Carbono neutro: as iniciativas de empresas para se tornarem sustentáveis

Diversas ações voltadas ao meio ambiente visam zerar ou diminuir a emissão de gases do efeito estufa, conduzindo as marcas para conquistarem o carbono neutro

Foto: Shutterstock

A preocupação com o meio ambiente está na pauta do dia de um grande número de consumidores no mundo todo, inclusive no Brasil. Eles têm se tornando cada vez mais exigentes em relação às empresas, para que estas demonstrem medidas efetivas relacionadas às pautas ambientais, por exemplo, iniciativas para se tornarem carbono neutro, ou seja, controlarem as emissões de gases causadores do efeito estufa.

O movimento não é recente, vem crescendo desde a década de 80, quando um enorme buraco na camada de ozônio que envolve o planeta foi identificado e obrigou muitas empresas a rever seus processos de produção e comercialização de itens com gases nocivos ao meio ambiente. Porém, no ano passado, a pandemia de Covid-19 potencializou o questionamento sobre os impactos do consumo no meio ambiente e despertou também um alerta para pensar mais coletivamente.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2020 pela EY-Parthenon, o cenário criado pelo coronavírus provocou a aceleração do comportamento social e ambientalmente responsável dos brasileiros que, por sua vez, têm exigido um posicionamento ecologicamente consciente das marcas e organizações.

Dos entrevistados, 70% afirmaram que prestarão mais atenção aos impactos ambientais e sociais dos produtos que adquirem, enquanto que 66% afirmaram que passarão a estar mais atentos às necessidades da comunidade em que vivem.

As empresas que ainda não são sustentáveis e estão demorando para olhar a questão ambiental como prioridade precisam ficar atentas. No Brasil muitas organizações já estão adiantadas nesse processo.

O que é o carbono neutro?

Segundo a ONU Meio Ambiente – agência das Nações Unidas responsável por promover a conservação ambiental e o uso eficiente de recursos no contexto do desenvolvimento sustentável – as emissões globais de gases do efeito estufa, em 2030, precisam ser de 25% a 55% menores do que em 2018 para limitar o aumento de temperatura média da Terra entre 1,5°C e 2°C, patamar considerado seguro por cientistas. E, uma das formas de contribuir com esse objetivo, é reduzir e/ou neutralizar as emissões de carbono.

Para uma empresa ser considerada carbono neutro ela precisa calcular o total das emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, em toda a sua cadeia de produção, desde a extração da matéria-prima utilizada nos produtos, passando pela produção e distribuição, até o descarte pós-consumo dos mesmos.

Feito esse cálculo, é preciso adotar medidas para reduzir ao máximo a sua emissão, como a implementação de fontes de energia limpas e renováveis – a energia solar é um exemplo -, ou compensar o que ainda não é possível de ser evitado.

Essa compensação pode ser feita através da recuperação de florestas em áreas degradadas, por exemplo, ou com a adoção de tecnologias para capturar CO2 diretamente da atmosfera.

O impacto das ações ambientais no planeta e na sociedade

Qualquer atividade humana é responsável pela emissão de gases no efeito estufa, e isso faz parte de um processo natural e benéfico, pois mantém a temperatura do planeta amena e sem grandes variações.

No entanto, o problema é a acentuação desse efeito, o que leva ao aquecimento global. E, grandes propriedades agrícolas e pecuárias, atividades industriais e a queima de combustíveis fósseis descontrolada estão entre os principais causadores das emissões desses gases.

Nesse sentido, as companhias têm se voltado para iniciativas em conjunto para ganhar força nas pautas ambientais, sendo uma delas a adoção da ESG. A sigla, em inglês, é para Environmental, Social and Governance, ou seja, Ambiental, Social e Governança, indicando empresas que estão atentas aos impactos que provocam no meio ambiente e na sociedade.

