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Gerações possuem diferentes expectativas com tecnologia; entenda

Gerações possuem diferentes expectativas com tecnologia; entenda

Diferenças afetam o ambiente de trabalho e se tornam desafio para líderes
Legenda da foto

Cada grupo geracional possui experiências de vida distintas devido ao período em que nasceram e cresceram. Isso faz com que tendam a se comportar de formas diferentes em vários aspectos da vida, entre eles em suas expectativas com tecnologia e o seu uso profissional.

Atualmente, a sociedade é composta pela seguinte configuração geracional (segundo o pesquisador social australiano Mark McCrindle, autor de The ABC of XYZ: Understanding the Global Generations):

  • Baby Boomers (1946-1964): são marcados pelo pós-guerra. Utilizaram máquinas de escrever e cartas e demoraram mais para se familiarizar com o digital. Passaram por períodos de recessão econômica e têm o foco no resultado;
  • Geração X (1965-1979): tendem para o materialismo. Acompanharam o desenvolvimento computacional e são mais empreendedores que a geração anterior;
  • Millennials ou Geração Y (1980-1994): é a geração globalizada. Acompanharam o desenvolvimento da internet e da conectividade 24h por dia. São mais questionadores no trabalho;
  • Geração Z (1995-2010): tem uma relação simbiótica com a tecnologia. São considerados nativos digitais e também empreendedores engajados.

Com diferenças naturalmente tão evidentes, desenvolver as potencialidades de cada indivíduo no ambiente de trabalho torna-se um grande desafio para os líderes, especialmente quando a tarefa é estabelecer linguagens e processos mediados por diferentes tecnologias.

Por isso, é fundamental para o desenvolvimento de equipes compreender o que move os membros de cada geração e como a tecnologia media e, principalmente, facilita isso.

Diferentes visões de mundo

Pensando no mercado e nos profissionais do futuro, a Forrester, consultoria de pesquisa sobre tecnologia, elaborou o Guia para equipar a força de trabalho da próxima geração. O relatório revela que 74% dos profissionais em 2030 serão millennials e membros da geração Z.

Ou seja, quase ¾ do mercado será formado por trabalhadores com total intimidade com recursos tecnológicos e que terão a expectativa de manter no ambiente de trabalho o mesmo modelo hiperconectado que os acompanha desde o nascimento.

Contudo, pensar sobre como equalizar as diferentes expectativas das gerações em relação à tecnologia não é uma tarefa que pode ser deixada para o futuro.

O relatório da Forrester aponta cinco fatores que servem como base para direcionar as empresas a fim de melhorar a experiência com o uso da tecnologia a partir da visão dos membros das gerações Y e Z.

  1. Hardware: um terço dos trabalhadores da geração Z que usam laptop para o trabalho querem que sua próxima máquina seja tanto para uso profissional quanto pessoal. Essa mesma vontade está em apenas 23% da Geração X e 17% dos Baby boomers.
  2. Software: ferramentas de produtividade ainda são usadas por profissionais mais jovens, porém, com menor frequência do que em comparação com gerações mais antigas.
  1. Segurança: políticas de segurança tendem a ser menos seguidas por gerações mais novas visando aumentar a produtividade. Quase metade dos profissionais da geração Z querem escolher o seu próprio software de segurança. Já na geração dos Baby boomers, apenas 20% tem esse desejo.
  2. Privacidade: a preocupação com a privacidade aumenta com os mais jovens. Vinte e três porcento da geração Z e 21% dos millennials estão preocupados com o acesso da empresa a seus dados pessoais em dispositivos que usam para trabalhar. No caso da geração X, a porcentagem é de 14%, enquanto apenas 9% dos Baby boomers se mostram preocupados com isso.
  1. Mobilidade: profissionais da geração Z têm mais inclinação para trabalhar em coworkings, assim como em vários lugares, como durante o trajeto ou em diferentes locais no escritório.

É preciso considerar também a distinção dos hábitos de cada grupo. Analisar uma prática normal no dia a dia de trabalho como é o networking e a comunicação entre os colaboradores, por exemplo, mostra isso.

Para algumas gerações mais tradicionais, é preciso reuniões e cenários formais, valorizando o olho no olho e o aperto de mão. Enquanto as mais jovens preferem dialogar por meio de mensagens curtas e de calls direto de suas mesas de trabalho ou até mesmo de dentro de um Uber a caminho para algum lugar.

A utilização de mídias sociais como plataformas de comunicação, marketing e engajamento com os clientes também varia de acordo com as gerações, com os millennials e os Z fazendo mais uso desses canais do que seus colegas de trabalho mais velhos.

No entanto, é preciso considerar que mesmo entre os membros de cada geração existem os entusiastas da tecnologia (os early adopters, que adotam as novidades assim que elas surgem) e os que demoram a incorporar as inovações (os laggards, os retardatários).

Conseguir identificar esses perfis dentro da organização pode ser importante para saber quais colaboradores precisam de mais ajuda com novas tecnologias e quais podem se tornar disseminadores de processos que envolvem inovação.

Indo além dos estereótipos geracionais

Atualmente, o mercado de trabalho é comandado, em sua maioria, por líderes membros das gerações X e Y, pessoas que possuem entre 30 e 55 anos. Conforme os integrantes da geração Z ingressam no mercado de trabalho, o cenário das empresas ganha complexidade porque três gerações passam a naturalmente disputar formas de “apropriação da tecnologia”.

De acordo o relatório da Forrester, nos próximos anos, a expectativa é que o ambiente de trabalho siga o mesmo modelo hiperconectado da geração Z.

Contudo, a pesquisa adverte que estudos demográficos baseados apenas em idade podem ser incompletos. E essa incompletude levaria a conclusões estereotipadas, como os dos millennials relacionados à falta de proatividade, ao uso excessivo de mídias sociais e à preguiça, e a geração Z sempre lembrada como de profissionais que apresentam dificuldade de concentração devido à disposição para serem multitarefas.

Afirmações assim, baseadas em estereótipos clássicos, podem induzir ao erro e deixar de lado a própria mudança de expectativa conforme os sujeitos passam por diferentes etapas de suas vidas e crescem em maturidade no ambiente de trabalho.

Deste modo, é preciso manter a perspectiva vigilante para as inovações buscadas pela geração Z. Mas, sem perder o foco de outras informações sobre como esses profissionais ocupam o mercado de trabalho em relação à:

  • Posição que assumem na empresa;
  • Onde trabalham e vivem;
  • Nível de senioridade atingido na área de atuação;
  • Nível socioeconômico.

Essas categorias têm uma correlação mais positiva para explicar o comportamento do indivíduo em relação aos usos e consumo da tecnologia do que apenas a idade.

Portanto, embora os dados demográficos sejam úteis, é preciso extrapolar a fácil associação que se faz entre os mais jovens como pessoas que utilizam mais tecnologia. Segundo a Forrester, usar o critério da idade para buscar profissionais com talento para a tecnologia pode ser um erro.

Assim, a fim de sofisticar as análises e acompanhar os caminhos em que a sociedade direciona a utilização da tecnologia, seja no ambiente de trabalho ou em outras esferas da vida, é importante expandir a visão para além da configuração geracional.


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