Brechós online entram para o novo normal

Negócios souberam aproveitar impulso da pandemia para oferecer experiência de compra profissionalizada e parcerias estratégicas

Fonte: Pexels

O comportamento de compra das novas gerações e o aumento da consciência dos impactos sociais e ambientais do consumo vieram para ficar. O clamor por sustentabilidade que ganhou mais volume desde a pandemia tem gerado reflexos em diversos segmentos, e provocado transformações no segmento do brechó online. Conscientes e de baixo impacto ambiental, esse formato tem, literalmente, se conectado cada vez mais com os valores de consumidores.

E, desde a aceleração digital do varejo na pandemia, os brechós digitais mostram que têm tudo para manterem a popularidade conquistada.

“É natural que as pessoas mantenham novas práticas e hábitos positivos descobertos durante a pandemia, e certamente os brechós continuarão ativos dentro dessa nova dinâmica de consumo que se estabeleceu”, comenta Rebeca Foggetti, estilista do brechó digital Repassa.

Sendo assim, os ambientes apagados e empoeirados dos brechós do passado agora se manterão como experiências digitais modernas e serviços profissionais, com curadoria rigorosa e focada na experiência do cliente. No Repassa, um time de especialistas analisa todos os produtos recebidos pelo site e não aceita roupas danificadas. “Para garantirmos essa experiência, não aceitamos peças com rasgos, furos, marcas de uso, bolinhas de tecido, réplicas de grifes e feitos de pele de animais”, diz a estilista.

Talvez o maior exemplo de consolidação dos brechós com a pandemia seja o Enjoei. Nascido das redes sociais, quando em 2009 comercializava pelo Orkut, o brechó online fez seu IPO (Initial Public Offering) em 2020 na B3. Hoje, seu marketplace inclui uma carteira digital, o enjuBank, e está anunciando planos de aderir à plataforma do Mercado Livre.

Lá fora há movimentações parecidas, com o famoso benchmark da Depop. Uma das marcas mais inovadoras do ranking global da renomada Fast Company, a Depop se tornou uma referência para a Geração Z no ano passado por funcionar como uma plataforma social em que usuários seguem lojas e interagem com os demais compradores. Ela possibilita uma conexão direta entre vendedor e comprador, além de feedback instantâneo e diversidade de opções.

Empreendedorismo em rede e rede de marcas

A economia circular que os brechós promovem dá o devido tempo de vida às roupas já produzidas e alimenta o empreendedorismo em rede – também conhecido como passion economy. Contudo, acertar os ganhos das partes envolvidas é um desafio para os negócios, que precisam manter o nível de profissionalização enquanto asseguram preços vantajosos e boa experiência tanto do consumidor quanto do vendedor nos marketplaces.

Sendo assim, os times de precificação têm um quebra-cabeça a resolver.

No caso do Repassa, quem vende a peça fica com 60% do valor da venda de qualquer item – e tal percentual é estabelecido justamente para que o brechó se mantenha como uma alternativa de renda. Segundo o brechó, sua plataforma tem cerca de 27 mil vendedores, que disponibilizam mais de 150 mil itens. Em 2020, a startup pagou cerca de R$ 7 milhões para os vendedores cadastrados no site.

No caso da Enjoei, a comissão o marketplace é de até 20%, com tarifas fixas por item que vão de menos de R$ 2 em produtos de até R$ 50 e de R$ 13 sobre produtos a partir de R$ 201.

Além do empreendedorismo em rede que promovem, os brechós online ganham força ao se engajarem nos esforços de grandes marcas da moda em suas agendas ESG. Recentemente, a marca italiana Intimissimi firmou uma parceria com a Repassa para distribuição de sacolas, enquanto a Enjoei se juntou à C&A para promover benefícios aos consumidores da marca de roupas que quisessem vender itens da rede pelo brechó online.

 


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