Na prática, a sigla vem sendo utilizada para designar empresas que são amigas do meio ambiente, pois adotam práticas sustentáveis e voltadas ao bem-estar da sociedade. Sendo assim, ser ESG virou um critério utilizado por investidores e por fundos de investimento para escolher as empresas que vão compor o portfólio.

Para ser considerada ambientalmente consciente, uma empresa deve ter um bom desempenho operacional para mitigar ou eliminar seus impactos negativos na natureza. E, uma das formas de eliminar seus impactos negativos é reduzir ou zerar a sua pegada de carbono, ou seja, o cálculo de gases na atmosfera que determinada empresa emite.

Iniciativas carbono neutro no Brasil

Nesse sentido, diversas companhias no Brasil e no mundo têm liderado iniciativas sustentáveis para reverter os danos causados ao meio ambiente.

Entre elas está o iFood, que anunciou recentemente um plano que pretende eliminar completamente as emissões de carbono da companhia até 2025. Batizado de Regenera, o plano irá contar com diversas iniciativas, dentre elas, o investimento em veículos elétricos, pesquisa e desenvolvimento de embalagens sustentáveis e parcerias com cooperativas de reciclagem para ampliar a capacidade produtiva e melhorar a renda dos cooperados.

Com o apoio da empresa de tecnologia Moss.Earth, a marca mensurou todas as emissões relativas às entregas em 2020, contabilizando 128 mil toneladas de CO2, que, segundo a empresa, serão neutralizados por meio de investimento em projetos de preservação ambiental e reflorestamento.

Outra ação adotada foi o lançamento do iFood Pedal, em parceria com a Tembici. O projeto oferece planos acessíveis para o aluguel de bikes elétricas pelos entregadores e, atualmente, mais de 2 mil profissionais estão cadastrados e compartilham 1.000 bikes elétricas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Outra parceria listada pela marca é com a montadora Voltz, empresa especializada em motos elétricas. O projeto terá início em abril deste ano, e contará com 30 motos elétricas que serão testadas pelos entregadores. Para estimular o uso do modal não-poluente, o iFood está desenvolvendo parcerias para criar uma linha de crédito especial para entregadores parceiros.

Já a Natura compensa 100% dos poluentes derivados de seus negócios, fazendo o mapeamento das emissões de gases de efeito estufa em toda sua cadeia de valor. Ingredientes de origem vegetal, materiais de origem renovável, adoção de refil e uso de material reciclado nas embalagens são algumas das ações adotadas pela empresa para reduzir o impacto ambiental e, consequentemente, as emissões de gases poluentes.

A Marfrig também entra para o grupo, afinal, em parceria com a Embrapa, lançou no ano passado a sua linha de carne carbono neutro. A carne sustentável, denominada Viva, é proveniente de animais inseridos em um sistema de produção pecuária-floresta, que neutraliza as emissões de metano dentro de um protocolo desenvolvido pela Embrapa.

Essa compensação é assegurada a partir da certificação e verificação por auditorias independentes. Além disso, o protocolo garante todos os preceitos de bem-estar animal atendidos dentro do sistema de produção.

A Renner, por sua vez, compensa anualmente 100% de suas emissões de gases de efeito estufa apuradas no inventário do ano anterior, conquistando o título de carbono neutro há mais de quatro anos. Ainda em 2019, a energia renovável de baixo impacto adquirida pela marca representou 44,3% de toda a energia consumida.

Além disso, a varejista de moda possui ações voltadas a reduzir o impacto das emissões atmosféricas da frota logística terceirizada. Monitorando 30 veículos da frota, a marca promoveu a capacitação de 90 motoristas sobre “direção ecológica”, compartilhando boas práticas para o aumento da eficiência no consumo de combustíveis com uma mudança de comportamento na direção.

Ao todo, em 2019, a empresa reduziu o consumo de combustíveis da frota em 5,28%, o que permitiu reduzir em 10,8% as emissões associadas ao transporte de produtos.

As empresas que seguirem os exemplos e apostarem no caminhos sustentável tendem a sair na frente – perante ao mercado e aos consumidores.


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