos e passam a ser nossa maior fonte de entretenimento, nos proporcionando momentos não apenas de lazer, como de prazer. Contudo, se faz fundamental o entendimento do que deixamos de experimentar em detrimento dessa imersão tecnológica”, pontua a psicóloga Bruna Richter, também formada em ciências biológicas de UFRJ e pós-graduanda em psicologia clínica e psicologia positiva pela PUC-Rio.

O alerta da psicóloga é matemático: quanto mais tempo se passa diante das telas, menos tempo se tem disponível para a realização de outras atividades, necessárias para a boa saúde mental e física.

6 riscos do uso excessivo de telas

Qualquer coisa em excesso não é bom. A máxima, que você certamente já ouviu de alguém, faz todo sentido quando o assunto é uso excessivo de telas. Apesar dos benefícios trazidos pela tecnologia e de sua importância no cotidiano moderno, é preciso considerar os riscos trazidos para a saúde.

Confira os alertas elaborados pela psicóloga Bruna Richter e pela médica Aline Couto, oftalmologista do Dr. Consulta, especializada em córnea, sobre o uso excessivo de telas e os problemas que este hábito pode trazer para a saúde.

1. Risco de surgimento de grau

O aparecimento de problemas como miopia, astigmatismo e até mesmo hipermetropia podem ser relacionados ao uso excessivo de telas.

“Esses impactos são ainda maiores em crianças, que estão em fase de crescimento. Vários estudos comprovam que crianças que ficam muito tempo expostas às telas podem apresentar problemas na visão ainda na infância ou em anos futuros, como a adolescência. Ao olhar de perto por um período muito prolongado, o olho cresce em uma velocidade maior do que deveria, desencadeando em surgimento de grau. No adulto, também é comum. Porém, na criança, esse risco é potencializado”, explica a oftalmologista Aline Couto.

2. Vista cansada

A perda de qualidade visual, também conhecida como vista cansada, é outro risco do uso excessivo de telas. Segundo a oftalmologista do Dr. Consulta, o problema é bastante comum em adultos que fazem uso de telas por tempo prolongado, ao longo do dia todo.

“Para enxergar algo de perto, o olho contrai o músculo acomodativo. Para enxergar de longe, relaxa. Quando passamos muito tempo diante das telas, esse músculo fica contraturado mais tempo do que deveria, ou seja, trabalha mais. Com isso, começa a ter machucados, perde a mobilidade, a elasticidade e passa a ter problemas para fazer focos em distâncias diferentes”, explica a médica.

Como consequência da vista cansada é possível ainda notar outros sintomas nos olhos, como ressecamento, prurido, coceira, embaçamento visual, vasos ingurgitados, vermelhidão, ardor e lacrimejamento, acarretando, inclusive, menor desempenho no trabalho.

Leia também: 3 dicas para aliviar o cansaço visual causado por telas em excesso 

3. Dor de cabeça

Sentir dor de cabeça ao fim do dia também pode ser um reflexo do uso excessivo de telas. “A exposição constante à luz pode ocasionar sensibilidade, fotofobia e provocar cefaleia tensional. Aliás, queixas de dor de cabeça são muito comuns. Além disso, pode agravar casos de enxaqueca”, pontua Aline Couto.

4. Diminuição da capacidade de concentração e da qualidade do sono

Segundo a psicóloga Bruna Richter, a capacidade de concentração e a qualidade do sono também podem sentir os impactos do uso excessivo de telas. Isso porque a luz das telas induz o organismo a bloquear a produção de melatonina

“Quando passamos muitas horas diante das diferentes telas, a probabilidade de exercitarmos atividades saudáveis de socialização diminui. Esse tempo que poderia ser dedicado a outras pessoas ou a atividades distintas acaba sendo utilizado de maneira convergente, nessa dependência visual”, diz.

