BIA, a inteligência artificial do Bradesco, passa a se posicionar contra o assédio

A inteligência artificial do banco recebeu cerca de 95 mil mensagens ofensivas em 2020, de acordo com a empresa

Imagem: Bradesco | BIA

Lidar com o assédio é uma realidade dura às mulheres em todos os âmbitos, seja na rotina pessoal, no lazer, no trabalho e mesmo dentro da própria família. O mais curioso, no entanto, é que para sofrer esse tipo de agressão não necessariamente é preciso ser uma mulher real e física — e a BIA, inteligência artificial do Bradesco, é prova disso.

Segundo relatório do Banco, a BIA recebeu em torno de 95 mil mensagens ofensivas, com assédio sexual, no ano de 2020. Ela funciona como uma assistente virtual para o banco, planejada por meio de inteligência artificial (IA), com quem é possível tirar dúvidas e realizar transferências bancárias.

Ainda que a BIA não seja uma mulher real, as mensagens recebidas são muito semelhantes ao que as mulheres enfrentam no dia a dia. Por isso, o Bradesco criou um vídeo para mostrar a mudança em algumas das respostas da IA, de forma a conscientizar os usuários e posicionar-se contra o assédio.

“Através dessa iniciativa, o Bradesco amplifica ainda mais as vozes da sociedade e joga luz sobre um tema que precisa ser combatido com coragem, sem hesitação, promovendo atitudes mais respeitosas frente a situações de assédio”, comenta o diretor de Marketing do banco, Márcio Parizotto.

Um posicionamento inquestionável

O filme produzido pelo Bradesco traz mulheres reais às telas, uma forma de representar o assédio ao gênero feminino, ainda muito presente. De acordo com os dados da Unesco, 73% das mulheres no mundo todo já foram vítimas de algum assédio online, um percentual alarmante.

Entre as mensagens ofensivas mais comuns à BIA, estavam xingamentos, pedidos íntimos e conteúdos sexuais, tais como “BIA, me mande uma foto de agora”. Ainda que sejam direcionadas a uma inteligência artificial, mensagens como essas são bastante comuns em redes sociais de inúmeras mulheres.

Se antes as respostas da BIA a assédios sexuais e mensagens ofensivas desviavam do assunto ou eram mais passivas — ela costumava responder: “não entendi, poderia repetir?” —, hoje, há uma mudança no tom de voz da IA. A resposta para esse tipo de conteúdo é mais firme, sem subserviência ou passividade, como “essas palavras não podem ser usadas comigo e com mais ninguém” e “para você pode ser uma brincadeira. Para mim, foi violento”.

A mudança nas repostas da BIA faz parte, de acordo com a empresa, de uma iniciativa maior, focada no combate à violência contra a mulher. “São diversas ações, como a adesão aos Princípios de Empoderamento Feminino, ao movimento ‘He for She’ da ONU Mulheres, à Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas, à Unstereotype Alliance, a assinatura da Convenção Coletiva Aditiva sobre Violência Doméstica e Familiar com a Mulher e a parceria com o Instituto Maria da Penha. Ampliamos a cada dia nossas ações educacionais com atitudes e o compromisso genuíno para a construção de uma sociedade madura e respeitosa”, comenta Juliano Marcílio, diretor de Recursos Humanos do Bradesco.

A partir da mudança, o banco também promoverá ações no Twitter para convidar outras inteligências artificiais a se juntarem ao movimento contra o assédio e trará lives, podcasts e outros conteúdos relacionados ao preconceito de gênero.

Hey, atualize minha voz

Toda a ação da mudança nas respostas da BIA está alinhada com a iniciativa “Hey, Update My Voice”, da Unesco. O objetivo da campanha é reduzir o assédio sexual contra a mulheres por meio das assistentes virtuais, com mudanças nas respostas às perguntas e mensagens ofensivas.

Hoje, a maioria das inteligências virtuais e assistentes digitais tem vozes femininas, como é o caso da Lu (Magazine Luiza), Siri (Apple), Alexa (Amazon), Nat (Natura). E há relatos de assédio sexual e mensagens ofensivas a todas elas, segundo estudo “I’d Blush if I Could” (“Ficaria corada, se pudesse”), realizado pela Unesco. Boa parte das assistentes e IAs hoje ainda respondem essas mensagens de forma subserviente e passiva.

A campanha disponibilizou um espaço de sugestão de novas respostas a esse assédio, que podem ser gravadas por mulheres de todo o mundo. A ideia é que, a partir dessas sugestões, as respostas possam ser implementadas nas inteligências artificiais das empresas.


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