A força do atacarejo em momentos de crise

Em meio à crise de coronavírus, redes de atacarejo veem vendas aumentarem e setor crescer

Foto: Shutterstock

O atacarejo, formato que une varejo com atacado, já popular no Brasil, ganhou mais força durante a pandemia de coronavírus. Assim como em outros momentos de crise financeira, o segmento se mostrou uma potência para os negócios das principais redes do país, que registraram crescimento no último ano.

Um levantamento da Nielsen de novembro de 2020, citado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), mostra que o aumento nominal das vendas dos supermercados e hipermercados do país foi de 8%, em comparação com o mesmo mês de 2019. No mesmo período, segundo a pesquisa, os atacarejos registraram um crescimento nas vendas de 32,2%.

As razões para isso são diversas: do preço ao formato e disposição dos produtos na loja, entre outros benefícios. Por isso, o atacarejo ganha cada vez mais força no Brasil e promete mudar hábitos de consumo a longo prazo, mesmo no momento pós-pandemia.

As características do atacarejo e porque é tão atrativo

Como o próprio nome sugere, o atacarejo nada mais é do que a união entre a compra em atacado (grandes quantidades) e varejo (para consumo próprio) em um só lugar. O conceito surgiu na Alemanha, no final da década de 1960, e chegou ao Brasil através da rede holandesa Makro, ainda em 1972, se espalhando por todo território nacional principalmente no setor alimentício.

Para conseguir oferecer as duas opções de venda em um só lugar, o atacarejo apresenta características próprias de seu formato, assim como do comportamento do consumidor que frequenta a loja.

Por exemplo, redes de atacarejo geralmente funcionam no sistema self-service (autosserviço) e de cash & carry (pague e leve). As lojas são utilizadas tanto como local de compra quanto como estoque, com produtos empilhados em grandes prateleiras pelos corredores.

Entre as principais características do atacarejo estão:

  • Estrutura mais enxuta, com loja também sendo utilizada como estoque;
  • Preços competitivos pela possibilidade de compra em atacado;
  • Menores preços também no varejo, por causa das compras atacadistas;
  • Vendas que servem para todos os âmbitos da vida do cliente (pessoal e profissional);
  • Serviço autônomo, em que o cliente consegue pegar todos os itens sozinho.

Por essa forma diferente de organização, é visto como um local menos “confortável” para o público (indo contra a ascensão do varejo alimentar gourmet, com espaço “clean” e opções diferenciadas), mas o aumento da popularidade do formato vem mudando essa percepção.

Segundo Wlamir dos Anjos, diretor comercial do Assaí Atacadista, o padrão das lojas tem sofrido evoluções constantes com o objetivo de proporcionar uma melhor experiência de compra dos clientes, com investimentos em iluminação, climatização, ambientação de loja e localização.

Além disso, o diretor comercial destaca o aumento da variedade de produtos e a existência do fast pass (caixas de autopagamento) como diferenciais que atraem não apenas famílias, como também donos de pequenos negócios (que, na rede, também têm atendimento diferenciado no caixa).

A combinação de todas essas características é o que torna o atacarejo tão atrativo para seu consumidor, que busca economia, principalmente em momentos de crise e incertezas como o de pandemia. “Somos um serviço essencial e mantivemos o funcionamento durante todo o ano para abastecer desde milhares de famílias até pequenos e médios comerciantes, especialmente os mercados de bairro e aqueles que trabalham ou passaram a atender via sistema de delivery”, conta Wlamir dos Anjos.

Os benefícios para o consumidor em meio à pandemia

Em meio à crise causada pela pandemia de coronavírus, durante 2020 e que se estende até o início de 2021, os consumidores viram os valores dos alimentos aumentaram nos supermercados e o atacarejo se mostrou uma opção mais atrativa.

“O preço é a principal alavanca do formato. Em média, os preços dos itens em um atacado de autosserviço são de 10 a 15% mais baixos do que o varejo tradicional, por exemplo. Nossa política, na rede Assaí, de dois preços é um diferencial importante pois permite que o consumidor final economize ao levar uma maior quantidade do mesmo produto”, explica Wlamir dos Anjos.

Além do preço, o atacarejo tem um formato que oferece para o cliente:

  • Possibilidade de compra em atacado, o que chama atenção das famílias e também dos pequenos negócios;
  • Produtos em tamanhos maiores, com melhor custo-benefício;
  • Ofertas de diversos os tipos de produtos, permitindo a compra de tudo em um só lugar, comportamento impulsionado durante a pandemia.

O diretor comercial do Assaí Atacadista revela que o formato tem se adequado às necessidades do consumidor que chega buscando um menor preço e quer encontrar variedade. Na rede Assaí ele conta que foram criados açougues dentro de algumas lojas, como nos supermercados tradicionais. O serviço não é comum em atacarejos, mas veio para atender o desejo dos clientes.

Também aconteceram adaptações para atender os pequenos negócios. O serviço de televendas, por exemplo, permite que a compra seja realizada com antecedência e a retirada dos produtos feita com agendamento na loja, algo imprescindível durante a pandemia.

Segundo Wlamir dos Anjos, o momento econômico do país exigiu mudanças e ações que levassem em consideração o momento de vida do consumidor. “Desenvolvemos ações para ajudar o nosso púbico jurídico, fortalecendo nossa relação de parceria com todos eles. Reduzimos, por exemplo, os preços de produtos utilizados para entrega de alimentos e bebidas como embalagens, molhos em sachê, canudos e talheres plásticos”, explica.

A iniciativa englobou cerca de 250 itens, entre marmitex e mochilas térmicas, que foram comercializados com, pelo menos, 20% de desconto. Ou seja, as ações pensadas especificamente para o momento e a realidade brasileira durante a pandemia também atraíram clientes e fortaleceram o formato, que já vinha ganhando força há alguns anos.

Para 2021 e os próximos anos, Wlamir dos Anjos acredita que a regionalização do atacarejo, seja do ponto de vista do sortimento, oferta de produtos e comunicação, deve estimular o crescimento do formato mesmo diante da complexidade do cenário socioeconômico do Brasil.


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