5. Agravamento de casos de depressão

Outro prejuízo apontado pela psicóloga sobre o uso excessivo de telas é o agravamento de casos depressivos, principalmente porque o uso destes dispositivos, geralmente, está atrelado ao conteúdo disponível nas mídias sociais referentes à autoimagem.

“Os estudos mais recentes sobre essa área apontam que o foco deveria estar menos na quantidade de tempo diante dos dispositivos e mais na qualidade de informação que é observada. O conteúdo que consumimos de forma passiva é o grande dimensionador de nosso equilíbrio emocional”, destaca Bruna Richter, que explica que transtornos mentais, como compulsão, depressão e angústia podem ser potencializados desta maneira.

6. Dependência virtual

Por fim, o uso excessivo de telas pode causar quadros de dependência. “Há sinais de maior angústia e irritabilidade em pessoas que são forçadas e enfrentar momentos prolongados desconectados”, alerta a psicóloga, que explica que, com o home office, é comum que as pessoas extrapolem os períodos convencionais de trabalho, levando a uma rotina mais intensa e estressante.

Como manter o bem-estar digital

O uso de telas é indispensável para a vida moderna, porém, controlar a quantidade de horas em frente aos dispositivos eletrônicos e adotar hábitos saudáveis podem minimizar os riscos que a tecnologia traz para a saúde.

“Se soubermos filtrar, o avanço tecnológico – e as telas – podem funcionar a nosso favor. No entanto, é importante que estejamos vigilantes de nós mesmos. Caso percebamos um excesso, que nos prejudique ou paralise, possivelmente estamos diante de algo que nos afasta de nossa saúde psíquica”, destaca Bruna Richter, que recomenda procurar ajuda de um profissional especializado caso note que as telas estão interferindo na qualidade de vida, além de buscar por outras atividades que gerem igualmente prazer e bem-estar.

No aspecto físico, outras medidas podem ser adotadas para mitigar os riscos do uso de telas. Consumir alimentos ricos em vitamina A, C, D e E, tomar água e se alimentar bem são hábitos essenciais para manter as células do olho saudáveis, ajudando-as a viver por mais tempo.

“Isso faz muita diferença porque os tecidos que compõem o olho são feitos de células não-regenerativas. A má alimentação impacta no aparecimento de catarata, por exemplo”, explica a oftalmologista Aline Couto.

Trabalhar em ambientes claros – que sejam nem escuros nem muito iluminados – também diminui o risco de vista cansada.

“Outra recomendação importante é exercitar o olho. De modo geral, a cada meia hora, é importante parar o trabalho e olhar para o horizonte, para dois ou três metros, por 30 segundos para relaxar o músculo acomodativo”, orienta a oftalmologista, que ressalta que esse tempo pode variar de acordo com a necessidade de cada paciente.

Praticar atividades ao ar livre que exercitam a visão para longe também é importante, especialmente para crianças.

Tecnologias que podem ajudar

O uso excessivo de telas traz riscos que são consenso entre médicos e pesquisadores. Frente ao problema, especialistas em tecnologia também buscam alternativas para reduzir o impacto à saúde mental e física dos usuários.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação e mestre executivo em Gestão Empresarial pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV) aponta que uma das inovações mais recentes são lentes que protegem do espectro da luz azul. Elas podem ser utilizadas em lentes incolores ou solares e funcionam permitindo a passagem do espectro azul-turquesa, que estimula a produção de serotonina, responsável pelo bem-estar, e bloqueia a luz azul-violeta, que é tóxica, protegendo os olhos.

“Controlar a luminosidade das telas, evitando-as usar com brilho máximo ou excessivamente baixo também é importante. O modo tela escura também pode ajudar. Nele, a tela vai estar na maior parte sem emissão de luz de forma tão agressiva e os caracteres são responsáveis por essa luminosidade. O modo tela escura pode ser usado durante todo o dia, não somente à noite, como muita gente acredita. No começo, para muitas pessoas, isso pode ser estranho, mas aumenta a produtividade e diminui o cansaço”, explica Arthur Igreja.


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